Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

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segunda-feira, 9 de março de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.03.11

De pé


É conhecida a expressão, moldada na cultura e carácter do seu autor, Bispo de Portalegre e do Porto, D. António Ferreira Gomes, colocada nas paredes do então Seminário de Vilar (Porto): “De joelhos diante de Deus, de pé diante dos homens”.

Uma configuração muito importante para os dias de hoje, para a eternidade – acrescente-se! Trata-se de verticalidade!

Com esta moldura, neste quadro, que se compreende, até à admiração, a antiguidade e actualidade do estudo que uma equipa internacional (coordenada por David Braun, arqueólogo da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul) publicado recentemente na revista Science mostra pegadas atribuídas ao Homo Erectus, no qual reflectem o estilo, o peso e a altura dos homens modernos. Estas pegadas, descobertas no Quénia, mostram que os antepassados do Homo Sapiens, que viveram há 1,5 milhões de anos, tinham pés e uma maneira de andar idêntica à dos humanos actuais: “eles eram provavelmente tão capazes de andar direitos como nós”.

Estas duas incursões, que marcam a história, num contexto de permanente denúncia de fraudes à escala global mas que, essencialmente, tem reflexo na vida de cada um, localmente, pós-anunciam uma profunda revolução, uma nova era, a do carácter.

Para o exigente professor de filosofia, que também foi D. António Ferreira Gomes, “O homem existe, cumpre-se e pensa-se na história. E a história não existe, faz-se. É o homem que a faz e escreve; mas também é ela, feita e escrita, que faz o homem”

Em suma, é urgente recuperar a postura ganha há milhares de anos e perdida, pelos vistos, em tão pouco tempo.

De pé, para salvar a dignidade da humanidade!

E este gesto ancestral, tão simples, tão oportuno, tão urgentemente necessário, até se reflectirá, terá efeitos na compostura?!

terça-feira, 3 de março de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.03.04

Exmº Senhor

Sim, sim. Não, não


Hoje há um redobrar de responsabilidade (que é exigida) dos pais/encarregados de educação e dos professores para preparar o nosso futuro, os filhos, os alunos, as gerações mais novas. Porque, claramente, o futuro dos jovens é o nosso futuro também! É uma responsabilidade comum.

Tal como acontece, com toda a certeza, na família, a educação dos filhos não decorrerá da melhor maneira se o pai e a mãe entrarem em contradição sobre o que dar ou evitar. Se a mãe diz que não e o pai diz que sim, o filho vê-se impelido a optar pelo que lhe é mais apelativo, isto é, governa-se! E este tem sido um dos nossos principais problemas nos últimos anos: entregámos aos jovens (sob o pretexto, por exemplo, de “ele é que sabe o que quer fazer”) a decisão sobre matérias que ainda não estavam preparados para assumir. E, pior que isso, demitimo-nos da principal função, sermos pais, mães, educadores!

Ora, é importante reforçar este princípio fundamental, que é elementar na nossa cultura: “ninguém nasce ensinado”. Saber dizer “não”, quando deve ser não, e saber dizer “sim”, quando deve ser sim. É um importante quadro de valores!

A escola, os professores, fazem um discernimento permanente para dar o melhor aos seus filhos, às alunas e alunos. Uma educação (que deve ser integral): conhecimentos específicos e técnicos, saúde, bem-estar, relação com os outros, participação cívica. Aos Pais é pedido que, quando tiverem dúvidas sobre esse percurso (fortemente tutelado por muitos “Livro de reclamações”!), por esta ou aquela atitude, antes de tomarem partido (podendo obviamente ter razão) é pedido também o mesmo discernimento, consentâneo com a dignidade de ser professor, educador do seu próprio filho.

Não seja a escola a dizer “sim” e os Pais a dizerem “não”, e vice-versa, gerando nos filhos/alunos grande confusão.

Por outro lado, é muito importante valorizar a importância que muitos pais já vão assumindo, reinventando os seus quadros de responsabilidades, do ser mãe e pai! Como é difícil, mas de honrosa esperança, educar um filho, assumir os sacrifícios que se fazem?! Porém, redobra também a alegria de olhar para o futuro e ver que vale a pena.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.02.25

Criatividade


As razões pelas quais estamos onde estamos, a todos os níveis, é porque o criámos assim. Criámos, plural, porque foi a mole imensa de participação na vida do grupo, da tribo – no sentido cibernáutico do termo: um conjunto de pessoas, geralmente de uma família ou associação de poucas famílias, que habitam uma cidade ou uma vila, em um território geográfico definido, dirigidos por chefes ou patriarcas. Os humanos que compõem uma tribo geralmente são da mesma raça, crença e costumes.

Efectivamente a nossa criatividade e a falta dela guiou-nos até aqui.

Precisamos de reinventar novos caminhos, novas propostas, sermos criativos.

