Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Condenados à pobreza?

É difícil percecionar a resposta que cada um de nós, cada português, dará quando olha para o horizonte e para o imediato das suas responsabilidades. Porém, pelos frutos se conhecerá a árvore – dir-se-á. No caso, recorrendo às virtudes do aforismo, há pouco fruto mas a árvore, a floresta que é o todo nacional, não é má. Portanto, não podemos assumir uma conclusão linear.
Vejamos. É lugar-comum que os portugueses são, por esse mundo fora, um povo dedicado, trabalhador. Às vezes cai-se, até, no campo da classificação, simpática mas pouco abonatória, de um “humilde” e trabalhador. Claro que a pouca simpatia pela classificação está no que se entende por isso (humilde) e no que se quer com isso (resignado, sem capacidade para ousar e ir mais longe, etc.). Por outro lado, os portugueses que se espalham pelo mundo têm globalmente um antagonismo crónico – como terão os emigrantes do mundo inteiro: são estrangeiros noutras paragens (cidadãos que estão vulneráveis porque precisam) e têm de aceitar o que existe partindo do princípio que é melhor do que Portugal lhes poderia oferecer.
Nos últimos anos, a situação alterou-se significativamente, como e sabido. Portugueses, genericamente mais preparados academicamente do que nunca, saem de Portugal. São ótimos profissionais e cidadãos com grande capacidade de trabalho e integração social.
Então, o que há em comum, transversal a todas as gerações?
Primeiro, para vingar na vida, têm de sair.
Segundo, todos demonstram que Portugal não responde aos seus anseios.
Com isto, o país fica cada vez pobre – perde recursos humanos fundamentais, desertifica-se. Não havendo pessoas estamos, logo à partida, mais pobres. Depois, com isso, tudo o resto é consequência.
Como inverter a situação?
Reorganizar a educação em Portugal. O sistema educativo, o currículo, os cursos e a forma como preparamos os jovens para a vida não estão a capacitar para o empreendedorismo, para combater a ideia e a prática de que o país não dá, não faz nada pelos seus filhos. A Educação em Portugal tem de ser orientada para as ciências humanas e sociais, para a capacitação de competências para que cada cidadão seja mais autónomo, ter capacidade para fazer cá dentro o que é capaz de empreender lá fora.
Novas parceiras no ensino superior que passarão seguramente por quadros de proximidade e estratégias para o desenvolvimento dos melhores recursos do país, em todos os setores, incluindo o primário, claro!
Já não conseguiremos – porventura?! - mudar para melhor os que estão no ativo?! Prepare-se um plano estratégico que mude as mentalidades, a cultura do despesismo, a dependência da máquina do Estado, daquilo que os outros podem fazer por nós em favor do que podemos fazer por nós próprios e, em consequência, recorrendo a JF Kennedy, o que faremos pelo país. Preparar um Estado forte com cidadãos empreendedores, autónomos, pragmaticamente visionários e profissionalmente como somos, globalmente, cada um de nós. Mas é preciso agir mais e reagir menos.
A pobreza combate-se com mais pessoas a eliminá-la!
Portugal é suficientemente grande para tão pouco.
NOTA POSTERIOR, d’ O Observador
Numa escala de um a 10, o estudo avalia individualmente os 41 países da OCDE com base em três pilares: o desempenho das políticas – económicas, sociais e ambientais -, a qualidade do sistema democrático e a capacidade do Governo para executar reformas. Segundo Daniel Schraad-Tischler, a educação foi o setor mais prejudicado em Portugal ao longo dos últimos três anos.
“Os orçamentos das escolas e das universidades caíram, as propinas aumentaram, perderam-se professores e, desta forma, a qualidade da educação piora de ano para ano”, sustenta o investigador, sublinhando que “cortar na educação, que é uma área em que se deve investir por ser voltada para o futuro, é um erro”.
De facto, Portugal foi avaliado apenas com 4,1 no desempenho do setor da Educação, a nota mais baixa de toda a União Europeia – só a Grécia teve a mesma cotação. Os restantes países do sul tiveram todos uma nota superior.













quarta-feira, 4 de junho de 2014

O trono e a tribuna

 

O trono (de Espanha) e a tribuna (em Portugal) reclamam mudança!

