Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Língua e linguagens. Alemão

Na semana em que se celebra o Dia Europeu das Línguas, que foi criado durante o Ano Internacional das Línguas, em 2001, olhamos para o que dá sentido e para o que o pode distorcer!

Todos os anos, o dia 26 de Setembro passou a ser uma forma de juntar as pessoas, através da Europa inteira, na celebração da diversidade linguística, riqueza inestimável da Humanidade.

Concordando com esta diferenciação, as línguas, como expressão da unidade dos povos na diversidade das suas culturas uma língua é uma “pátria”, referia-o Pessoa/Bernardo Soares “não tenho sentimento nenhum político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como o escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse” (Livro do Desassossego, texto 259)

Este legado identitário que serviu para exacerbar a Europa, que conduziu a duas guerras mundiais, tem uma identidade de traços comum, o Alemão. É preocupante.

E a propósito do Dia Europeu das Línguas, recordamos os alicerces da construção europeia quando, no dia 9 de Maio de 1950, Robert Schuman apresentou uma proposta de criação de uma Europa organizada, requisito indispensável para a manutenção de relações pacíficas. Esta proposta, conhecida como "Declaração Schuman", é considerada o começo da criação do que é hoje a União Europeia.

A “Declaração de Schuman” interpelava a que a paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criadores à medida dos perigos que a ameaçam.

A contribuição que uma Europa organizada e viva pode dar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas. A França, ao assumir -se desde há mais de 20 anos como defensora de uma Europa unida, teve sempre por objectivo essencial servir a paz. A Europa não foi construída, tivemos a guerra.

A Europa não se fará de um golpe, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem em primeiro lugar uma solidariedade de facto. A união das nações europeias exige que seja eliminada a secular oposição entre a França e a Alemanha.
Com esse objectivo, o Governo francês propõe actuar imediatamente num plano limitado mas decisivo.

Schuman, natural do Luxemburgo, estudou na Alemanha, viveu em Metz, vindo a ser, em 1950, Ministro dos Negócios Estrangeiros da França.

Nesta mesma língua levantam-se ventos preocupantes, proclamando o agravamento de sanções, ações no Tribunal Europeu de Justiça e perda de soberania como algumas das medidas preconizadas por Angela Merkel contra os países da Zona Euro que não cumpram as metas de convergência. Quanto à permanência da Grécia no Euro, a chanceler alemã coloca para já a questão nas mãos da troika, a quem cabe vigiar o comportamento de Atenas no programa de ajustamento económico.

Apertada por todos os lados, na pressão provocada pela falta de votos, a Senhora Chanceler pode conduzir isto para um caminho sem retrocesso. Ou então, será demagogia na sua própria língua.

Alguém traduza para Alemão a “Declaração de Shuman”, por favor.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Este Jardim…?!

 

Visto do exterior, saxões, latinos, gregos, germânicos, turcos, eslavos, ficam confusos com o que se passa na edílica ocidental praia lusitana; a praia continental e as das ilhas adjacentes.

É muito provável que haja dúvidas de proporção.

Porque é que tão poucos e com índices de desenvolvimento tão baixos gastam tanto!?

E como se não bastassem as dúvidas quanto ao todo, o que pensarão sobre os “buracos” encontrados na Madeira?!

Aquele Jardim já não é o que era.

Mas a toponímia e antroponímia não deixa de suscitar algumas interpelações que podem ajudar à compreensão retrospectiva do que por aqui vai.

O território insular, socorrendo-nos de uma terminologia anglo-saxónica, denomina-se “Wood”; a ilha de “Wood” é administrada por um “Governador Local” de apelido “Garden”; o Chefe do Estado é o Senhor Silva, isto é, “Splinter” Silva; e depois de Sócrates, um apelido de renome, Portugal tem como Primeiro Ministro o Senhor “Rabit”.

Isto não parece abonar nada de bom para a Troika – outra coisa fantástica, de aparência épica, para completar uma paleta de mil cores?! Aliás, a Troika é que deve estar preocupada com tudo isto. Colocaram cá o dinheiro e não sabem que buraco é que taparam com esse “money” todo! Há por cá cada “hole” que, se estavam à espera daqueles do tamanho do do golfe,…bem os enganámos?!

É claro que isto foi um engano; andamos todos enganados.

