Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Parabolizando um certo Outono

 

Aí está, chegou este Domingo. Com considerável atraso em relação a todos os outros que temos memórias, referências semelhantes só há setenta anos, a estação do ocaso da vida, com o frio, as tardes sombrias, a chuva, os dias curtos, o tempo propício a ficar por casa, o desconforto de procurar agasalho odoroso a naftalina, própria de quem está guardado das traças há muito,… está entre nós! Este é um Outono mentiroso! Tão mentiroso que acaba por retirar um pouco da vida de cada Português, sobretudo dos que ainda têm alguma coisa para tirar e o que se lhes retira sente-se. Há outros portugueses que nada sentem! Os que nada têm ou nunca tiveram e os que tiram tudo e tudo podem possuir!

Este Outono tornou-se ele próprio mentiroso, faltou à verdade. Andámos o Verão todo a pensar que o clima ameno, pouco quente, até primaveril, perspectivava uma continuidade idêntica. Um pouco mais de frio, é certo, algumas rajadas de vento mas nada mais. Depois viria o Inverno, o já prometido Inverno de salvação das contas públicas em que cinquenta por cento do subsídio de Natal não seria nada por demais neste peditório nacional para contrariar o défice.

Neste ambiente bucólico passaram Agosto, Setembro, entrámos em Outubro e, de repente, uma hecatombe. Tudo se desmorona à volta. Efetivamente até o sempre altivo e, como o Martini, meio-seco PR veio a terreiro augurar que nada disto é justo!? Pasme-se. Que Outono invernoso!? Em que é que ficamos, Outono? Verão ou Inverno?

Na verdade, temos todos de pagar, agora que chega o rigor (do Inverno) o que, qual cigarra!, trauteámos em todos os Verões, praticamente desde o Verão Quente de 1975. Mas isto pode-se fazer de outra maneira. Assim ninguém aguenta este horizonte gélido!? É que os próximos Verões também vão ser um pouco frios, muito frios, sem qualquer aconchego. Mas isso, enfim, água o deu água o levou, mas o 13º mês é complicado de entender. Não haverá verdade nesta contabilidade de aritmética global, isto é, difundida pela internet?

Os ingleses pagam à semana. Porquê? Um exemplo aritmético simples que não exige altos conhecimentos de Matemática mas talvez necessite de conhecimentos médios de desmontagem de retórica enganosa.

O 13º mês não existe. O 13º mês é uma das mais escandalosas de todas as mentiras do sistema capitalista, e é justamente aquela que os trabalhadores mais acreditam. Demonstração aritmética. Um trabalhador ganha € 700,00 por mês. Multiplicando-se esse salário por 12 meses, recebe um total de € 8.400,00 por um ano de doze meses. Em Dezembro, é-lhe pago o 13º mês, ficam as contas por € 9.100,00/ano. Ora, se o trabalhador recebe € 700,00/mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana € 175,00. Como o ano tem 52 semanas, se multiplicarmos € 175,00 (Salário semanal) por 52 (número de semanas anuais) o resultado será € 9.100,00.

Ó diabo, será que isto bate certo?

Assim, estamos a ser enganados mais uma vez?!

E continua a dar certo?! Se há meses com 30 dias, outros com 31 e também meses com quatro ou cinco semanas… pois é?!... E mesmo assim, recebemos todos os meses a mesma coisa e trabalhamos todo o tempo útil ou mais?!

Será que ainda vamos pagar para trabalhar?! Será que vão levar muito caro por isso? É que corremos o risco de ficar sem nada para as outras coisas como, por exemplo, comer!?

Este Outono está mesmo a ser enganador…

(in Correio do Vouga, 2011.10.26)

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