Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 29 de julho de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.07.30

Madrid

Ao apresentar este epíteto para o apontamento penúlitmo, antes da interrupção das férias, que o Correio do Vouga presta aos seus leitores – até nisto há algo de diferente!? Para evitar a saturação, o cansaço,… sabe-se lá que mais, este semanário dá aos leitores, imagine-se, descanso!? – muitas ideias suscitará “Madrid”!
Está provado, pelo menos fica dito agora, que um título sugere mais ideias e atractivos que o conteúdo de um artigo ou produto, e já se sabe porquê. Há mais gente a ler o título do que o conteúdo!?
O título gera confronto e permite ir mais longe do que as palavras que se plasmam num qualquer suporte.
Aqui também acontece o mesmo. “Madrid”, em contexto desportivo, pode ser uma infinitude, alfa e o omega! Gostaríamos que fosse algo mais importante ainda, com forte incidência em Portugal. Ali há tudo, o que nós temos também, e há algo mais. Por isso, deixamos o Império, as glórias passadas, as coroas, os clubes e o desporto, a hipotética co-candidatura a um Mundial qualquer e fazemos, como interpela Susana Tamaro, no livro de descoberta ou de redescoberta e, por isso mesmo, no livro não alheio à diversidade de reacções (já as há em Madrid!), onde através de um registo em que três gerações de mulheres dialogam, numa voz que reconta as suas vidas, a autora serve-se dessa estrutura narrativa para confrontar os diferentes tempos vividos e reavaliar este ciclo geracional, “Vai onde te leva o coração”…
Olhemos, em palavras e obras,para Madrid 2011, XXVI Jornada Mundial da Juventude!
Pelo passado nos caminhos dos jovens em Portugal, olhar para “Madrid 2011” é como ir onde leva o coração. Alicerçada na espiritualidade das JMJ, como a narrativa de Susana Tamaro pode inspirar, constata-se em alguns testemunhos directos que se trata de um processo de crescimento e maturidade marcado por vezes de algum sofrimento. O livro mostra-nos esse processo pelo olhar de uma narradora (a avó) já no final do seu percurso de vida. Através dela veremos outras duas personagens em fases diferentes: uma a começar a amadurecer (a neta) e outra já numa fase mais avançada (a filha). É um livro comovente, que nos conduz às nossas próprias emoções. É uma oportunidade, principalmente para os jovens e adolescentes, sobretudo aqueles que sentem a fase da juventude de uma forma muito intensa, onde por vezes impera o sentimento da revolta, e para os adultos que se esqueceram que já foram jovens. Aqui quebram-se barreiras e abrem-se horizontes.
Afinal, um itinerário de pastoral juvenil é, inculturado,… ainda mais do que isto!
O que esperamos?
Madrid 2011, o mundial da nossa juventude!?

terça-feira, 22 de julho de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.07.23

Com saída ou nem por isso


Estamos todos, literalmente todos, a começar pelos que mais têm – pois, quem mais tem mais será pedido! Quem mais tem mais pode perder! – à procura de remediar o problema do petróleo, dos alimentos e do ambiente! Por todo o lado, aqui também, os comentários são indicadores do fim de uma era, provavelmente da era do petróleo e energias fósseis, bem o sabemos.

Coisa pouca, afinal! É só arranjar alternativa!

Os projectos, os novos e os de reconversão, pautam-se pela necessidade de suprimir o supérfluo e aproveitar tudo o que permitirá não estragar! Ora, aprende-se (aprendia-se) desde tenra idade que, para não estragar, o melhor é não mexer! Um axioma, uma máxima fantástica! Sempre que se mexe… estraga-se?!

Em suma, poder-se-á considerar como certo que o nosso futuro resume-se ao que não ensinamos (presente, hoje) ou deixou de ser ensinado (no que foi presente não há muito tempo!). Porém, a questão permanece em aberto. Nem foi sempre assim?

Parece óbvio que não foi sempre assim!

Mexeu-se em tudo, ao longo deste tempo que medeia entre os nossos dias e a eclosão das revoluções industrial e das luzes. Nos recursos materiais, passou-se à esfera do público o que era privado, individual, pessoal, intrínseco. Por sua vez, nos recursos humanos, nota-se a preocupação de, na educação elementar, primeiro estádio de referência e acção, passar (continua-se a insistir), em fazer transitar do público para o individual (ao sabor do humor de cada um, do ego, do prazer) o que deveria ser preocupação de todos! Poderá um cego guiar outro cego?!

