Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.11.25

Portugal e os portugueses


O título é de D. Manuel Clemente, Bispo do Porto. Vem o tema a propósito da nossa maneira de estar no tempo, em todo o tempo, portanto, agora também.

“É bem possível – citando o Bispo do Porto – que o singular percurso histórico que nos moldou, com tantos momentos inesperados, nos tenha tornado pouco propensos a uma consideração linear do devir pátrio ou mesmo pessoal. Igualmente nos decepcionamos facilmente quando constatamos que os outros ficam aquém dos modelos com que os prevíamos. Em Portugal – sem que tenhamos disso o monopólio – é fácil ser-se tudo hoje e quase nada amanhã. Mas também é fácil que tudo acabe por se relativizar, pela mesma indefinição dos contornos e esvaimento do concreto.”

A citação vai longa para o espaço disponível, porém, acompanhar D. Manuel Clemente, como outros percursos do pensamento nacional (Eduardo Lourenço, Agostinho da Silva, José Gil,…), é imperativo para entender o nosso tempo e os seus actores, os seus protagonistas.

Assim, subsidiários do pensamento erudito, até é mais fácil perceber o factual. Aquelas realidades que, aparentemente, são transcendentais (no sentido corrente para algo que é complexo) por tão elementares que o são.

E depois das duas semanas com “os professores”, porque não uma passagem pela selecção nacional de futebol?!

As causas são correlativas. Nada inflacionadas pelas circunstâncias. Estamos perante manifestações do ser e viver Portugal.

A razão dos professores pela incapacidade de se entender, a nível superior, que somos um povo de itinerários, de percursos. Tudo o que tem de ser feito com os portugueses é importante que se estruture numa perspectiva longitudinal: o início, a empatia, o percurso, a envolvência,… às vezes até pouco interessa o fim, os objectivos, as metas, os resultados!

Aqui entra também o ser jogador português de eleição e selecção, porque estamos na encruzilhada patenteada, exposta. Defende-se que, neste momento, para haver rendimento, é preciso parar tudo; começar tudo do princípio. Fazer um itinerário que faça repor os índices de crença, de “acreditar”, como podem ser inspiradores os fundamentados de “Portugal e os portugueses”.

Somos um povo errante pelo mundo e de itinerários em nossa casa.

Será sempre assim?! Não, com certeza que não. Mas, para mudar, é preciso… um longo caminho!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.11.18

O que é que quererão os professores? – parte II

Retomando o assunto, premente, os professores quererão dar o seu contributo para que o mundo (que é a escola e todos os que nela habitam) tenha esperança!
É evidente que uma estrutura consentânea com os tempos actuais (o hábito também faz o monge!) reorienta tudo. Veja-se, a título meramente comparativo, a concepção arquitectónico do património religioso antes e depois do Concílio!
O currículo é nacional mas, também com as transferências de competências (Decreto-Lei n.º 144/2008, de 28 de Julho) é curioso que só, sublinhe-se, passa para a esfera local o a) Pessoal não docente das escolas básicas e da educação pré -escolar; b) Componente de apoio à família, designadamente o fornecimento de refeições e apoio ao prolongamento de horário na educação pré-escolar; c) Actividades de enriquecimento curricular no 1.º ciclo do ensino básico; d) Gestão do parque escolar nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico; e) Acção social escolar nos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico; f) Transportes escolares relativos ao 3.º ciclo do ensino. Portanto, só encargos económico-administrativos. Inculturação e inserção social da escola na comunidade local… nada! Revelador!
Nos ciclos (de estudos) – o mesmo será dizer a orgânica da coisa – dever-se-ão ponderar as idades e maturidades; as ofertas formativas e educativas também beneficiarão com a inclusão do tecido empresarial e cultural onde estão inseridos. Os contributos inovadores de cada comunidade desenvolverão outras competências.
E os professores têm em mente também:
d) a diferenciação positiva da escola.
A escola é o último depositário de valores e competências no choque dos mundos! Aqui há lugar para todos, todos são bem-vindos e todos passam por lá. Mas que escola é essa?
Não é possível nivelar a escola pelos que não a querem! É importante trabalhar concomitantemente o tríptico: competência – oportunidade – rigor.
Competência para os que têm, por motivos diversos, horizontes de futuro. Que lêem para além da letra. Consciencialização para a única via de oportunidade para desenvolvimento. Rigor para todos, nos processos, nas ofertas, nos resultados.
Independentemente de todas as correntes de pensamento e laboratórios de ciências de educação, é incomportável trabalhar com quem não quer em que o mesmo pedagogo trabalhar em simultâneo entre vinte e dois e vinte e oito actores e outros tantos humores e vontades. Tudo isto de noventa em noventa minutos, com o mesmo grau de intensidade, com a mesma exigência de capacidades físicas, emocionais, intelectuais. É um lugar tão comum como autêntico.
e) a escola fonte de futuro.
Uma sociedade livre de quotas! Quotas?! Que coisa horrível. O professor prepara o futuro do país em todas as áreas! Aliás, quanto maior é a incapacidade de resolver este assunto mais se acentua a deficiente preparação que a escola deu a quem a ministra.
São necessários professores excelentes e reconhecidos como tal. A dignidade que for acometida a esta profissão é garante de serenidade dos alunos (quando chegam a casa, seja ela de quem for) e desenvolvimento de competências (nas áreas que o mundo clama!).
Esta é uma das profissões em que que todos deverão chegar ao topo, a essência e imperativo da premissa. Porém, as contingências do histórico profissional de cada um farão, em cada etapa, a graduação, a diferença. Mas por princípio todos poderão ser excelentes, porque queremos resultados excelentes, alunos excelentes. Queremos, nós, cada cidadão, o melhor na preparação do nosso futuro comum (os alunos)!

domingo, 9 de novembro de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.11.11

O que é que quererão os professores? – parte I


[Supostamente, como tantas vezes referimos, este apontamento deve ser de cariz desportivo. Correcto! Porém, numa jornada (de Taça) em que a modalidade rainha do desporto nacional não conseguiu ter cem mil adeptos a assistir, mesmo com um jogo entre dois “figurões”, há coisas mais importantes para abordar, incluindo entre os critérios, os números da assistência e protagonistas.]


