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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Paris

 

Conhecendo a natureza humana, pouco ou nada nos surpreende nos acontecimentos de Paris da nefasta noite do recente treze de novembro. Nada surpreendidos com a natureza humana, portanto.

Não perfilamos a sustentação da ideia de que se trata exclusivamente de causas religiosas – pelo menos como o fenómeno religioso é entendido entre quem o estuda e vive!

A tensão entre os humanos é latente na oposição axiológica entre o diabólico (destes atos tresloucados que apenas se sustentam a si mesmos no impacto dispersivo do que os rodeia, dos outros) e o simbólico (quem procura reunir a diversidade em ordem ao bem comum, à harmonia das culturas e civilizações). Foi assim em Paris como continua a ser pelo mundo crispado nas milhentas oposições brutas, brutais, armadas, o mais básico instrumento para argumentar perante o que não convém ou se entende de outro modo!

Abordar o que é conhecido e está no topo da agenda mediática comprometeu-nos na releitura da compreensão dos atos, isto é, ao Tratado de História das Religiões (Mircea Elíade) comungando da opinião que as ciências modernas reabilitaram um princípio que certas confusões do século XIX comprometeram gravemente: é a escala que cria o fenómeno. Um fenómeno religioso somente se revelará como tal com a condição de ser apreendido à escala religiosa. Querer delimitar este fenómeno pela fisiologia, pela psicologia, pela sociologia, pelas ciências económicas e políticas, pela linguística e pela arte, etc. é traí-lo, é deixar escapar precisamente aquilo que nele existe de único e de irredutível, ou seja, o seu caráter sagrado. Porém, no mundo ocidental de dicotomias entre posição e oposição, sagrado é aquilo que se opõe ao profano.

A realidade não é definível em dicotomias. Até porque nós ocidentais temos a tendência para ver um dos lados da dicotomia como positivo e o outro negativo. Se, em ativo-passivo, o ativo é positivo, o passivo será negativo. É por esta razão que o pensamento oriental é por vezes difícil de seguir: o Yin e o Yiang, sendo pares, não são vistos como positivo e negativo, como uma parte a manter e outra a desaparecer, mas como complementos essenciais ao equilíbrio. O próprio positivo é negativo se não estiver equilibrado!

Nesta matéria, com tanta dispersão (diabólica), o equilíbrio só será concreto se chegarmos ao ponto de aceitar que a vida devia ser sagrada!

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