Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

jnnf, ano XLII, nº 388 (Outubro 2008)

A nossa terra, a nossa casa, nós, o que é nosso

Ao aproximar-se o Inverno, de dias mais pequenos e frios, de maior recolhimento em casa, surge também a possibilidade das pessoas estarem mais tempo juntas. É verdade que os horários de trabalho de cada um não se compadecem com as estações do ano. Porém, vêm aí momentos de, tradicionalmente, maior proximidade das pessoas. O dia de Todos os Santos, os fins-de-semana prolongados no início de Dezembro, o Natal!

Por isso, sentimos que pode ser oportuno, ao ler o nosso jornal, partilhar uns com os outros as alegrias e preocupações do dia-a-dia. Entre essas possíveis oportunidades de diálogo próximo, familiar, podem estar as que versam sobre as mudanças que vão surgindo nas nossas comunidades.

É importante eleger mais um assunto para a nossa reflexão: a segurança de cada um, dos nossos bens.

Aparentemente até pode parecer que não há nada de novo nisto. É verdade!

Porém, quando nos chegam notícias sobre o “conto do vigário”, que levam a um ponto de já não podermos confiar em quase ninguém, é sempre importante trazer às nossas conversas os acontecimentos sobre pessoas, amigos, vizinhos nossos, que atenderam com simpatia quem se aproximou e, depois, foram burladas à porta de casa por indivíduos com um ar bem parecida, na maioria dos casos, que se ofereciam para lhes resolver um problema, para comprar um objecto, para conversar sobre um suposto familiar (tio, cunhado que está longe,… o meio para explorar conversa e aproximarem-se das pessoas, ganharem confiança) e, depois, inútil, roubam, agridem, maltratam.

A segurança de cada um passa, em primeiro lugar, pelos cuidados que se têm. A sociedade está menos segura!

Há grupos de proveniência diversa, de dentro de Portugal e de fora de Portugal, que vivem não se sabe bem de quê. Especula-se que seja do furto, da coação, de mendicidade, de tráficos, de coisas estranhas. São máfias, são etnias, são outras culturas,… são diferentes dos nossos hábitos regulares e seculares. E essa diferença, só por si, não é mal nenhum – Deus nos livre de fazer essa acepção de pessoas.

Todos merecem a melhor atenção, o melhor acolhimento. Porém, em tempos como o de hoje, não podemos “comer gato por lebre”, ser levados por lorpas!

Com isto queremos dizer que, se não tomamos as decisões com a devida ponderação, poderemos estar involuntariamente a fazer o bem mal feito. E o que poderia ser um factor de inclusão, de criar boas condições de vida e de vizinhança, por exemplo, resulta numa desconfiança e desconforto para todos, com consequências imprevisíveis.

Ora, com a vinda de mais serviços para as nossas comunidades (ver notícia na última página) vêm também outras pessoas... Saibamos acolher, acolher com inteligência. Saber de quem se trata, conhecer como é no que faz, saber ao que vem e, só depois, entreabrir a porta! Porque, como “quem à minha casa não vai, da sua corre-me”, isto é, na minha casa só entra quem eu quero” o melhor será que entre na nossa casa (comunidade) quem vem por bem!


domingo, 26 de outubro de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.10.29

Dignidade, oportunidade e crises

Enquanto se vai falando de crise, um pouco por todo o lado - até no Estádio do Dragão!? – o jornalista Fernando Dacosta, na revista Tempo Livre, provocou uma regressão na memória e traz-nos o episódio divulgado em Setembro pela comunicação social, em que o General Ramalho Eanes prescindiu dos retroactivos a que tinha direito relativos à reforma como general, que nunca recebeu. O Governo diz ter sondado o ex-Presidente, que não aceitou auferir essa quantia (a qual ascenderia a mais de um milhão de euros). A reforma só começou a ser paga em Julho, mas sem qualquer indemnização relativa ao passado.

