Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Até já




Sim, até já?!
Porque há tanto para fazer, tanto para refletir, tanto sonho por cumprir, que só assoma dizer-se “até já”!
Muitas vezes (até já!) não passa de um eufemismo: queremos que a despedida, vislumbrada como definitiva, não o seja; quer-se apenas mais doce.
Na intenção será, porventura, uma forma de expressar que se deseja voltar em breve. E, às vezes, o “até já” definitivo é apenas, como nos inspiram três poemas – motivados pelo regresso às férias!? – imperativo para reparar um momento, um percurso menos cuidado, um desvio que conduz ao reencontro mais à frente.
Por muito que se deseje ou não deseje, em cada etapa que termina haverá sempre “até já”, porque não somos donos do tempo nem o tempo resolve o que compete ao engenho: Dizem que o tempo ameniza/ Isto é faltar com a verdade/ Dor real se fortalece/ Como os músculos, com a idade. É um teste no sofrimento/Mas não o debelaria/ Se o tempo fosse remédio/Nenhum mal existiria (atribuído à norte-americana Emilly Elizabeth Dickinson).
Este é o tempo de estio, o verão, que tem destas coisas: chegadas e partidas.!
Quando gostamos muito de algo ou de alguma coisa, espera-se muito pela chegada… e é dolorosa a partida! Porém, também há partidas feitas de forma inesperada que aguardam um regresso ambicionado. No dizer poético de Fernando Pessoa, através da metáfora do rio, é algo “entre o sono e o sonho”:
Entre o sono e o sonho,
Entre mim e o que em mim me suponho,
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.

Passa-se por outras margens… muda-se! E, no final, o rio (que é a vida) continua o seu curso!
Transforme-se, altere-se, modifique-se, sim mude-se tudo e nada, porque todo o mundo é composto de mudança (Camões)… E na outra margem, depois de tanta mudança, não é raro lançar o olhar e reverem-se as qualidades das quais se partiu!

[Ao sairmos (Correio do Vouga) por uns dias… até já!]

terça-feira, 14 de julho de 2015

Acordo




Até no que parece impossível há sempre esperança! Do final - feliz ou não - saliente-se o mais importante no tempo que vivemos: ACORDO, estar junto do coração?!
Não vale a pena ficarmos juntos a qualquer preço mas vale a pena tentar evitar o ostracismo e as exclusões!
Para quem aprecia ir à origem das coisas, ao étimo (do grego “étymon”, «verdadeiro; certo») “acordo” vem do Latim “accordare”, uma variante de “concordare”, “estar em harmonia, concordar”, de “com”(junto) mais “cor” (coração).
Acordo!?
Quem espera sempre alcança! – diz-se. Pois, se já o foi assim, que assim o seja também. Um momento é um momento e estar junto do coração leva a superar muitos momentos, os mais inebriantes, os mais longos, os mais difíceis,… todos os momentos.
Que, no final, vença um bom acordo!
Falamos da União Europeia mas podemos inspirar-nos em todas as uniões! Afinal até o Eurogrupo (segundo o ex-ministro das finanças Varoufakis) é uma união sem existência… legal, claro!
Varoufakis, numa entrevista recente, até explica o momento da sua “expulsão” (da reunião do Eurogrupo em junho). Quando chamou a atenção de Dijsselbloem que as declarações do Eurogrupo têm de ser aprovadas por unanimidade e que ele não pode convocar uma reunião excluindo um dos membros, “ele disse: Tenho a certeza de que posso. Então pedi um parecer legal. Isso criou alguma confusão. A reunião parou cinco ou dez minutos, os funcionários falavam uns com os outros ao telefone e acabou por chegar um responsável dos assuntos legais ao pé de mim a dizer-me isto: Bom, o Eurogrupo não tem existência legal, não há nenhum tratado que tenha previsto este grupo”.
“Eurogrupo toma decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”
“Afinal o que temos é um grupo inexistente que tem o maior poder para determinar as vidas dos europeus. Não presta contas a ninguém, dado que não existe na lei; não há minutas das reuniões; e é confidencial. Por isso nenhum cidadão sabe o que lá é dito… São decisões quase de vida ou morte e nenhum membro tem de prestar contas a ninguém”, prosseguiu Varoufakis.
E mesmo assim, a Grécia conseguiu um acordo. É bom? Será mau? É o acordo possível, dir-se-á!
O que nos interessa realmente sublinhar é a possibilidade de ver mais longe, mesmo num momento difícil!