Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Jornal Aberto (esdjccg-Ílhavo), Janeiro 2008

Mudar, nem que seja para melhor!

Chegados da interrupção lectiva do Natal, eis-nos em 2008!
E se a nossa vida é marcada, pela verificação de todas as ciências, pela mudança – o nosso Luís de Camões imortalizou-o como ninguém no soneto Mudam-se os tempos: “todo o Mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.” – então, chegados a um novo ano alimentamos os nossos sentidos com a vontade de começar tudo de novo um pouco mais à frente neste caminho que é a vida, ou melhor, na senda das novas tecnologias, nesta tecelagem www (World Wide Web) a vida de cada um está literalmente interligada à de todos os outros pelos mais diversos factores: profissionais, escolares, familiares, desportivos, tecnológicos,… Portanto, depois das últimas badaladas de 2007, com rudimentares propósitos mais ou menos definidos para o novo ano, comprometemo-nos todos os outros que encontramos logo nesse momento e em todos os outros momentos.
Ao querermos mudar, acreditando nessa força (determinação!), assumimos o compromisso de transformar para melhor, salvo as tendências do contra e os insatisfeitos da vida – casos que necessitam da ajuda colectiva -, o mundo que cada um é e onde interage!
Queremos um ano fantástico? Então, analise-se o que esteve menos bem, pondere-se o que há a corrigir, redefinam-se as prioridades e as práticas!
Sabendo que é preciso dedicação absoluta, tanto nas grandes responsabilidades como nas pequenas coisas, um novo ano é um convite ao discernimento empreendedor entre a esperança na eternidade, ser capaz de viver cada dia como se fosse o último mas com a eternidade no horizonte (tudo o que é verdadeiramente importante, o essencial da nossa existência) e o ser
bom e feliz centrado na racionalidade, conhecimento do seu meio físico, social e cultural, conhecimento e respeito pelos outros e pelo mundo ( “Voa: aproveita o dia presente -carpem diem -, confia pouco no amanhã”! - Odes: I-19; Horácio).
E tudo isto apenas porque mudamos, querendo ou não, nem que seja para melhor!?
Mude-se! Esperança para 2008! E…em frente, vamos!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Natal 2007 - CV de 2007.12.19

O barro em que moldo o meu presépio!

O meu presépio é de barro!?
Outros serão de outra coisa qualquer mas também são presépios. E só por serem o que querem ser (moldados por dentro), por terem conteúdo, são um tesouro! Ao serem assim, são o divino na vida humana!
Sim, tenho ali um tesouro que é moldado em matéria frágil a que os elementos (água e fogo) e o oleiro dão forma e consistência!
Aquele tesouro é a redenção.
E eu quero acreditar que a "redenção", a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de facto. A redenção é-nos oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho (SS, 1).
O meu presépio, perante outros presépios, não justifica a canseira do caminho? É claro que sim. Eu quero querer que sim!
Há outros moldes, há outros materiais, menos frágeis até, e aparentam (se é que não superam?!) ser a meta que me proponho alcançar com aquele frágil presépio de barro! Mas este é o meu.
O inerte barro, ganha outra expressão à medida que nele incide o reflexo da estrela. Uma estrela tão simples com tanto efeito que faz!?
Também sei que há outros luzeiros para presidir à noite, mas, no meu presépio, não conseguem ofuscar a estrela de Belém. – e no recato da sala chego a pensar quantas vezes se faz dela, da ideia da estrela,… acho que nem acredito!?... Não se pode fazer dela uma metáfora,… apenas para adornar esse acto fundacional da piedade: os pastores, os homens de boa vontade e os senhores do mundo são guiados por uma estrela!... Nesta perplexidade perante a inflacionatória acção profética actual, reconfortam-me as palavras vindas de Roma: “o momento em que os magos guiados pela estrela adoraram Cristo, o novo rei, deu-se por encerrada a astrologia, pois agora as estrelas giram segundo a órbita determinada por Cristo”! (SS, 5)
E como há boas razões para esperar que isto é um bem. Ali ouço a eternidade – quer seja na Apologia de Sócrates quer seja em Santo Ambrósio ou Santo Agostinho na Spe Salvi (10-12)!
Absorvido pelo Natal (nascimento) ali apresentado, a mim (que não sou pastor, nem rei, e talvez nem homem de boa vontade!) acabo por dar ao barro o valor que ele não teria se não tivesse o valor que lhe foi inculcado pela Redenção.
Como é valioso o barro do meu presépio, sem ele nem presépio teria!?
Também por isso, acredito que naquela matéria, o mutável é imutável porque são a mesma esperança: o Corpo do meu presépio onde radica a minha fé!
E quando vejo um presépio assim, chego a sentir, a perguntar-me,… que presépio sou eu?

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

PL, in "Correio do Vouga" - 07.12.19

Tratado (Europeu) e de Lisboa!

