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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

A restauração

 

Passou mais um “Primeiro de Dezembro”: restauração da independência (perdida para Espanha).

A morte de D. Sebastião, em Alcácer Quibir, sem deixar descendência, concorreu para a perda da Independência de Portugal. Sem um sucessor direto, a coroa passou para Filipe II de Espanha. Este, aquando da tomada de posse, nas cortes de Leiria, em 1580, prometeu zelar pelos interesses do País, respeitando as leis, os usos e os costumes nacionais. Com o passar do tempo, essas promessas foram desrespeitadas, os cidadãos nacionais foram perdendo privilégios e passaram a uma situação de subalternidade em relação a Espanha. A situação levou à organização de um movimento conspirador para a recuperação da independência, onde estão presentes elementos do clero e da nobreza. A 1 de Dezembro de 1640, um grupo de 40 fidalgos introduz-se no Paço da Ribeira, onde reside a Duquesa de Mântua, representante da coroa espanhola, mata o seu secretário Miguel de Vasconcelos e vem à janela proclamar D. João, Duque de Bragança, rei de Portugal. Terminavam, assim, 60 anos de domínio espanhol sobre Portugal. A revolução de Lisboa foi recebida com júbilo em todo o País. Restava, agora, defender as fronteiras de Portugal de uma provável retaliação espanhola.

Esta nota-síntese de (mais) um momento marcante da nossa história conduz-nos ao pensamento sobre outros movimentos de restauração – pensar crítico e com alguma bonomia sobre assuntos concordantes e discordantes.

A luta travada para que a Ocidental Praia Lusitana continuasse a evoluir de cabeça erguida (ainda falta resolver Olivença!) e a discussão sobre se valeu a pena parecem de somenos importância quando o dia “1 de dezembro” ficou reduzido a uma espécie de “Black Friday” português – com o início de dezembro surgiam as compras de Natal em massa, eram oficiosamente inauguradas as Festas! E a vertente comercial trazia o povo para a rua e, com ele, também a (outra) restauração beneficiava – este uso terminológico provem do francês restaurant, que terá surgido no século XVI, com o significado de "comida restauradora", querendo designar especificamente uma sopa. O uso moderno da palavra surgiu por volta de 1765 quando em Paris abriu um estabelecimento para servir comida, em oposição/complemento ao único local (para além das pousadas e tavernas) onde se podia adquirir comida pronta para consumo para além da cozinha de rua – também em processo de restauração no século XXI (“street food”).

A Restauração vai ser restaurada (com reposição de feriado, com redução da taxa do IVA,…) e, deseja-se, que mesmo uma República não esqueça a história que a precede em sistema de Estado e a projeta em comunidade (de diversidades, de minorias e maiorias em igualdade de oportunidades, em tratamento justo em ordem ao bem comum e não apenas ao serviço de algumas opiniões ou tendências para parecer “cool” ou “fashion”).

Vamos lá restaurar, Portugal! – com ou sem vírgula?

(in Correio do Vouga, 2015.12.02)

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