Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 27 de outubro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.10.27

Próximos, generosos, criativos!


A união faz a força - já o sabemos.

Quando esta força é em prol do bem comum, faz as pessoas mais solidárias, mais próximas mais motivadas para fazer mais e melhor. Elimina-se a grande tendência dos tempos actuais que conduz, em nome da urbanidade, do seu moderno, ao individualismo, ao consumo, ao isolamento.

A criatividade advém da capacidade de pensar e agir em conjunto.

E quando as pessoas se deixam galvanizar pelo que podem fazer juntas até as arestas são polidas; caiem por terra as dependências (e as subsídio-dependências).

Estes princípios que não colhem simpatias centrais nem direitos de antena são considerados como que uma certa etnografia provinciana. Coisas da aldeia perdida nas montanhas do interior - considera-se com despudor.

Porém, tratando-se de valores universais, são um manual de sobrevivência.

É o associativismo dedicado, os grupos de bem-fazer-pelo-que-é-de-todos, que recriam sinergias e clima de confiança.

Quanto não gostaria o governo de Portugal de ver espalhado pelo país, quer nos Ministérios e serviços quer nas várias localidades e clubes, quem fosse capaz de dar um dia (ou dois ou três) do seu ano para recuperar uma sebe, pintura uma fachada, reconstruir um pequeno muro!?

Acreditando que há muitos exemplos de sã generosidade e vontade de fazer melhor por Portugal - a começar logo pela sua terra - fica a ideia inspirada e ilustrada pelo Dia do Voluntariado da Associação Recreativa e Cultural da Barroca (de Nossa Senhora de Fátima - Aveiro).

Meia centena de pessoas participaram na iniciativa. Em espírito de ajuda e de partilha, nas instalações desta Associação, estiveram electricistas, pintores, carpinteiros, cortadores de lenha, pedreiros e muitos outros (com as respectivas ferramentas) que durante todo o dia transpiraram debaixo do sol intenso que se fez sentir para recuperar instalações, embelezar o espaço, limpar a área envolvente para bem da cidadania e educação ambiental.

E prometeram voltar…

terça-feira, 20 de outubro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.10.20

Claro que existe!


Há semanas que são férteis em acontecimentos que até temos dificuldade em acreditar na veracidade da sua existência; será verdade?

Há muitos correntes do pensamento moderno e contemporâneo que colocam a prova da existência das coisas naquilo que é tangível.

O indivíduo, no princípio, apenas tem a existência comprovada. Com o passar do tempo ele incorpora a essência. Assim, até a essência é relativa! Quem nos pode dizer o que é essencial? Só a força da opinião de quem tem mais visibilidade ou protagonismo social?

Dois casos que, na dúvida, suscitam a certeza. Assumindo que e só existe o que é verificável experimentalmente, eu não conheço Maitê Proença. Portanto, no limite, ela não existirá?!

As imagens que foram correndo a comunicação social poderão existir, como imagens. Aquele humor tão “fino”, poderá existir como humor. Só não sabemos onde nem quem.

O outro caso, é o a da inspiração para Caim, o irmão de Abel.

Caim e Abel existiram, claro. Está na Bíblia?!

Escrever sobre este acontecimento, para quem não conheceu os actores, é que pode não ser verdade. Pode até, no limite, a ser um conjunto de disparates – mesmo com recurso à ilusão de que se trata de ficção. A realidade ficcionada não é realidade, é ficção.

Apesar de tudo, há diferentes estilos de expressão linguística e redacção; há diferentes formas literárias de enriquecer a narrativa de um povo. Até há o romance, histórico, ficcionado,… e mal tratado!

Portanto, se tomamos como existente o que é verificável (apenas) aos olhos do próprio corre-se sérios riscos de auto-negação!

Mesmo que tenha dúvidas, não quer dizer que não existe verdade!

Por exemplo, não duvidamos que o (laureado e muito apreciado) José Saramago exista, mesmo se o termos visto a fazer alguma coisa!

Recorrendo à visão maniqueísta da vida, para ilustrar o acontecimento, entre o imobilismo do bem e a actividade do mal, optaríamos pela fé!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.10.13

E agora?

Estamos na encruzilhada, na expectativa, na espera ansiosa.

A espera ansiosa reproduzirá os sentimentos da maioria de todos nós sobre como dar a volta ao que aí vem em termos económicos, fiscais, governativos.

O que é que vem por aí depois de tantas eleições, dado que um pais tão pequeno e pobre não pode fazer muito perante os grandes do mundo?

