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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Setembro e a educação

 
Atravessámos décadas em que, por estes dias, a discussão maior, à volta das famílias e orçamentos familiares, centrava-se na aquisição dos livros (manuais escolares e associados, entenda-se) para o novo ano escolar ou letivo que se iniciava implacavelmente até 15 de setembro, como é de lei.
Progressivamente, a tónica foi colocada noutra preocupação, na escola para os filhos; as vagas que existiam, ou não, para dar resposta às novas realidades, às mudanças que se operavam: filhos que entravam pela primeira vez no sistema de ensino, que tinham de fazer opções vocacionais-alteração do plano curricular; alterações (morada, profissão,…) na vida, pura e simplesmente.
No primeiro caso, passou a ser um assunto parcial por dois motivos. O primeiro, muito objetivo, os manuais passaram a ser plurianuais – uma medida política que se reclamava há muito; o segundo, um pouco mais subjetivo, a falta de liquidez financeira obrigou a maior contenção nos gastos de férias, portanto, passou a existir algum fundo de maneiro para o essencial. É o reflexo da malfadada pedagogia das crises, ou do equilíbrio no erro!
Quanto à segunda situação, é notório que já há espaço educativo a mais para a população discente que o país tem. Em consequência, remediadas as situações pontuais, muitas vezes provocadas pela incúria dos gabinetes de Lisboa e delegados, há lugar para todos. Corrija-se, cada vez há mais lugar para todos.
Nos tempos recentes a educação passou para o excesso de docentes! Lamentável.
É lamentável que um país desenvolvido e com tantas recomendações e estudos feitos não consiga ter massa crítica e decisória suficiente para planificar os seus ativos! Partindo do princípio que a educação não é para fechar – premissa que não custa nada admitir, mesmo sendo energicamente inaceitável a hipótese, face a algumas teorias macro sociais e económicas que vão sendo afloradas – há 20 anos que se sabe o que se pode produzir em termos de ensino básico e secundário.
Hoje há, em todas as áreas da ação do Estado, profissionais enganados pelo próprio “aparelho” porque não há um plano estratégico para setores-chave do próprio Estado. - Admitindo, contudo, como importante, que cada um e cada uma tem responsabilidade pessoal no assunto, deve-se estar atento, dado que “quem vai para o mar avia-se em terra”!
Na educação bastava atender a: diminuição da taxa de natalidade, número de alunos, ofertas educativas estruturantes, situações sociais a contemplar, aumento da idade da reforma, mutação nos direitos de carreira (o menos importante e imprevisível).
Assim, em setembro custa ver milhares de professores totalmente desmobilizados: uns para fora (da escola), depois de décadas de prestação de serviço, outros para dentro (da escola) mas com a mesma motivação porque estão a ser conduzidos como que para o cadafalso, que muda rapidamente de posição, bastante arbitrário e opinatório.
A educação em setembro deixa-nos todos a perder; a perder, desde logo, o futuro!
 
(in Correio do Vouga, 2012.09.05)











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