Alguém acredita que as instituições que têm por missão conhecer, avaliar, regularizar, não sabiam o que se passa na Madeira, na TAP, na Refer, na RTP, na Estradas de Portugal,… como é que possível?!

Temos de dar a volta a isto.

(PL, in CV, 2011.09.21)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Regresso das aulas

 

Chegaram os dias da penitência, qual cântico de imposição de cinzas, e ecoa um pouco por todo o lado; quase por todo o lado (famílias, facebook e outras redes, nas praias, a televisão, nas ruas,…). Afastam-se desta pesarosa melodia quase todos os que vivem um pouco da indústria Educação. Há outras formas de a ver, nos transportes, livrarias, papelarias, lojas de desporto, pastelarias, lojas de roupa, luz, gás, telefone,… são quase mil micro-empresas a trabalhar para que o país tenha um futuro melhor, promissor. Ainda bem!

Por aqui, no regresso às aulas, também encontramos bálsamo para as famílias que vivem preocupadas com a ocupação dos seus filhos.

Revisita a igualdade de oportunidades numa área tão nobre do serviço público, talvez das poucas em que todos sabem a solução e conhecem os direitos mas não descortinam, não vislumbram com facilidade os valores do dever, da equidade. A Escola já não mete medo a ninguém, ainda bem, sublinhe-se, mas poderia ser mais querida por todos. É curiosa a atitude dos “utentes”, hoje muitas vezes designados “clientes”, na lógica de oferta e procura, quando se dirigem a um hospital, finanças,… e quando procuram a escola!? Vale a pena estudar as reacções sociológicas!

Por fim, os protagonistas directos, os professores, os alunos, os assistentes técnicos e operacionais. Quase todos, porque é de trabalho que se trata, irmanam-se na penitência do “tem que ser”. Uns porque é um bem precioso, nos dias que correm, ter trabalho; outros, os alunos, porque é difícil entender no imediato a utilidade do longo prazo!

Porém, independentemente das expectativas, estão todos de regresso; começa novo ano. Deseja-se que, de novo, não tenha apenas o acordo ortográfico!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Mercenário e desertor

 

O vocabulário bélico, com um sabor a Legião Estrangeira, apoderou-se do “fair play “ da selecção nacional de futebol.´

Como é do conhecimento público, o internacional português Ricardo Carvalho abandonou, sem explicação devida, a quem de direito, os treinos da selecção nacional. Posteriormente, Paulo Bento, o seleccionador, classificou a atitude como deserção.

Como não há duas sem três, Ricardo Carvalho ripostou aventando a hipótese do treinador, por este exercer o trabalho remunerado, poder ser classificado de mercenário.

O assunto morreu rapidamente; foi abafado por coisas sérias tais como a situação económica das famílias, agora que um ano escolar tem início.

Não queríamos deixar passar este episódio sem dar algum merecido ênfase à terminologia linguística em causa.

Sobre “desertor”. Parece claro que de desertor e de louco, todos teremos (hipoteticamente!) um pouco.

Ora, desertor é aquele que deserta. Isto é, provoca o deserto, o vazio, ou retira-se para um lugar deserto! – o próprio Jesus Cristo, ao ir para o deserto, acaba por ser um desertor!

Se Ricardo Carvalho deixou Óbidos para seguir para Madrid, tem toda a razão. Aquilo nos últimos tempos tem sido um pouco deserto! Se quis deixar o lugar para outro, facilitou o trabalho a Paulo Bento que já estava a preparar –lhe a travessia do deserto, isto é, viagem para o banco de suplentes.

O lado Mercenário do assunto. Em sentido estrito, é aquele que serve por dinheiro, um assalariado. Portanto, de Mercenário e louco todos teremos um pouco!

E, perante o estado a que isto chegou, poder ser mercenário é quase um acto heróico.

Ressalta à evidência que, em ambas as circunstâncias, o que faz uma ou outra situação ter uma leitura pejorativa é a falta de carácter, quer ao abandonar uma responsabilidade quer quando se recebe um soldo por algo ilícito ou demérito.

Não será menos importante considerar que a crise, que agora é económica e financeira, há muito que se instalou com anarquização e laxismo dos princípios e valores da vida pessoal e da vida em comum. – Na nossa opinião, este episódio, como outros, são relevantes disso mesmo.

(in Correio do Vouga, 2011.09.07)