Todos sabemos, não é de agora e, mesmo que fosse, qualquer exercício racional mais cuidado suscitaria o mesmo desvelo, que após um percurso eleitoral em que as atenções estão centradas nas propostas de governo (seja ele qual for e tenha a amplitude que tiver); e algumas vezes, esta centralidade de opiniões e visões, é imposta pelos interesses comuns, contudo, e não é raro, também convém a quem faz (ou manobra) as correntes de opinião. O que dita o que deve ser o interesse comum não é a verdade, é a procura!

Em suma, andámos entretidos desde Maio. E agora é que vai doer.

A expectativa representa aqui o que alguns sectores de trabalho, sobretudo dependentes da administração central, do próximo governo. Mais facilidades, menos rigor, aumento do ordenado, mais férias, menos trabalho,… a ilusão do costume. Deixem-nos andar. Entre os exageros de quem governa e a pouca vontade de quem é governado está, algures, o desgoverno deste “jardim à beira mar plantado” (ode Tomás Ribeiro, publicado em 1862 na obra D. Jaime ou a dominação de Castela, um poema inspirado nas rivalidades entre Portugal e Espanha e de carácter marcadamente anti-iberista)

A encruzilhada, porque se inter-cruzam muitos cenários, diz respeito ao mundial de futebol e ao futebol triste, enfado e enfadonho que recaiu sobre a selecção. As vitórias não disfarçam tudo. E aquilo não tem alma.

Os pessimistas de nós dirão que já não há saída para estes sentimentos; estamos perdidos e ponto.

Os realistas de nós comprometem-se, embrenham-se nos problemas, tocam para a frente, puxam, insistem, lutam, acreditam, aborrecem os pessimistas, não deixam que os oportunistas assumem os lugares decisórios. Vêm para além da dificuldade; encontram saídas.

Os optimistas de nós,… aperaltam-se e emigram.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Jardim à Beira-Mar Plantado


A PORTUGAL

Meu Portugal, meu berço de inocente,
lisa estrada por onde andei, débil infante,
variado jardim do adolescente,
meu laranjal em flor sempre odorante,
minha tarde de amor, meu dia ardente,
minha noute de estrêlas rutilante,
meu vergado pomar de um rico outono,
sê meu berço final no último sono!

Costumei-me a saber os teus segredos
desde que soube amar; e amei-os tanto!...
Sonhava as noutes de teus dias ledos,
afogado, de enlêvo, em riso e em pranto.
Quis dar-te hinos de amor; débeis os dedos
não sabiam soltar da lira o canto,
mas ... amar-te o esplendor de imenso brilho
- eu tinha coração e era teu filho!...

JARDIM DA EUROPA À BEIRA-MAR PLANTADO
e louros e de acácias olorosas,
de fontes e de arroios serpeado,
rasgado por torrentes alterosas,
onde num cêrro erguido e requeimado
se casam em festões jasmins e rosas;
balsa virente de eternal magia,
onde as aves gorgeiam noute e dia!

O que te desdenhar, mente sem brio
ou nunca viu teus prados e teus montes
ou nunca, ao pôr do sol de ameno estio,
viu franjas de ouro e rosa os horizontes,
ondas de azul e prata em ada rio,
as perlas e os rubis de tuas fontes,
nem de teus anjos - térreo paraíso -
sentiu o magnetismo num sorriso.

Pátria! Filha do sol e das primaveras,
rica dona de messes e pomares,
recorda ao mundo ingrato as priscas eras
em que tu lhe ensinaste a erguer altares.
Mostra-lhe os esqueletos das galeras
que foram descobrir mundos e mares ...
Se alguém desprezar teu manto pobre,
ri-te do fátuo que se julga nobre!

Tomás Ribeiro, D. Jaime, Porto, Ed. da Livraria Moré, 1874, pág. 3

sábado, 10 de outubro de 2009

RE-flexão: atitude e carácter!