O Governo, em 1984, criou uma lei impedindo que o vencimento de um Presidente da República fosse acumulado «com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência que aufiram do Estado» - uma boa medida, que volta a estar actual, com a abordagem aos vencimentos dos gestores (públicos e privados), é uma leitura possível!

À época, Eanes ocupava o Palácio de Belém e promulgou a lei de Soares. Quando saiu de Belém, em 1986, Eanes optou pelos 80% do vencimento como PR, nunca tendo recebido a reforma de general de quatro estrelas.

Em Junho de 2008 a lei foi mudada por insistência de Cavaco Silva, junto de José Sócrates, e após recomendação do Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues. Desde então, Ramalho Eanes tem direito a acumular a pensão de 36 anos de carreira militar com subvenção de ex-chefe de Estado.

Independentemente de se cumprir “o seu a seu dono”, registe-se a dignidade com que o principal prejudicado tratou o assunto.

Na altura, como ainda hoje, é necessário também “parecer”, sem cair no ridículo de aproveitar a oportunidade para fazer valer direitos que poderão chocar com o que a quase totalidade dos concidadãos não conseguem auferir.

É difícil mensurar o que vale o trabalho (o que será mais valioso, escrever um artigo, dar uma aula, presidir a isto ou àquilo, abrir um buraco, estoirar uma parede, dar uns chutos numa bola?!...). Se for universal esta afirmação, o que cada um ganha é pura e simplesmente fruto da especulação em cada tempo, local ou profissão.

Na oportunidade, perdurará a dignidade!

domingo, 19 de outubro de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.10.22

A presa

No topo da pirâmide da cadeia alimentar não está o leão, como é tradicional considerar-se, mas sim o humano! Este ser é capaz de devorar tudo até à supressão da espécie, da sua própria espécie!

Curiosamente, no ocidente latino e anglo-saxónico, próximos de 2009, ano do bicentenário do nascimento de Darwin e 150 anos de “A origem das espécies”, quase que poderemos referenciar, em paralelismo forçado, cinco pilares sistematizadores da espécie humana: Darwin (para todos); Marx para as classes sociais; Freud para os estados de ser; Weber para a sustentação; Durkheim para a vida em grupos. A estes juntamos, porque a natureza deste espaço assim o exige, Carlos Queiroz para o futebol português entre o século XX e XXI!

Mas porquê esta confusão temática!? – bocejará o leitor!

Tudo está interligado com o assunto que encima este apontamento, a presa.

Há pessoas que por mais competentes que o sejam, na formação, na fundamentação, na gestão,… em tudo perfeitas (admitamos como possível), dificilmente atingirão aquele grau de estrelato (em sentido pejorativo!), ou seja, não têm tempo para usufruir dos resultados alcançados e, mesmo quando os apresentam, já não estão lá para o reconhecimento; foram chamados a outro lugar onde eram mais necessários (por vontade própria ou pelas circunstâncias)! Ou seja, na diversidade das espécies, as camuflagem, artimanhas, garras, astúcia,…são os elementos temidos, porque assim consegue-se o resultado, a presa. E, sendo o normal entre as espécies não racionais, o ser humano, talvez pela mitigação dos elementos (de classe, sociais, racionais, emocionais,…), é reconhecido, quase exclusivamente, pelos resultados que obtém! Os fins justificam (todos) os meios! Portanto, os meios são quaisquer uns!

Ora, Carlos Queiroz construiu, de base sustentada, duas gerações de campeões (do mundo!), nos finais de oitenta e inícios de noventa. Depois, vieram os outros que não conseguiram o máximo potencial! Depois dessas duas gerações com atletas metódicos, empenhados, disciplinados, com sentido de grupo e de responsabilidade (mesmo com as inconsequências reconhecidas!), surgiu a geração das vaidades: brincos, tatuagens, carros, roupas, milionários de vida fácil, vedetas, individualistas; a dos balneários partidos (Clermont-Ferrand, França, 19 de Novembro de 2003), dos Jogos Olímpicos de Atenas, do Euro 2008,… inconsequentes!

