Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.06.30

Ícones e iconoclastia

A expressão, bem o sabemos, é de etimologia grega. Disseminou-se pelo mundo para expressar, genericamente, o culto da imagem.

Provavelmente, mesmo como mera opinião de análise, porque antes da teledifusão a imprensa levava, aonde chegava, a imagem da pessoa, da ideia, do conceito.

Também a sociedade tecnológica encontrou aqui a forma de explicitar a ideia de indicar rapidamente ao público o que determinada aplicação exerce ou apenas como uma fixação ideológica de uma determinada marca. Desde muito cedo, na história dos sistemas operativos, os ícones passaram a ser utilizados como forma de executar determinadas aplicações a partir da sua interface gráfica ou, dentro de uma aplicação, a forma de iniciar ou executar determinadas tarefas.

Contudo, esta história é uma história de raízes culturais profundas.

A iconoclastia ("ícone" + “clastia”, "quebrar") é a doutrina que se opõe ao culto de ícones religiosos e outras obras. No cristianismo, a iconoclastia é geralmente motivada pela interpretação literal dos dez mandamentos, que proíbem a adoração de imagens. As pessoas envolvidas em tais práticas são conhecidas como iconoclastas, isto é, os quebram dogmas ou convenções. É um assunto importante na história da Igreja Ortodoxa durante o Império Bizantino, nos séculos VIII e IX, e dividiu em duas partes (iconoclasta – os mais ricos – e iconódulos – os mais pobres), entre 726-843. Porém também o é para a Igreja do Ocidente fazendo eco das palavras de S. João Damasceno, em Calcedónia, em que, afirma, os ícones não são apenas sermões silenciosos, livros para os incultos e memórias dos mistérios de Deus, são também sinais visíveis da santificação da matéria, possibilitada pela incarnação.

A morte de Mickael Jackson suscita esta re-visitação ao assunto.

Partiu o ícone de uma geração! Qual a imagem que perdurará; aquele contributo para que o mundo seja mais humano?!

terça-feira, 16 de junho de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.06.17

Falar da vida e dos outros

É um princípio (algumas vezes é um fim!) de sobrevivência, inerente a cada pessoa, expressar o que vai no íntimo, na mente, na alma, no espírito. Faz parte de nós a relação entre pares e, quantas e quantas vezes, o falar connosco mesmos, o falar sozinho. Somos emissores e receptores.
Por isso, quando se estabelecemos o contacto de comunicação o contexto e o canal de comunicação são preponderantes para nos colocarmos face à mensagem.
Por outras palavras, ao falarmos com os “nosso botões” podemos dizer tudo o que nos apetece, até ao limite da decência - pelo respeito que cada um deve a si próprio, à sua formação! Portanto, o receptor e a mensagem são amplos, abertos, totalmente indiferentes ao contexto.
Porém, quando falamos com outro interlocutor, o contexto passa a ser determinante.
Quando o ambiente é formal, mantemos o formal - pelo menos para não cair no ridículo. Abordamos assuntos de carácter universal, abstracto, comum a todos os sentidos. Falamos do que os outros fazem, das suas ideias, conceitos.
Porquê? Porque não conhecermos a sensibilidade e ilustração dos parceiros de diálogo.
Ao estarmos em espaço e em circunstâncias informais, tratamos de generalidades, de banalidades. Falamos do que os outros têm, das coisas dos outros, das coisas que os outros fazem.
Porquê? Porque há sempre recurso à piada ou à deixa dos colegas de conversa.
Se o receptor, o interlocutor, é de confiança falamos de tudo, menos do que há na reserva da mente que nos acompanha até “à cova”. Falamos do que os outros são, como são, do que não conseguem fazer.
Porquê? Porque é mais fácil projectar nos outros, até por metáfora, as nossas próprias limitações, erros, incoerências, desinformação.
E quando a conversa está a ir longe de mais,… “vamos embora antes que comecemos a falar de nós próprios!” - conclui-se.
É estranho, não é!?
- “Falemos então… “
- “Pois,… de quem?
- “Ah! O Ronaldo!”

quarta-feira, 10 de junho de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.06.10

As ideias que a “questão moral” suscita

A Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular escreveu um ofício (OFC-DGIDC/2009/DSDC) a dar orientações para a distribuição de serviço dos professores de EMRC - colocando-os com os mesmos direitos e deveres dos outros professores, excepto em muita coisa! A Comissão Episcopal da Educação Cristã publica um comunicado da Comissão Episcopal da Educação Cristã a propósito da disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica.