Flectir duas vezes

Neste dia, prévio às eleições autárquicas, é obrigatório flectir e voltar a flectir sobre o que está em causa nos nossos locais de vida, acção, desenvolvimento.
Não concordo com a análise pura dos programas eleitorais como factor de opção!
O que está em causa não são ideias. Essas, mais pormenor ou menos pormenor, são todas iguais; porque quem está na vida pública, quem conhece as causas das coisas (com a devida vénia a Miguel Esteves Cardoso, autor de obra homónima), sabe a raíz dos problemas. Depois, ou não (pode ser antes!), com um staff sério e competente arranja um programa que mitiga, inventa, projecta, produz substância para alimentar atractivos programáticos.
Mas quem lê esses documentos?
Quem os compara para optar pelos que melhor respondem aos anseios, sentidos e razão? - "amigos da avenida", investigadores, pares no interesse público, à parte!
O que está em causa, na opção, é a atitude e o carácter de quem (indivíduo ou grupo) lidera ou se propõe liderar a concretização das propostas para uma cidade melhor.
Porque o mundo precisa de carisma! E carismático é aquele que é ungido pelo dom de fazer sonhar que é possível alcançar o bem comum. - o caso mais recente e sustentado é do Prémio Nobel da Paz 2009!
E tudo isto só é viável se acompanhado de atitude, isto é, de compromisso, da predisposição que uma pessoa demonstra para com a missão e objectivos a que se propõe (e quando estes se ajustam às suas aptidões e vocação), quando possui forte motivação e disposição para o trabalho que exerce e sente-se incentivada à criatividade. Está presente, é participativa, partilha os problemas e os desafios. Não foge à responsabilidade, não é apática nem desinteressada, não é ausente.
Depois há o carácter, a personalidade, isto é, a coerência para com as ideias fortes, as decisões, os compromissos. O carácter será tanto mais forte quanto a empatia que gera e faz gerar em todos os que estão envolvidos com o projecto e com a sua efectiva concretização.
Em síntese, ninguém escolhe (só) programas e ideias; escolhe-se a atitude, o carácter, a capacidade de fazer acreditar que é possível concretizar, com verdade coerente, as ideias, o programa.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.10.06

Do outro lado

Aproxima-se mais um acto eleitoral.
Cada um de nós já terá vivido, com maior ou menor intensidade e dedicação, estes momentos de decisão. Provavelmente, nada se compara ao experimentado após o 25 de Abril, por quem viveu os dois lados da “fronteira”.
A mobilização, o entusiasmo pouco esclarecido foram superadas pela vontade de participar, de decidir, de ter palavra em qualquer coisa que estava propalado como importante para o futuro comum.
É necessário, porém, enfatizar o pouco esclarecimento de então. A de mudança de regime, recorrendo a uma pré-ideia que terá, porventura, uma interpretação bastante ambígua, foi isso mesmo: mudança. E a ambiguidade, no pouco esclarecido, está nas perspectivas novas, que se abriram por altura de Abril. E, no turbilhão de todos irem. Porque muitos terão ido dado que os outros também iam. Por outro lado, com os índices de analfabetismo, poucos meios de comunicação,… é fácil analisar que a participação entusiasta situou-se entre o nada e tudo, isto é, do nada a que se tinha direito ao tudo que passou a ser permitido, ao dever cívico! - Incluindo o pouco esclarecimento que isto fomentou na assumpção da democracia.
E agora?
Será o esclarecimento necessário? Quem quer ser esclarecido?
Há tempo para ouvir o outro lado das questões, das propostas?
Haverá propostas diferentes?
A que servem um acto eleitoral? E para que serve, efectivamente?
E tantas outras questões que nunca terão resposta e tantas respostas que continuam a ser aplicadas sem que a maioria das pessoas coloque qualquer questão…
Com a abstenção ao acto eleitoral e absentismo às propostas para o governo das coisas do nosso mundo, deste mundo próximo, não tarda, se é que não é já, estaremos numa sociedade oligarquicamente tribal. A oligarquia (do grego, poucos + governo) significa, literalmente, governo de poucos. No entanto, como aristocracia significa, também, governo de poucos - porém, os melhores -, tem-se, por oligarquia, o governo de poucos em benefício próprio, com domínio da riqueza pecuniária. As oligarquias são grupos sociais formados por aqueles que detêm o domínio da cultura, da política e da economia de um país, e que exercem esse domínio no resolução dos seus próprios interesses, em detrimento das necessidades das pessoas.
E no contexto mais globalizado, talvez enveredar por uma plutocracia (do grego riqueza + poder), quem sabe? Isto é, um sistema no qual o poder é exercido pelo grupo mais rico. Do ponto de vista social, esta concentração de poder nas mãos de uma classe é não augura nada de bom!
Em síntese, colocados do outro lado dos problemas, afigura-se (basta uma simples pesquisa on line) esperançoso o futuro de quem sonha que vale a pena insistir para que se acredite!