O “terramoto” – epíteto de vários comentadores e protagonistas políticas atribuído aos resultados inesperados das recentes eleições para o Parlamento Europeu – o “terramoto”, direta ou indiretamente, continua a provocar ondas de choque.

O caso de Espanha, a abdicação do Rei Juan Carlos, é uma alusão indireta. Porém, já provocou o ressurgir da divisão entre os espanhóis quanto à continuidade da Monarquia ou referendar a implementação da República.

A incidência direta, das ondas de choque, repercute-se nos vários países europeus. A França foi o berço da expressão, logo na noite eleitoral: “é mais do que um aviso, é um choque, um terramoto”, disse o primeiro-ministro francês Manuel Valls.

Do outro lado do Canal da Mancha outros fantasmas. O terramoto UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) nas eleições europeias mudou o tabuleiro político britânico. O partido eurocético thatcherista e anti-imigração, liderado por Nigel Farage ficou em primeiro lugar com 27,50% dos votos, deslocando a oposição trabalhista para um segundo lugar e os conservadores do primeiro-ministro David Cameron para o terceiro posto.

Pela primeira vez na história política moderna um partido, que não seja o conservador ou o trabalhista, ganha uma eleição nacional.

A extrema-direita vê reforçada a presença no Parlamento Europeu com a vitória dos partidos de extrema-direita em França e na Dinamarca e a eleição de um deputado neonazi na Alemanha e dois na Grécia. Sempre lá estiveram, mas agora ganharam força. As vitórias da Frente Nacional, do Partido Popular Dinamarquês e do UKIP, o terceiro lugar da Aurora Dourada e o segundo lugar do Jobbik vêm dar um novo cunho ao Parlamento Europeu que vê aumentar em muito o número de representantes da extrema-direita no hemiciclo (46, segundo as contas do Observador – um aumento de 20% em relação a 2009). Na Alemanha, os eurocéticos ganharam sete lugares, enquanto o Syriza na Grécia consegue eleger sete eurodeputados. O Observador previu os resultados e agora dá conta dos votos – comenta o Observador, jornal diário online, independente e livre.

Em Portugal, bem, em Portugal o caso é “sui generis” – como sempre! Fazemos as coisas de outra maneira. Os perdedores das eleições viram o caso como um mal menor, dada a tangencial nos resultados. Os ganhadores, em valores absolutos, como já aludimos no último número do Correio do Vouga, … mais uma vitória destas e a coisa estremecia, recordando as pelejas Pirro. Não foi preciso chegar a tanto, isto é, a mais uma vitória. Esta foi mesmo a última.

Mas o que pode um líder fazer quando acaba de ganhar? Normalmente, aconselha-se a moderação na vitória!

Por outras palavras, chamando à liça o “Crepúsculo dos ídolos”, de Nietzsche, não reagir às emoções. Porque uma reação forte conduz a desperdício de forças que mais transparece fraqueza.

E o individuo não gosta de um líder, mesmo que não o seja, que aparente fraqueza. Aliás, mesmo o fundador de uma religião, continua Nietzsche, está muito longe de dever necessariamente possuir uma imensa força – o seu papel é simplesmente o de um estímulo casual que dispara forças acumuladas, as quais, no entanto, cedo ou tarde haverão de explodir a atrair adesão. Quem o considera grande ou lhe atribui imensas forças confunde a faísca com o explosivo. Até podem terem sido ‘pessoas insignificantes’; mas a força estava acumulada e pronta para a explosão! Nessas condições, um estímulo casual que pode ser em si mesmo insignificante também conduz necessariamente a “grandes disparos de energia”.