Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 12 de agosto de 2008

in "Correio do Vouga" - Edição Especial dedicada a D. Manuel d'Almeida Trindade_2008.08.12

D. MANUEL D'ALMEIDA TRINDADE ( 20.04.1918 - 05.08.2008)



“Amadurecido em pouco tempo, atingiu a plenitude de uma vida longa” (Sab 4, 13)


Em “Ano Paulino”, do jubileu do nascimento do apóstolo das gentes, poder-se-á ver no Senhor D. Manuel d’Almeida Trindade, no seu regresso à casa do Pai, cumpridas as palavras de Paulo a Timóteo “chegou o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé...” (II Timóteo 4,6-7).

Porém, mesmo assumindo como plenamente constatável a carta de Paulo, tomo com inspiração as próprias palavras do Senhor D. Manuel, “quando se lêem os escritos do Novo Testamento, tem-se a impressão de que Jesus Cristo considerava a obra por ele realizada como obra não acabada” (Coimbra, 1987).

Esta obra, a da salvação, ficou, no legado do Senhor D. Manuel, um pouco mais acabada!

E este legado, pelo meu olhar, reflecte-se no livro da Sabedoria. É o traço que perdurará na minha memória e no meu coração, um bispo para a eternidade (uma expressão tão querida ao senhor D. Manuel, no apreço que dedicou a Tomás More)!

E partindo da referência hermenêutica que aceita o livro da Sabedoria dividido em duas secções, facilmente se verifica também algum paralelismo, um paralelismo de continuidade.

Um jovem, um sacerdote, um vice-reitor, (em quarenta e cinco anos!), um bispo, amadurecido em tão pouco tempo), vive o serviço maior da Igreja durante outros quarenta e cinco, e atingiu a plenitude de uma vida longa. O Senhor D. Manuel, quer em Coimbra quer em Aveiro, doou-se a cada uma das dioceses na mesma harmonia que o atribuído autor do livro da Sabedoria ficou para a história, por igual, de forma ímpar e absoluta!

Estive próximo como todos – foi um pastor elegante, elevado, próximo de todos, dos seus queridos seminaristas -, e tive a graça de também receber um pouco mais. Em Maio de 1990, recebi o convite para ir passar o Natal desse ano, em que o Senhor D. Manuel completava o seu jubileu sacerdotal, a Lourdes. No dia 18 Dezembro – porque tudo, como tão carinhosamente me foi proposto, tenho registado em Diário – saímos de Coimbra! Foi uma peregrinação-Retiro. Eu e o Senhor D. Manuel!? – Sinto este duplo sentimento, de exclamação e interrogação, como únicos! E há muitas razões para isso, todos o sabemos. Percebi-o lá, no “Auxilium”, com a história de uma assinatura (do Pe Manuel, sacerdote!, tio do Senhor Bispo) repleta de simbologia!

Ler em todos os sinais a presença de Deus, “pensai no Senhor com rectidão, procurai-O com simplicidade de coração” (Sab 1,1), uma interpretação para a grandeza de alma que nos foi dado viver na pessoa do Senhor D. Manuel.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.08.06.

E agora… férias!


Como terá surgido esta questão das férias? Serão sinónimo de descanso, como normalmente se faz crer?

Parece que este período do ano (de tão esperado, de tão gozado e de tão rapidamente passado?!) tem um valor acrescentado, isto é, maximizado para além das reais potencialidades, quem sabe?

Ao sabor da pena, da caneta, isto é, da esferográfica, o mesmo será dizer… do teclado, alinham-se algumas ideias com tanta pertinência como as dos reais períodos de descanso de quem anda, ou gostaria de andar, por aí, mesmo enclausurado nas responsabilidades de um qualquer gabinete.

Algumas notas deste andamento…

A necessidade de férias acompanha o emergir da revolução industrial, da luta de classes, da necessidade de criar o direito às férias, ao descanso. Muito provavelmente porque nesse estádio não haverá trabalho nem trabalhador já que o trabalho assalariado é tido como semelhante a uma escravidão, onde o trabalhador é impelido à escravidão pela pobreza, pela necessidade de aceder à sobrevivência. Essa a escravidão do salário, segundo os ideólogos da luta de classes, só será abolida com o fim da propriedade privada sobre os meios de produção. Após isto, todos poderão ter acesso aos recursos necessários para ganhar o próprio sustento, sem a necessidade de se submeter à exploração de terceiros.

As férias darão a igualdade, porventura. Serão um mal menor; um período de tempo para usufruir do ganho sem trabalho, da distribuição da riqueza produzida. Talvez! E neste contexto, importa não esquecer que o 13º mês surge em Portugal… com o 25 de Abril!

A busca por novas áreas para colonizar e descarregar os produtos maciçamente produzidos pela Revolução Industrial conduziu a uma acirrada disputa entre as potências industrializadas, causando diversos conflitos que culminaram, mais tarde, na eclosão das duas Grandes Guerras.

Para aproximar os povos, o conhecimento das suas culturas, a aceitação das diversidades,… a Sociedade das Nações estimula as deslocações, o conhecimento dos vizinhos,…o gozo das férias, no que poderíamos chamar, “vá para fora mesmo”!

E como a economia manda… vá para fora e gaste! Relaxe, usufrua, gaste,… não seja escravo do trabalho,… descanse!

Descanse!? Uns dias no ano?!

Descanso, descanso não será o repartido? Do género de, em vez de 22 dias seguidos (mais ou menos, conforme os casos), não seria preferível três ou quatro no mês?! Fins-de-semana de três dias?! Parece lógico e fundamentado para efectivo descanso! Alguns dias de trabalho interpolados com alguns de descanso. Seria mais rentável para a recuperação física e mental, não?

Ah! Pois, não poderia ser! Esquecemos a (in)capacidade de produção numa circunstância destas.

A economia lá sabe!

Descanse, gaste, vá para fora, circule, mexa-se,… já que não pode ser ao gosto de cada um, aceite-se a luta de classes… ou não!