Na verdade, o futuro ameaçado e as crises espalhados nas parangonas e nos rostos de cada um, não são mais que o reflexo, o espelho da educação que não se dá! Essa que começa em casa!

Em que casa?! - poder-se-á perguntar

Cidadãos de uma cidade (anónima, individualista, consumista, recreativa, diversa, plural, supostamente autónoma) global já não sabemos onde moramos e, pior, dificilmente descobriremos o caminho para casa! Pouco adianta perguntar ao vizinho do lado; porque ou não está interessado em ser perturbado, ou desconfia da pergunta e de quem a faz (todos têm GPS), ou não tem mais nenhuma referência (cruzamento, passeio, sinal) para além das teclas do telemóvel.

Perdidos… qual o caminho de saída?

Voltar a casa e à aprendizagem elementar, uma nova oportunidade… formativa!

terça-feira, 15 de julho de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.07.16

Bucólico e boçal


Género literário sinónimo da poesia pastoril que respeita as convenções clássicas provenientes, sobretudo, das Bucólicas de Virgílio e dos Idílios de Teócrito de Siracusa. Este género enuncia um ideal de vida que canta as belezas da vida do campo, o espaço dos pastores, a ingenuidade dos costumes, a quotidiano tranquilo em simples contacto com a natureza em contraste com os sobressaltos e inquietações da vida urbana.

E todo este enquanto é interrompido e alterado por um boçal ruído preocupante e contagiante. Isto é, pelos hábitos de quem não fala a mesma língua, pelo rude, noviço, ainda não ensinado, ignorante, pela notícia que proveio das proximidades de Loures.

Quinta da Fonte!?

Aquela origem bucólica que sugere o nome, Quinta da Fonte, deu lugar a mais confrontos entre duas comunidades “jogadas” ali por altura da Expo 98.

Os noticiários citaram um habitante que desabafa “Pretos de um lado, ciganos do outro. Tudo junto não resulta. Ainda nos matamos todos.»

A mistura étnica foi criada por altura da Expo, em que, para se construírem acessos e espaços, foi necessário realojar as 2500 pessoas cujas casas (a maioria clandestinas) obstruíam as obras. Serão 40%, da população, de origem africana e 40% cigana, sendo 20% de «outra etnia». O presidente da Câmara de Loures, do que lemos nas notícias, reconheceu «que terá sido um erro despejá-las num mesmo bairro», mas que, atendendo à importância da 'festa', foi a solução mais rápida.

E se tudo isto é preocupante porque a dimensão do problema ultrapassa Loures, portanto, o que faz dele uma preocupação de todos, há o impacto ou a revelação de sentimentos e hábitos adormecidos na “paisagem bucólica” do país que nota-se a mudar, qual chuva miudinha que em tempos teria irrigado de mansinho aqueles campos dos arredores de Lisboa, e vai engrossando, engrossando, ao ponto de já evidenciar que está a formar um pequeno caudal…

Há um rio de opiniões, por essa internet adentro, de indignação mas também, face às incapacidades de conter a corrente,… de convulsão, de revolta, de inadequação à diferença,… preocupante!

Porém, a crítica literário acentua que todo o cenário bucólico pressupõe a descrição de uma utopia passada. Estaremos de acordo?!

terça-feira, 8 de julho de 2008

PL, in "Correio do Vouga" - 2008.07.09

Quid Iuris!

Os três “Estados do Reino” estão, entre nós, a necessitar de uma reforma profunda! A analogia com o “Ancien Régime” francês é inevitável. Na época, a divisão da sociedade entre Clero, Nobreza e Povo, tendo por base a teoria da separação dos poderes desenvolvida por Montesquieu, queria defender a moderação do Poder do Estado dividindo-o em funções, e dando competências a órgãos diferentes dentro do Estado, uma ideia que remonta a Aristóteles, articulando a separação dos poderes em Executivo, Judiciário e Legislativo. Esta teoria, aparentemente boa, como todas as ideias, até prova em contrário, sustentava-se sobre o abuso do poder real, e Montesquieu entendia, provavelmente desconhecendo o caso lusitano, que "só o poder detém o poder", o sistema de Checks and balances! Daí, conclui-se pela necessidade de cada poder manter-se autónomo e constituído por pessoas e grupos diferentes.

Ora o caso lusitano é sui generis, abusando propositadamente dos latinismos! Os “três reinos” não controlam nada, completam-se, sustentam-se! É verdade que a Primeira Republica acabou com o Clero e a Nobreza! O Estado Novo acabou com o Povo! A liberdade destrui as Forças Armadas! O que é que temos agora? Nem força, nem clero, nem nobreza, nem povo! Resta-nos a cultura, último berço da memória e da esperança!

