Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

segunda-feira, 23 de março de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.03.25

O erro


Errar é humano – “Errare humanum est”, para ser mais erudito!?

Porém, o erro é relativo, logo se vê. Aliás, é sempre relativo para a parte favorecida e absoluto para a parte penalizada.

Porém, na nossa cultura, errar não parece ser algo humano; é algo de transcendente, de muito mais do que o ser humano pode alcançar, dado que se contempla mas não se altera, justifica-se a ele próprio e à sai existência.

Entre todos, parece que também nós, portugueses, somos um caso à parte. São tantos os erros das nossas história e cultura que o erro de agora é incomensuravelmente inferior ao do passado, recente ou longínquo. Ou seja, do erro ninguém foge, ninguém se liberta, ninguém é responsável.

A ratificar e/ou rectificar todos os equívocos e todos os erros da nossa existência é bem provável que, como poucos povos, voltaríamos, num mecanismo de regressão acelerado, aos primórdios da nacionalidade!

E, hoje, seríamos o quê?

Reino da Lusitânia?! Principado de Cale?! “Offshore” do Ocidente Ibérico?! Califado Olissiponense?! Tudo porque o erro e alguns grandes erros, em particular, nunca foram reparados! Apenas se encontram, para eles, plausíveis justificações!

É oportuno recorrer, a título de exemplo, a um breve excerto de Johann Goethe, tão importante como todos os outros: “é muito mais fácil reconhecer o erro do que encontrar a verdade; aquele está na superfície e por isso é fácil erradicá-lo; esta repousa no fundo, e não é qualquer um que a pode investigar” :

Pela introdução, logo se deduz que estamos a abordar o erro dos erros, aquele que mexe com a parte menos racional do ser humano, a parte sensorial e emotiva. O futebol! Porque o futebol é disso o maior exemplo.

Nestes tempos recentes parece óbvio que, numa organização decente, a final da Taça da Liga tinha de ser repetida. Só que, a partir do momento que isso acontecesse –seguindo a mesma regressão histórica - nunca mais acabaria nenhum torneio, nenhum campeonato, nenhuma final em Portugal! Por todo lado grassaria o argueiro no olho do parceiro!

Da confusão, transparece que, em matéria de correcção, confundimos o que temos de melhor (capacidade para reconhecer o erro) com o que deveria ser corrigido (é bem feito nós também já fomos vilipendiados), porque até o diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém (William Shakespeare)!

terça-feira, 17 de março de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.03.18

O preço de custo


Procuramos, por uma questão de zelo e sanidade económica, saber o preço das coisas, o preço de custo. E o que é que uma coisa vale realmente?

Numa primeira análise, o preço é sempre uma convenção, determinados bens, produtos, serviços, valem o que se decidiu, num leque alargado de interesses, quanto vale! Não será?

O mínimo dominador comum de tudo o que vale alguma coisa, estará no que é suficiente para as mulheres e homens de cada lugar e de cada tempo terem o que precisam para viver com dignidade e serem felizes. Ou seja, tecto, alimento e vestuário! Não será?

Depois deste período (pré-histórico, diríamos) chegou a locomoção, os adornos, as armas, o ferro, o conhecimento, … e foi só aperfeiçoar até ao supérfluo.

Lamentavelmente, hoje o que vale menos, em termos de preço de custo, é aquilo a que se acedeu, sendo essencial, em último na hierarquia das coisas essenciais, o conhecimento.

O conhecimento que vale mais é o que se consegue proteger, não deixar generalizar, o que tem uma linguagem codificada! Altos quadros de pouca coisa, algumas profissões liberais, líderes do dinheiro,… pouco mais! Ou seja, o conhecimento especulativo.

No conhecimento-saber não há investimento. As escolas? O rudimentar, serve. A investigação? Fica ao critério de cada um, à iniciativa privada.

E à questão sobre quem deveria assegurar isto tudo, por mais utópico que seja, contrapõe-se a eterna dúvida: para que servem os impostos?!

Se as pessoas pagam para tudo e para nada, viver neste planeta paga-se, quem beneficia com isso? A desproporção entre o que se paga e o que se usufrui é tão grande que o mais importante é a tabela de preços: qual o preço de custo dos bens essenciais?

A habitação, paga pelo proprietário, paga impostos por existir. Porquê? A rua, que é pública (diz-se), paga-se para circular com os meios de locomoção e para os estacionar. Porquê? Os alimentos pagam-se e paga-se sobre o pagamento com impostos por existirem, serem transportados, transaccionados e consumidos. Porquê?