Agora sim, podemos sentirmo-nos confortáveis, mas provavelmente não muito realizados, muito menos felizes, só porque há um Tratado para a Europa!
Fomos nós, os portugueses, mestres nas Leis (até tivemos o Dr João das Regras!?), a comandar a nau da europeia! Quis a Providência, porventura sinal do religioso alicerçado na matriz cristã da Europa, que dois portugueses encabeçassem os comandos da barcaça para que isto chegasse, não a bom porto mas…, à velocidade de cruzeiro. É um sinal. Se não fosse assim, dificilmente os entraves circunstanciados seriam ultrapassados.
Contudo, vai parecendo que até se vai ganhando mas a equipa ainda está um pouco abúlica!?
Assim, resumidamente, há alterações em:
Instituições. Com este tratado mudam as regras de funcionamento e representatividade nas instituições europeias; introduz personalidade jurídica à União e é criado um único representante para as questões de política externa.
Pessoas. Consagra expressamente os valores nos quais se baseia a União e apresenta a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia.
Políticas. São enumeradas as principais áreas de acção (liberdade, segurança e justiça), na política de relação com os outros fora da União, nos problemas emergentes (alterações climáticas, energia, espaço, turismo, protecção civil).
E agora começar-se-ão a abrir as potencialidades que, por sua vez, passarão a ser condensadas em regulamentos através, provavelmente, do processo legislativo ordinário, ainda falta mais qualquer coisa; deu-se mais um passo, é certo.
Lisboa ajudou a reunir o que estava disperso. No entanto, ainda não é desta que ficamos unidos. Esta União não faz a força, é demasiado individualista, natural, pragmática, sem fé. Falta alma à Europa, não falta?
E com isto, mude-se o Pentateuco porque Deus viu que tudo isto era bom… mas não descansou!?

domingo, 9 de dezembro de 2007

PL, in "Correio do Vouga" - 07.12.12

De Cabo aos Urais

Apresentamos uma rota para uma grande prova! Concretizar uma maratona, um rali, um raid,… qualquer coisa que desse expressão à dificuldade que existe em unir estas duas áreas geográficas (da ponta Sul de África, à referência virtual que delimita a Europa e a Ásia) tem tantas hipóteses de resultar como “passar um camelo pelo fundo de uma agulha”!
As probabilidades de sucesso são praticamente as mesmas, salvo o louvável esforço dos políticos europeus (sobretudo os portugueses com responsabilidade de liderança na Europa), que as da parceria para o futuro que a Cimeira de Lisboa declarou.
Só os “portugueses” é que poderiam colocar na agenda uma Cimeira destas!
Nós temos qualquer coisa de especial, um recalcamento porventura, quando se trata de procurar os que pensamos ser como nós, apenas porque lhe impusemos a língua (mãe da comunicação e matiz cultural)! Foi agora com África, como há uns meses com o Brasil. O mundo todo, os nossos parceiros europeus, olha para estas duas realidades como campo de recursos a explorar; Brasil e África vêem a Europa como a potência (ainda um pouco colonizadora) a quem é preciso apresentar a factura em público e negociar parcelarmente em privado; nós sentimo-los como um prolongamento da nossa pequenez, uma extensão para onde nos poderíamos estender, viajar, ficar por lá! É um romântico mistério neste “ser português” mas só nós é que o sabemos fazer! Este jeito de chegar e criar laços, fazer do distante próximo está no sangue de cada um!
E no final, nesta como em todas as cimeiras do mundo, dada a mole de assuntos demasiado privados, individuais, sui generis (conforme o sub solo: ouro, diamantes, petróleo,…e as correspondentes capacidades para investir nessas explorações), há um discurso colectivo para dizer: o mundo vai mudar rapidamente (pelo que estamos a desfazer) só que, naquilo que depende de nós fazer, não sabemos quando!

Mesmo assim, é preciso insistir. Portugal fez o seu papel (e bem!).

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

PL, in "Correio do Vouga" - 07.12.05

Guerra em tempo de paz!

A etimologia guerra e paz das duas palavras explica o inter-relacionamento que permeia a dicotomia paz/guerra, na qual a guerra é o termo forte e a paz, por isso mesmo, é normalmente entendida como ausência de guerra. A expressão “guerra” terá a sua origem no germânico werra, que tem a acepção de discórdia, combate. A “paz” tem origem latina em pax, de verbo cujo particípio é pactus, daí o pacto (celebrado entre os beligerantes para terminar, cessar o estado de guerra).
A mitologia dá preponderância à guerra em detrimento da paz. Ares, o deus da guerra, tem assento no panteão olímpico. Éris, deusa que personifica a discórdia, na poesia como na epopeia,Discórdia. O seu oposto é a Harmonia, correspondente à Concórdia romana. Éris aparece como filha primogénita da Noite, e mãe da Dor (Algea), da Fome (Limos), da Desordem (Dysnomia) e de outros flagelos.
E até ao século XX a valorização da guerra foi mais frequente do que a sua condenação. Hegel, por exemplo, contestando Kant, diz que a guerra assegura a saúde moral dos povos, que se veria afectada pela estagnação numa paz perpétua, da mesma maneira que os ventos protegem o mar da podridão inerente às águas paradas.
Também, quanto à expressão, é famoso o romance escrito por Leon Tolstói, publicado em 1869, uma das obras mais volumosas da história da literatura universal, que conta a história de duas famílias russas durante a invasão napoleónica de 1812.
Porém, a valorização da paz, cujo antecedente de referência é o ideal messiânico do profetismo bíblico (conversão das espadas em arados – Is 2,4; 11), só encontrará eco social em plenos anos 60 do século XX, com os movimentos pacifistas – já depois de duas guerras mundiais!?
Com tudo o que vai chegando até nós, já entre nós, em todos os debates, na noite de todas as coisas (como a mitologia grega nos ensina?! Nix, deusa da Noite, era irmã do Caos, o que faz dela uma das primeiras criaturas a emergir do vazio),… o que virá a seguir?
Na era da “aldeia global”, onde todos se conhecem e querem conhecer tudo e todos, não há vizinhos, franqueza, solidariedade, confiança, lealdade,… não há aldeias na globalização! Urbanizou-se tudo e, hoje, estamos praticamente serpenteados de guetos e só gangs percorrem as ruas daquela que já foi a nossa aldeia?!
aparece como irmã de Ares. Corresponde à deusa romana