Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 22 de maio de 2012

Académica, outra vez!

 

Em tempos de contenção e austeridade, quando milhares de jovens olham o futuro com baixa expetativa, isto é, sem saber como concretizar o seu futuro, um grupo (supostamente) de estudantes da Academia de Coimbra ergue o troféu mesmo ali, em plena capital do império!

Se há 43 anos a voz dos estudantes foi prenúncio do fim do regime, precipitou os acontecimentos, mobilizou os adormecidos, catapultou os agrilhoamentos para as capas da comunicação do senso comum, a final da Taça de Portugal de 2012 deveria ser iconografada com igual simbologia.

Então como agora, resta pouco, só há uma saída… sair!

Mas sair para onde?

Os primeiros passos terão de ser sustentados no combate à falta de solidariedade entre as instituições e as pessoas. Os últimos anos trouxeram demasiado rápido o que deveria ser construído de forma sustentada. Não são grandes posses ou orçamentos que têm os melhores resultados! Olhando novamente para a Académica, nota-se, mesmo sendo uma observação muito comum, que foi a solidariedade que deu força à ambição.

Depois, rigor nos desempenhos. Tarefas definidas, uma sociedade organizada e distribuída pelo todo.

A mesma inspiração vamos buscar a este feito glorioso de Coimbra. As competências têm de ser potenciadas por todas as zonas do campo, isto é, de acordo com as potencialidades de cada região. Portugal ainda assim é muito grande para produzir algo.

Por fim, sentir que os contributos de todos são necessários, no governo das coisas, na justiça, na saúde, na educação, nos setores industriais e produtivos,… não ter medo de sujar as mãos, de produzir algo que faça história em detrimento de ficar eternamente de chapéu na mão a mendigar esmola.

No fundo, a Académica demonstrou que é possível, que todos são necessários, que a vida é feita, recuperando a fábula, mais de formigas trabalhadoras do que de cigarras encantadoras e mendicantes.

A mais importante das emigrações é que se deve fazer cá dentro: sair do atavio que séculos de de mendicidade tem produzido!

(in Correio do Vouga, 2012.05.22)

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