Muito provavelmente, os professores quererão o mesmo que todos os cidadãos honestos, serem felizes também com o contributo da sua realização profissional, através de um sistema que ser quer educativo do maior investimento para o desenvolvimento da humanidade, na definição do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (ou PNUD), o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem por mandato promover o desenvolvimento e eliminar a pobreza no mundo.

No nosso sistema educativo há necessidade de rever todo o processo de organização (a estrutura, o currículo (também designado, no plural latino, curricula), os ciclos) e competências (os protagonistas responsabilidades, os actores, os destinatários). São mais de vinte anos (Lei 46/1986, a Lei de Bases do Sistema Educativo) do mesmo e nas circunstâncias em que foi desenhado!

a) Estrutura – é claro que o sistema educativo português é construído de cima para baixo.

A Lei de Bases reflecte o que se viveu na década seguinte ao “25 de Abril”, inclusive nas matérias ideológicas subjacentes. Tenta responder aos medos experimentados em 40 anos. Aponta para a igualdade de oportunidades sem qualquer tentativa de diferenciação positiva. Ou seja, de 8 a 80! A massificação nivelou todos pelos que mais precisam (nos recursos, nos conteúdos, nas competências). Os edifícios são de concepção macro, impessoal, anónimos, sem conforto, sem entradas e sem saídas. Uma arquitectura desumanizante, sem referências construtivas dos laços afectivos e emocionais. Quando é evidente que ninguém coloca um elefante numa loja de porcelana!

b) O currículo é nacional, de gabinete. É modelado no campo ideológico e na definição política dos que, a partir de Lisboa, ditam o que querem para o futuro do país. Mais, os lobbies acentuaram as mudanças que foi sofrendo contribuindo para a limpeza da memória histórica da matriz cultural de um povo. Os novos desafios, as perspectivas de médio-longo prazo não coabitam ali.

O currículo poderia ser muito bem de definição nacional e inculturação e actualização (sócio-profissional e axiológica) locais.

Para o nível nacional ficava a formação geral e a específica no prosseguimento de estudos (enfim, a organização do ensino superior e o acesso a este, obriga a que haja uma super estrutura nacional). A nível local ficariam afectos os conteúdos curriculares e competências que dinamizassem o tecido económico, empresarial e cultural nas áreas técnicas, tecnológicas e específicas dos cursos tecnológicos, profissionais, educação e formação.

c) Os ciclos (de estudos) não acompanham a maturação natural das crianças e jovens. Os objectivos do ciclo são desastrosos por essa razão, que não será única. Por exemplo, o terceiro ciclo, o das acentuadas mudanças fisiológicas, emocionais, psicológicas, tem três anos, uma eternidades para um ou uma adolescente (analisem-se os resultados do oitavo ano!). A par com isto, tanto se cumpre o terceiro ciclo numa escola de tendência infantil (Escolas Básicas) como de tendências adultas (as Secundárias, cujo ensino não é obrigatório, só como exemplo para focalizar algumas fontes de diferenciação).

terça-feira, 4 de novembro de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.11.04

É tempo de ser esperança

Quando vemos o mundo suspenso por tantas preocupações sérias, por mais série que seja o desporto e as indústrias subjacentes, não conseguimos encontrar matéria que supera a necessidade de pulsar com a humanidade! A humanidade que se sente órfã de carismas universais!
Com o regresso de João Paulo II à casa do Pai, calaram-se as vozes vivas (de viva-voz!) que o mundo escutou, ponderou, agiu ao longo do século XX. Sentimos um constante apelo ao bem, aos grandes desafios quando, desde a infância (na catequese, no escutismo, na participação social e política), eram apresentados vultos universais como Gandhi, Martin Luther King, D. Hélder Câmara, Madre Teresa de Calcutá,… Os apóstolos da esperança foram partindo! Resta-nos, nos seus 90 anos, Mandela! E, com toda a certeza, outros exemplos que caminharam connosco!
Há anos que o autor (Pe Zezinho, scj) deste poema musical de grande cariz penitencial vem-nos fazendo comunicar... com esperança!
Mais aprofundadamente a cantamos inspirados nas bem-aventuranças! Também para isso contribui a teologia da esperança protagonizada pelo Jürgen Moltmann!
E é curioso que, às portas do Advento, somos impelidos, talvez mesmo compelidos (!), a acreditar mais do que nunca na universalidade da esperança, “A audácia da esperança “! – a obra que pode ser a síntese com que o autor (se) apresenta e parece representar para o mundo.
A penitência infligida pelos conflitos mundiais de políticas desastrosas; o consumismo desenfreado; a escravatura financeira e económica; colocam os olhos da humanidade sobre quem é capaz de fazer acreditar com esperança, Barack Obama!
No turbilhão de opiniões dos que se situam, na ideologia política, fora do campo de acção dos Democratas Americanos, até aí, parece haver sinais de que “somos por McCain mas temos esperança que ganhe Obama”!
Entre nós, a esperança é a última (coisa) a morrer!