Há dias, em grupo, que é um movimento informal já proeminente, no contexto da Aveiro e dos 250 anos da elevação a cidade, os “Amigos d’Avenida” vem reunindo boa vontade, diversidades, diferentes actores, protagonistas sociais, programadores,… e, sem qualquer vínculo que não seja a capacidade de criar a cidade, o espaço da tribo, vão conhecendo-se, descobrindo-se, lançando ideias, propostas,… participar civicamente!

E no meio de tantas coisas até há lugar para o “nada” – um evento a concretizar. O “Nada”!? Interessante?! Claro que é. É tão interessante como intrigante, por ser interpelativo, desafiante, como alguém (sabemos quem é mas não falámos com o autor) disse: “Aveiro tem um passado de ousadia” (no campo das ideias, acrescentamos).

Do nihilismo à sinfonia do silêncio; de João César Monteiro ao “nada” (internacional de Aveiro) exige-se criatividade para (re)descobrir, entre este andaimes e entulho do que resto da pós-modernidade, uma base sólida de valores para este século, para esta geração.

Do nada porá vir coisa alguma?!

Procura-se construir algo a partir da metodologia cartesiano da dúvida (metódica) e escrever novas páginas na mente, tal como o “profetiza” a alegoria da caverna (de Platão), sobre o choque causado pelo primeiro contacto dos homens com o mundo externo ao que viviam; seriam forçados a endireitar sua postura, e olhar para os objectos e para a luz, na forma como a conhecemos; a dificuldade em aceitar uma nova proposta, e que, devido ao padrão pré-estabelecido, o homem tenderia a reconhecer como reais os objectos na forma que ele já conhecia, e não no padrão apresentado. Para que fosse possível a adaptação, necessitaria acostumar-se gradualmente ao meio. A partir daí, o homem seria levado a formar novas conclusões sobre a realidade em que ele, agora, vive.

Criatividade ou pereceremos todos?!

Isto está a mudar!

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.02.18

A confusão


Em tempos acreditei que Babel, veterotestamentária, seria superada, vencida, pela manhã de Pentecostes!

Hoje acredito que o Pentecostes foi vencido pela Babel. Inverteram-se os tempos, inverteram-se as vontades, inverteram-se os conceitos, subverteu-se tudo.

Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras. Emigrando do oriente, os homens encontraram uma planície na terra de chinear e nela se fixaram. Disseram uns para os outros: «vamos fazer tijolos, e cozamo-los ao fogo.» Utilizaram o tijolo em vez da pedra, e o betume serviu-lhes de argamassa. Depois disseram: «vamos construir uma cidade e uma torre, cujo cimo atinja os céus. Assim, havemos de tornar-nos famosos para evitar que nos dispersemos por toda a superfície da terra.»

O senhor, porém, desceu, a fim de ver a cidade e a torre que os homens estavam a edificar. E o senhor disse: «eles constituem apenas um povo e falam uma única língua. Se principiaram desta maneira, coisa nenhuma os impedirá, de futuro, de realizarem todos os seus projectos. Vamos, pois, descer e confundir de tal modo a linguagem deles que não consigam compreender-se uns aos outros.»

E o senhor dispersou-os dali por toda a superfície da terra, e suspenderam a construção da cidade. Por isso, lhe foi dado o nome de babel, visto ter sido lá que o senhor confundiu a linguagem de todos os habitantes da terra, e foi também dali que o senhor os dispersou por toda a terra. (cfr Gn 11)

Chegados à esperada plenitude dos tempos, na manhã do dia do Pentecostes, encontravam-se todos reunidos no mesmo lugar. De repente, ressoou, vindo do céu, um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde eles se encontravam.

Viram então aparecer umas línguas, à maneira de fogo, que se iam dividindo, e poisou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar outras línguas, conforme o Espírito lhes inspirava que se exprimissem.

Ora, residiam em Jerusalém judeus piedosos provenientes de todas as nações que há debaixo do céu. Ao ouvir aquele ruído, a multidão reuniu-se e ficou estupefacta, pois cada um os ouvia falar na sua própria língua.

Atónitos e maravilhados, diziam: «Mas esses que estão a falar não são todos galileus? Que se passa, então, para que cada um de nós os oiça falar na nossa língua materna? Partos, medos, elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judeia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egipto e das regiões da Líbia cirenaica, colonos de Roma, judeus e prosélitos, cretenses e árabes ouvimo-los anunciar, nas nossas línguas, as maravilhas de Deus!» (cfr Act 2)

Ao ouvir o debate do programa da RTP, “prós e contras”, ressalta o óbvio: eis-nos em Babel! Basta lançar a confusão entre eles. Por exemplo,…homofobia!?

Se ainda formos a tempo, respeite-se, preserve-se o humano!