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terça-feira, 20 de março de 2012

Em nome do pai

 

Fazer algo em nome de alguém! Quanto honra, independentemente do grau a que nos situemos perante a figura paterna, aqui muito mais do que só isso. Afinal, este é gesto de solidariedade, de vivência dos valores mais universais. E este entrelaçado da vida, valor e eticidade, é tão intrínseco a ser-se que ninguém chega a ser alguém por si só!

É muito interessante, correndo o risco de não ser percecionado o que interessa num artigo como este, fazer uma pequena visita ao filósofo alemão do idealismo. Hegel fez uma distinção entre moralidade, que é a vontade subjetiva, individual ou pessoal, do bem, e a eticidade, que é a realização do bem em realidades históricas ou institucionais, que são a família, a sociedade civil e o Estado. "A eticidade", diz Hegel, "é o conceito de liberdade, que se tornou mundo existente e natureza da autoconsciência".

O pai será, por si, garante da ética da vida, para além de toda a obra que gera!

Os pais da nação, da pátria, das instituições, dos partidos, das normas, das constituições, das obras de arte, literatura, pintura,… pululam nos vários discursos e imaginários! Ter um progenitor, real ou em sentido figurado, atravessa a cronologia do tempo e do espaço, da beleza e da plasticidade das formas de existência.

E ninguém é sozinho. Quando faltam filhos é inequívoco de que faltam pais! Porque o pai será sempre um por cada filho, por muitos que possa ter oportunidade de ser.

Em meados de março, quando ocorre a evocação do Dia do Pai, em Portugal, poder-se-á hiperbolizar tudo para comercializar a ideia, os sentimentos, o sentido da paternidade e da filiação. Porém, as circunstâncias atuais concorrem para a experiência de que há dias que, apesar de serem universais, continuarão simples, dedicados, próximos,… como um pai. Este é um desses dias singulares.

Faltam-nos mais pais!

(in Correio do Vouga, 2012.03.21)

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