E Queiroz regressou! Certamente para preparar uma nova geração. Como não é homem de vedetismos… virá semear, potenciar meios, para outros, mais à frente, colherem… a presa (o resultado último)! E por mais amargos que isto possa trazer no imediato (ou não!? Ainda pode ter chegado a tempo!), sabe que os recursos não são para esgotar. O tempo é de ser bom administrador selectivo de uma herança comum, para que as gerações vindouras ainda tenham saída para a sua existência!

Até no futebol, quem diria!?

terça-feira, 14 de outubro de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.10.15

“Quero ver o meu filho crescer…”


Este apontamento surgiu com o imperativo de ser diferente, desportivamente diferente!

Algumas vezes consegue ser, outras é como tantos outros: igual a outros semelhantes!

Este jogo de palavras não é por acaso. “Apenas” porque é preciso abordar à altura o que se propõe. No caso, pela dimensão e testemunho, apenas um pequeno tributo à obra de Rosário Sarabando!?

E se assim é, o primeiro contexto deste apontamento a inspiração desportiva, nunca será demais evocar quantos, como o refere S.Paulo, correm muito para além da coroa de louros, do troféu perecível: "Os atletas abstêm-se de tudo; eles, para ganharem uma coroa perecível; nós, para ganharmos uma coroa imperecível" (1 Cor 9, 25).

A analogia tem enquadramento!

Antes de tudo esta é uma oportunidade (no caso, também uma honra) de apresentar o pensamento, a interpretação da vida num espaço público, aos leitores do “Correio do Vouga”. Depois, trata-se, com o devido respeito, de um grande compromisso de equipa, desde logo na família, nos amigos!

Chegados à Biblioteca Municipal de Ílhavo para o lançamento de um livro, “Quero ver o meu filho crescer…”, patrocinado pela Confraria Camoniana, fomos tomados pelo magnífico trabalho de equipa em que a autora é claramente quem assume guindar a todos ao lugar mais alto do pódio!

O resto, pouco há dizer, para além do que cada um tem obrigação de ler, reconhecer e assumir como essencial. A vida é o prémio maior!

A autora aborda-o magistralmente, como poucos! Só a presença, basta! Tudo o resto, denso, interpelante, é uma viagem! A viagem do como é possível!?

Resumido em subtítulo: através da afirmação da liberdade interior.

Ah! É obrigatório saber algo sobre E.L.A. Sim, sobre a Esclerose Lateral Amiotrófica.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.10.08

A ditadura

É frágil o equilíbrio que se pode atingir dentro de um grupo, por mais ou menos extenso que seja.
Por isso, amiúde, recorre-se a estratégias de coordenação, de orientação, de governo que nem sempre têm o apoio, a escolha, popular. E esta é uma das concepções de ditadura. Mas também pode ser despotismo, totalitarismo, autocracia.
Um governo é democrático quando é exercido com o consentimento dos governados, e ditatorial, quando se verifica o contrário. Mas quando e onde é expressa a opinião dos governados? Sempre à priori. A partir da eleição o governante fica por conta das leis e da sua capacidade de decisão! Ora é frequente ver os governados sem conhecimento das matérias de decisão ou das leis que as regulam, apenas emite uma opinião desconexa, sem lei (em consequência) que vai gerar mais desgoverno e, assim, avoluma as potencialidades do governante passarem a ser ditador?!
O regime totalitário exerce influência sobre amplos aspectos da vida dos governados. O liberal, funciona no contrário.
Com isto, pode-se constatar que regimes totalitários exibem características ditatoriais, e regimes ditatoriais, características totalitárias.
Quando os governados, por força das pressões de opinião (nem sempre fundamentada ou em respeito pelas leis!) e do crescente “culto” ao individual, apenas querem usufruir dos seus direitos (sem deveres), do que se trata?
Quando um governo, sem consultar os cidadãos, retira dinheiro do bolso dos mesmos e o “injecta” (a expressão até dá azo a interpretações duvidosas!) em contas dos que mais têm, sem qualquer consulta prévia, que regime é este? Será a outra face da lenda, não de Robin dos Bosques, mas de João Sem Terra?
E quando um Vereador manda retirar um cartaz (mesmo de gosto duvidoso, como tantos) pela força de um poder que não é manifestamente reconhecido negando o seu próprio discurso, de pugnador das igualdades?! Democracia?
Quando uma entidade patronal (por exemplo, um clube de futebol) não autoriza o uso do direito de expressão (dos seus empregados)?! Liberalismo?
Sempre que temos de viver juntos, e temos sempre, isto é uma caldeirada de regimes mais ou menos regulados (pelo direito, pela opinião, pela ignorância, pela pressão, pela verdade, pela omissão, pela interpretação, pelo laxismo). Na verdade, enquanto não houve aniquilação… vamos sobrevivendo mais ou menos bem com vontade de ter poder, para o exercer em ordem ao bem comum, para o exercer em ordem às ideias/doutrinas em que cada um moldou o seu carácter, para o exercício do poder pelo poder (e este, se bem exercido, nem é mal)!

