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quarta-feira, 4 de junho de 2014

O trono e a tribuna

 

O trono (de Espanha) e a tribuna (em Portugal) reclamam mudança!

O “terramoto” – epíteto de vários comentadores e protagonistas políticas atribuído aos resultados inesperados das recentes eleições para o Parlamento Europeu – o “terramoto”, direta ou indiretamente, continua a provocar ondas de choque.

O caso de Espanha, a abdicação do Rei Juan Carlos, é uma alusão indireta. Porém, já provocou o ressurgir da divisão entre os espanhóis quanto à continuidade da Monarquia ou referendar a implementação da República.

A incidência direta, das ondas de choque, repercute-se nos vários países europeus. A França foi o berço da expressão, logo na noite eleitoral: “é mais do que um aviso, é um choque, um terramoto”, disse o primeiro-ministro francês Manuel Valls.

Do outro lado do Canal da Mancha outros fantasmas. O terramoto UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) nas eleições europeias mudou o tabuleiro político britânico. O partido eurocético thatcherista e anti-imigração, liderado por Nigel Farage ficou em primeiro lugar com 27,50% dos votos, deslocando a oposição trabalhista para um segundo lugar e os conservadores do primeiro-ministro David Cameron para o terceiro posto.

Pela primeira vez na história política moderna um partido, que não seja o conservador ou o trabalhista, ganha uma eleição nacional.

A extrema-direita vê reforçada a presença no Parlamento Europeu com a vitória dos partidos de extrema-direita em França e na Dinamarca e a eleição de um deputado neonazi na Alemanha e dois na Grécia. Sempre lá estiveram, mas agora ganharam força. As vitórias da Frente Nacional, do Partido Popular Dinamarquês e do UKIP, o terceiro lugar da Aurora Dourada e o segundo lugar do Jobbik vêm dar um novo cunho ao Parlamento Europeu que vê aumentar em muito o número de representantes da extrema-direita no hemiciclo (46, segundo as contas do Observador – um aumento de 20% em relação a 2009). Na Alemanha, os eurocéticos ganharam sete lugares, enquanto o Syriza na Grécia consegue eleger sete eurodeputados. O Observador previu os resultados e agora dá conta dos votos – comenta o Observador, jornal diário online, independente e livre.

Em Portugal, bem, em Portugal o caso é “sui generis” – como sempre! Fazemos as coisas de outra maneira. Os perdedores das eleições viram o caso como um mal menor, dada a tangencial nos resultados. Os ganhadores, em valores absolutos, como já aludimos no último número do Correio do Vouga, … mais uma vitória destas e a coisa estremecia, recordando as pelejas Pirro. Não foi preciso chegar a tanto, isto é, a mais uma vitória. Esta foi mesmo a última.

Mas o que pode um líder fazer quando acaba de ganhar? Normalmente, aconselha-se a moderação na vitória!

Por outras palavras, chamando à liça o “Crepúsculo dos ídolos”, de Nietzsche, não reagir às emoções. Porque uma reação forte conduz a desperdício de forças que mais transparece fraqueza.

E o individuo não gosta de um líder, mesmo que não o seja, que aparente fraqueza. Aliás, mesmo o fundador de uma religião, continua Nietzsche, está muito longe de dever necessariamente possuir uma imensa força – o seu papel é simplesmente o de um estímulo casual que dispara forças acumuladas, as quais, no entanto, cedo ou tarde haverão de explodir a atrair adesão. Quem o considera grande ou lhe atribui imensas forças confunde a faísca com o explosivo. Até podem terem sido ‘pessoas insignificantes’; mas a força estava acumulada e pronta para a explosão! Nessas condições, um estímulo casual que pode ser em si mesmo insignificante também conduz necessariamente a “grandes disparos de energia”.

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