Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

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terça-feira, 15 de setembro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.09.15

Pátria, Zé Povinho e Subsídio-depedências

As duas referências que encimam este apontamento são sobejamente conhecidas e, pelo que é facilmente verificável, estão muito bem inculturadas nos conceitos e práticas portuguesas, quer locais quer nacionais.

Recorrendo ao que circula pelo mundo…

Este jeito peculiar vem, pelas “crónicas”, desde tempos de antanho!?

Portugal é reconhecido como nação num gesto que nos definirá como povo.

Em 1128, as tropas de Teresa de Leão e Fernão Peres de Trava defrontaram-se com as de Afonso Henriques na batalha de São Mamede, tendo as tropas do infante saído vitoriosas – o que consagrou a sua autoridade no território portucalense, levando-o a assumir o governo do condado. Consciente da importância das forças que ameaçavam o seu poder, concentrou os seus esforços em negociações junto da Santa Sé com um duplo objectivo: alcançar a plena autonomia da Igreja portuguesa e obter o reconhecimento do Reino. O que será alcançado com a Manifestis probatum, bula emitida pelo Papa Alexandre III, em 1179, que declara o Condado Portucalense independente do Reino de Leão; e Afonso Henriques, o seu rei.

Emancipado da mãe, o Rei Fundador (o Conquistador, de seu cognome) estende a mão a Roma a troco de quatro onças de ouro (uma onça equivale aproximadamente a 28 gramas). Mas como não ia lá com quatro, comprometeu-se a entregar anualmente 16 onças de ouro.

Saltando para o bordalense Zé Povinho…

É a personagem de crítica social, criada por Rafael Bordalo Pinheiro e adoptada como personificação nacional portuguesa. É também conhecido como João Bítor, grande amante de binho e xixas.

Apareceu pela primeira vez no 5º exemplar d'A Lanterna Mágica a 12 de Junho de 1875, num desenho alusivo aos impostos, onde se representava Fontes Pereira de Melo vestido de Stº António com o "menino" D. Luís I ao colo, enquanto Serpa Pimentel (Ministro da Fazenda) sacava o dinheiro do Zé, que permanecia boquiaberto a coçar a cabeça vestido com um fato rural gasto e roto. Ao lado, o comandante da Guarda Municipal, observa de chicote na mão, para prevenir uma eventual resistência.

Nos números seguintes, o Zé Povinho continuou a surgir de boca aberta e a não intervir, resignado perante a corrupção e a injustiça, ajoelhado pela carga dos impostos e ignorante das grandes questões. O próprio Raphael Bordallo-Pinheiro diz: "O Zé Povinho olha para um lado e para o outro e... fica como sempre... na mesma".

Um salto mais e estaremos na Gripe A e nos recursos para a erradicar… fica para a semana.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.09.08

Divórcios de facto


É um facto!

Não sabemos se houve união mas os divórcios estão consumados, “ratos e consumatos”.

O divórcio plenamente consumado é, recuperando o lugar primitivo deste apontamento, entre a selecção de futebol e as vitórias.

Uma coisa sem sabor, estranha, triste, malfadada,… um pouco à imagem do seleccionador. Quando fala parece que vai chorar!

Com é que é possível?!

Se o futebol é um desígnio nacional (não tem que ser mas é), quer como industria quer como motor anímico do “day after”, da economia, da comunicação social, das conversas de café, de chá, de ovos moles,… de tudo, salve-se o futebol.

Faça-se, com tantas horas de desporto escolar que se gerem no país, a casa de formação dos jovens. E, aí em circuitos de alto rendimento, treine-se o remate, o passe, a marcação de livres e de golos, a técnica, a táctica, o saber saber, o falar, o acreditar, o ânimo, a atitude,… aprenda-se a ser gente! Qualquer profissional competente só o é se o for!

Entre os divórcios consumados está o dos assuntos importantes e o lazer. O governo das coisas de todos e uma tarde de praia, uma noite de folia. A participação, o querer saber do governo da vida colectiva, e o… “que se dane”!

E não são os jovens os que menos se interessam. É transversal. Há muitos jovens empenhados em participar na gestão do bem comum!