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.10.01

Já não há capim


O provérbio africano está actualizadíssimo, quando os elefantes lutam, quem sofre é o capim – a erva pequena que estes trucidam no afã da refega!

É disso que se trata. Pior, os elefantes estão a sucumbir! E com uma volumetria daquelas não há quem consiga, só por si, continuar a caminhada.

O momento é sério. O mundo atravessa uma preocupante odisseia de contornos económico-financeiros. Será o fim do capitalismo (também) democrático como muitos de nós o estudámos, sobretudo baseado na teoria de Michael Novak?

O teólogo norte-americano, defende que o capitalismo em democracia, sujeito a valores morais, é a garantia de sucesso social, a única forma de se acabar com a pobreza no Mundo. Ou seja, um capitalismo (democrático) assente em três elementos: uma economia de livre concorrência, um regime democrático respeitador dos direitos dos indivíduos, um conjunto de instituições culturais pluralistas animadas pelos ideais de liberdade e justiça para todos.

Parece que ruiu a teoria, o edifício, o capitalismo liberal, a economia de mercado liberalizado!

Inacreditavelmente estamos no limbo. A política sabe que tudo está perdido mas qualquer afirmação pode fazer cair mais um elefante. Os elefantes já não têm onde cair desfalecidos. O capim está destruído!

E é importante acreditar que já não há… nem capim! Assim, evitar-se-ão dissabores maiores. Apesar de tudo, esta crise parece propositada. É um pouco maquiavélico mas… enfim… com a necessidade de reconverter velhos hábitos energéticos, com a opinião pública mundial a aderir à salvação do planeta,… fica no ar a sensação que poderá haver aqui uma fuga em frente. O mesmo será dizer, o elefante (chefe da manada) quer provocar uma hecatombe para que haja uma injecção de capitais públicos (dos vários estados, bancos centrais – também dependentes do dinheiro para evitar a desagregação social!) e gerar mais movimento, mais alienação, mais lucros para os que têm mais. Apenas desconfianças de um leigo na matéria!

Mas no meio de tudo isto, um pouco de bonomia na aproximação ao espírito deste apontamento, o desporto!

Há crise? Qual crise? Ainda há as acções do Benfica! Do Benfica e de todas as outras SAD!

Aliás, basta ver os resultados europeus e fica-se logo a saber, mantendo a presença da sabedoria africana anotada à entrada,… onde estão os elefantes!

Por aqui, entre nós, não será certamente! Só vemos capim, e seco!

Entretanto, naquele gesto de solidariedade satírica, sempre se pode acrescentar “coitados dos americanos, o que lhes foi acontecer! E logo a eles, tão ricos!”

Mas é mesmo verdade! Porque o pouco que temos, não paga a preocupação.