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terça-feira, 1 de outubro de 2013

Areópagos da vida comum

 

Terminada uma etapa determinante da vida coletiva, as eleições autárquicas, os resultados sugerem-nos três eixos de ilação.

O debate.

Há uma tentativa de manietar o poder político e os seus representantes. E também há um interesse dos representantes, a troco de notoriedade, de enveredarem por trajetos demagógicos, ilusórios, descredibilizantes do caráter e dos projetos. A procura da mensagem subliminar provoca a deturpação do essencial e a mensagem deixou de ser a arte do conteúdo. “O meio é a mensagem”! Triunfaram os meios, não só meio - Marshall McLuhan, na sua obra Os Meios de Comunicação como Extensão do Homem, preocupou-se em mostrar que o meio é um elemento importante da comunicação e não somente um canal de passagem ou um veículo de transmissão.

Os meios, bons ou maus, escondem o conteúdo, declinam-no para segundo plano; relevam-se areópagos e areopagitas dotados de uma retórica tendenciosa porque faz juízo próprio sobre matérias sem direito ao contraditório, o que confunde, distorce, provoca insídias.

"Areópago" é a adaptação de areopagus (ou Areios Pagos, de "Ἄρειος πάγος"), que significa algo como "Colina de Ares", em referência ao deus da guerra grego. Tal referência deve-se ao fato de os membros do Areópago, por serem aristocratas, cumprirem em geral a função de guerreiros de elite em tempos bélicos, responsáveis pela proteção da cidade. Normalmente funcionavam como Tribunal supremo de Atenas, composto de 31 membros, antigos arcontes, e encarregado do julgamento das questões criminais mais graves. Alcançou reputação de equidade e sabedoria e, por isso, areópago passou a significar, figuradamente, assembleia ou corte de justiça augusta, imparcial e soberana.

A distância.

As pessoas estão, muito pela consequência dos efeitos dos meios que são mensagem, longe de tudo. Particularmente longe dos que se candidatam honestamente à representação das próprias no governo da “cidade”! Não há interesse sobre os programas de governo, sobre os protagonistas. Aos candidatos, a todos os candidatos e parte dos candidatos entre si, mormente os que menos ideias têm sobre o fundamental, colou-se o rótulo de sinuoso, ardiloso, etc. – com conotações não transmissíveis em espaço público. “São todos iguais” – não haveria nenhum problema se isto não quisesse dizer o pior do ser humano.

A fase do imaterial.

A vida das pessoas vai entrar no momento de viver mais com menos. A fase das engenharias, das construções, terminou. Terminou por não haver fundos e por não haver fundos para mais. Agora o essencial está no “pão de cada dia”, na edificação da pessoa como cidadão comprometido e responsável pelo seu futuro. Os próximos tempos são os da maturidade social: mais conhecimento, mais cultura, melhor investimento, seriedade, responsabilização.

O futuro só é possível sem demagogia e interesses primários!

 

(in Correio do Vouga, 2013.10.02)

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