Por fim, a propósito da vinda do Porta-voz do Vaticano a Fátima, onde fará a conferência de abertura das Jornadas Nacionais das Comunicações Sociais, e da importância do diálogo/boa comunicação com a sociedade, pressente-se, o mesmo aconteceu em Braga aquando das jornadas das Comissões Episcopais de Portugal e Espanha, “entre a laicidade e o laicismo”, que há aqui algumas separações de facto?!

Ora, todos sabemos que a separação acontece quando se quebram os laços que unem as partes. O último a quebrar-se será o do afecto, o da comunhão, da empatia,…

Estamos separados de facto!

E um dia ainda virão novas uniões…

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.09.02

Unívoca diversidade

Esta antítese aparece no regresso, e a propósito, de tantas coisas boas com expectativa de melhoras nas que o futuro reserva.
A reserva maior, o tesouro que transportamos em vasos de barro, será a sobrevivência da espécie como espécie. E o que nos garantirá tudo isso, o continuarmos a ser pessoas, seres civilizados?
Muito provavelmente é o respeito de cada um pelo que nos distingue de toda a criação. Isso mesmo, seres civilizados.
Mas quem nos ensina o que é a civilidade? E como se chega a civilizado?
Os decisores atribuem às gerações mais jovens, acreditando que nascemos ensinados (influências de algum inatismo?) capacidades inatas, em que todos nascemos iguais em tudo. Ou seja, a diversidade, o que nos distingue (entre nós e de cada pessoas com toda a natureza) é sermos… iguais!
Ridículo, não é?
Claro.
Quem é que hoje interpela quem quer que seja se o mais elementar dos gestos (como tossir, lavar as mãos, espirrar, cumprimento, cortesia, lugar no autocarro,…) for ultrapassado? Alguém? Todos fugimos da responsabilidade educacional atrás do individualismo “isso não é nada comigo”!
Se não é com os pais, não é com o grupo social, não é com a escola,… cada um está entregue a si mesmo. Salve-se quem puder.
Viemos das férias - os que vieram!
Encantados por tanto recebido até se esquece o despendido. E esquece-se de tal forma que, com Setembro ainda quente - cada vez mais quente - , ainda é possível continuar em banhos, até em “banho-maria”, o que de essencial temos para fazer: mudar de rumo, endireitar o que nos resta deste nosso mundo, a começar pelo universo que fica dentro da casa de cada um.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.08.05

Escuro, negro e obscuro

Todos nós em cada recanto da nossa rua, lugar ou cidade onde vive, trabalha ou passeia já encontrámos espaços, recantos, pormenores de planeamento, imobiliário ou património arquitectónico que permitem interpretá-los como escuros!

Isto acontece mais sobre a noite mas não deixa de ser verdade que, por metáfora ou sem ela, também há recurso à expressão para realçar algo que, em pleno dia, não está em conformidade com o aceitável, isto é, com o destino para o qual foi criado.

Os mesmos elementos apontados, quando permanecem longo tempo inalterados ou, pior ainda, quando prejudicam terceiros – quantas vezes gravemente!? – apelidam-se amiudadamente como pontos negros.

Ora, ninguém quer um ponto negro em lado nenhum da sua vida. É tão inestético como perigoso! Dá má fama! Não atrai nada de bom.

É preocupante verificar que o escuro está a ficar negro?

Aumenta o grau de apreensão quando, pela inoperância ou irresponsabilidade de uns poucos, a vida de todos está em risco.

É por este ângulo de visão que constatamos os desequilíbrios ecológicos do planeta. É o mesmo prisma que nos permite vislumbrar quando um produto que deveria estar ao serviço do bem comum fica preso nos caprichos e burocracias dos bancos (com exclusividade) impedindo que todos tenham acesso a esse serviço, por exemplo os fundos disponíveis para mapear o território nacional com placas para produzir energia solar.

Não fica atrás destes exemplos, o despesismo quando uma passadeira é construída à “boca” de um túnel, que impede a total visibilidade de quem conduz e acaba por causar erros graves, acidentes, mortes…

Aqui é onde o bom senso acaba e surge algo tenebroso, sempre susceptível às mais variadas interpretações, o obscuro!

Até parece que alguém ganha algo por esta ou aquela tragédia acontecer!?

Temos este condão (coisa estranha) fazer andar por ai sempre o Sr Obscuro!