Nem o bem-estar social, suportado pelo equilíbrio das classes na correcta ponderação entre o deve e haver do progresso económico, tem lugar na indefinição estabelecida?! Como se não bastasse, olhamos para o bastião do direito, acreditando que poderia haver ali uma réstia de esperança!

Mas também ali há berços de apreensão e vem-nos da evidência, o que é mau, muito mau!

Sem falar de deficit, juros, energias fósseis, alimentos, arrefecimento económico e aquecimento global, havia esperança no futebol! Que tristeza, que maus pensamentos?! Nem selecção (como já vimos), nem seleccionador, nem justiça desportiva!

E sobre a justiça (quê?!) desportiva, duas notas para concluir em miséria, e muita, depois de alguns ajustes sobre as decisões da Liga e dos resultados da análise do Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol.

É curioso que, perante as decisões da Liga, os argumentos apresentados não foram no sentido de corrigir as matérias mas apenas o processo! Ou seja, deduz-se que o mal não está na asneira mas no processo que leva a que a trama, no caso a corrupção, seja penalizada! Apenas uma mera curiosidade! Até houve quem nem sentisse necessidade de recorrer?!

Depois, depois a tramóia do Conselho de Justiça! O que é aquilo? Uma reunião de malfeitores, de gente séria, embriagada,…

Qual o direito? Quem deve deter quem? Qual lugar ao Estado?



domingo, 6 de julho de 2008

Festival Jota, um outro itinerário das Bem-Aventuranças

O Festival Jota é uma oportunidade de encontro de Verão, tantas vezes falado, durante imenso tempo sonhada e finalmente concretizada com a tenacidade e audácia do Departamento da Pastoral Juvenil da Guarda e da Banda Jota – que bem sabemos ter a “alma mater” neste serviço aos jovens da Diocese!

Por isso, chega-se ao Paúl por duas vias, idos de Portugal inteiro (e Espanha, porque não?): pelas sendas da montanha e pela mensagem que se partilha, que se vive!

As sendas da montanha!

Há nas terras da Guarda uma simbólica própria, que pode ser fortalecida com mais dois F: Forte, Farta, Fria, Fiel, Formosa e Fortalecimento da Fé!

O Festival Jota vem acrescentar, ao ritmo da primeira evangelização, a novidade, neste âmbito pastoral (há outros, sem dúvida, mas este é de um alcance muito diferente, na comunhão das diversidades em Portugal). Os caminhos para o Paúl são assim novas sendas de fortalecimento da fé dos Jovens e nos Jovens! Sim, a fé nos Jovens!

A mensagem!

Ali, na montanha, os jovens acampam para comungar uma mensagem universal!

Um acampamento que tem tudo para se viver mas no qual se procura outros caminhos de vida. É assim, no sermão da montanha. A multidão subiu ao monte e, acampa aos pés de Jesus, porque vê mais longe com Ele! No Festival Jota também!

Novas letras, nova musicalidade, novos rostos mas uma conjugação na mensagem universal: a música e a Boa Notícia: “sereis minhas testemunhas”, porque não!?

E como é bela a montanha que se apresenta à frente de todos os que têm a nobre tarefa de dinamizar os jovens! Nesta montanha canta-se felizes os que não cessam de cantar, por palavras e obras, o que vive o coração! Felizes os que, apesar das dificuldades, não cessam de continuar a inventar novos itinerários de pastoral juvenil!

O Festival Jota 2008, também porque é depois de 2007, é de uma beleza de conteúdos excepcional. Devo lembrar a ousadia, a persistência, a coragem?

Para subir esta Montanha é preciso acreditar muito!

E pelo que é dado constatar, a tenacidade na subida é testemunho grandioso, porque, mesmo sem ainda o terem visto, acreditam que, chegados lá acima, há um novo Horizonte para os Jovens de Portugal!

Em 2007, já se rasgou uma nesga no horizonte! Não foi suficiente, claramente que não! Por isso, volta-se lá porque ficou algo por acabar?! Quem sabe?!

Poder-se-á sempre voltar ao Paúl… desde que não seja, no itinerário que jovens clamam incessantemente na acção, na reacção, na inacção, para partir, em cada ano, do sopé da montanha! É necessário, urgente até, ir, ano após ano, um pouco mais para a frente pela montanha acima!

Felizes os que acreditam, porque é claro, o Festival Jota é um outro itinerário das Bem-Aventuranças!

M. Oliveira de Sousa