É obrigatório pagar! Por isso, paga-se por pagar, caso contrário, paga-se por não pagar?!

Com tanta crise e eleições à porta, era óptimo mudar isto!

segunda-feira, 9 de março de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.03.11

De pé


É conhecida a expressão, moldada na cultura e carácter do seu autor, Bispo de Portalegre e do Porto, D. António Ferreira Gomes, colocada nas paredes do então Seminário de Vilar (Porto): “De joelhos diante de Deus, de pé diante dos homens”.

Uma configuração muito importante para os dias de hoje, para a eternidade – acrescente-se! Trata-se de verticalidade!

Com esta moldura, neste quadro, que se compreende, até à admiração, a antiguidade e actualidade do estudo que uma equipa internacional (coordenada por David Braun, arqueólogo da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul) publicado recentemente na revista Science mostra pegadas atribuídas ao Homo Erectus, no qual reflectem o estilo, o peso e a altura dos homens modernos. Estas pegadas, descobertas no Quénia, mostram que os antepassados do Homo Sapiens, que viveram há 1,5 milhões de anos, tinham pés e uma maneira de andar idêntica à dos humanos actuais: “eles eram provavelmente tão capazes de andar direitos como nós”.

Estas duas incursões, que marcam a história, num contexto de permanente denúncia de fraudes à escala global mas que, essencialmente, tem reflexo na vida de cada um, localmente, pós-anunciam uma profunda revolução, uma nova era, a do carácter.

Para o exigente professor de filosofia, que também foi D. António Ferreira Gomes, O homem existe, cumpre-se e pensa-se na história. E a história não existe, faz-se. É o homem que a faz e escreve; mas também é ela, feita e escrita, que faz o homem”

Em suma, é urgente recuperar a postura ganha há milhares de anos e perdida, pelos vistos, em tão pouco tempo.

De pé, para salvar a dignidade da humanidade!

E este gesto ancestral, tão simples, tão oportuno, tão urgentemente necessário, até se reflectirá, terá efeitos na compostura?!

terça-feira, 3 de março de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.03.04

Exmº Senhor

Sim, sim. Não, não


Hoje há um redobrar de responsabilidade (que é exigida) dos pais/encarregados de educação e dos professores para preparar o nosso futuro, os filhos, os alunos, as gerações mais novas. Porque, claramente, o futuro dos jovens é o nosso futuro também! É uma responsabilidade comum.

Tal como acontece, com toda a certeza, na família, a educação dos filhos não decorrerá da melhor maneira se o pai e a mãe entrarem em contradição sobre o que dar ou evitar. Se a mãe diz que não e o pai diz que sim, o filho vê-se impelido a optar pelo que lhe é mais apelativo, isto é, governa-se! E este tem sido um dos nossos principais problemas nos últimos anos: entregámos aos jovens (sob o pretexto, por exemplo, de “ele é que sabe o que quer fazer”) a decisão sobre matérias que ainda não estavam preparados para assumir. E, pior que isso, demitimo-nos da principal função, sermos pais, mães, educadores!

Ora, é importante reforçar este princípio fundamental, que é elementar na nossa cultura: “ninguém nasce ensinado”. Saber dizer “não”, quando deve ser não, e saber dizer “sim”, quando deve ser sim. É um importante quadro de valores!

A escola, os professores, fazem um discernimento permanente para dar o melhor aos seus filhos, às alunas e alunos. Uma educação (que deve ser integral): conhecimentos específicos e técnicos, saúde, bem-estar, relação com os outros, participação cívica. Aos Pais é pedido que, quando tiverem dúvidas sobre esse percurso (fortemente tutelado por muitos “Livro de reclamações”!), por esta ou aquela atitude, antes de tomarem partido (podendo obviamente ter razão) é pedido também o mesmo discernimento, consentâneo com a dignidade de ser professor, educador do seu próprio filho.

Não seja a escola a dizer “sim” e os Pais a dizerem “não”, e vice-versa, gerando nos filhos/alunos grande confusão.

Por outro lado, é muito importante valorizar a importância que muitos pais já vão assumindo, reinventando os seus quadros de responsabilidades, do ser mãe e pai! Como é difícil, mas de honrosa esperança, educar um filho, assumir os sacrifícios que se fazem?! Porém, redobra também a alegria de olhar para o futuro e ver que vale a pena.