A notícia tem eco na imprensa (veja-se jornal Público de Domingo, 2009-06-07).

On line solta-se a tolerância “contra” esses profissionais “usurpadores”. Por exemplo, um anónimo do Porto faz notar que “… para completar horário atribuem-lhes disciplinas ou funções para as quais, ainda que habilitados, não foram sujeitos a concurso, estando portanto em vantagem em relação a outros candidatos...será justo? (Estou a recordar-me do caso de um professor de Ílhavo, Aveiro, que, sendo de EMRC, chegou a Presidente do CE e é agora Director de Escola...e , lá está, colocado pelo Bispo, primeiro. Depois, devagarinho e com "muita moral" foi trepando até à posição actual, mas sem concurso de acesso à carreira!)

Obviamente… a resposta:

“Os professores que conheço são, como todos os professores, profissionais sérios e pugnam por ser competentes. A maioria são leigos e preparam-se (como opção vocacional) para o ensino! Têm curso superior (em Teologia ou Ciências Religiosas); especialização em várias áreas, como Administração Escolar; Pós-graduações em Ciências da Educação, Mestrados (relação Igreja-Estado, por exemplo). Alguns são doutorados; outros fazem investigação para o mesmo grau académico. Dentro do quadro legal existente, concorrem para QE. Depois, pelas aptidões que colocam ao serviço da missão da escola pública, também concorrem (sem trepar) aos órgãos de Administração e Gestão. As DRE aceitam as suas candidaturas para Comissões Administrativas; pelo DL 115-A/98, são eleitos pelos seus pares para presidirem a esses órgãos; pelo DL 75/2008, apresentam a sua candidatura (em concurso público) para Directores e são seleccionados; eleitos;...tomam posse. Um dia, se uma medida legislativa determinar que a escola pública não quer EMRC, ou esses profissionais na escola, partem à sua vida, como todos os portugueses que são desempregados e têm de reiniciar outro percurso. Contribuindo para a escola prestar sempre melhor serviço...missão cumprida!”

terça-feira, 2 de junho de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.06.03

Festejos e tacho


Vêm na melhor altura! São festas aqui e ali.

O mês de Junho é o aríete. A partir dele entramos no centro da actividade. E que actividade?!

Ainda bem! O Verão, promissor na aparição, ajuda, normalmente, a sair da “crise” anímica que o ar sonolento, do Outono e Inverno, provoca nas pessoas, nas relações, nas opções, na vida!

As festas populares são as mais próximas; e este ano vão muito para além do tradicional e soalheiro Junho.

Até ao dia sete, temos a campanha para as eleições europeias. Depois sucedem-se os dias dedicados aos Santos António, Tiago, João, Pedro. Sempre assim até Dezembro, incluindo já as eleições legislativas.

Incluímos as eleições neste calendário festivo porque estes actos têm de ser, face aos números previstos de abstenção, ainda mais próximos das pessoas.

É importante passar do lavadouro (da roupa suja) para a explicação próxima do que estão em causa.

Parece que ninguém acredita na democracia, nem no exercício do poder “delegado” pelo voto das pessoas.

Quem se candidata passo o tempo de antena a falar do adversário. Quem os ouve acho que são todos iguais, “o que querem é tacho” – concluem os eleitores de forma sistemática.

Assim, é difícil a participação coerente, séria, construtiva. Mesmo os grupos informais de participação cívica funcionam mais como grupos de pressão sobre os poderes; algumas vezes por reacção à falta do “subsidiozito” ou, pela denuncia, falar das causas do que movimentos de elevação e proposta de dinamização da sociedade e das pessoas.

Depois, quando se exercer qualquer responsabilidade pública ou privada sabe-se que não é possível saldar todas as promessas, quanto mais não seja porque há a velha justiça de Salomão, um pouco distorcida: “para dar a uns tenho de dar a outros”! O princípio da equidade é matéria difícil de compreender e, muito menos, de aceitar!

Portanto, se é à volta de mesa que muita vida se resolve… siga a festa, rija (com trauliteiros à direita e à esquerda), como convém, o importante é o tacho!?

Entretanto, é importante valorizar que queira propor alguma dieta! Novas ideias, novos projectos para as pessoas, para o futuro. É preciso acreditar e fazer acreditar que há coisas sérias na vida.