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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Pontes que oscilam. Pontes que se partem

 

Num mundo cada vez mais ligado nas suas margens, por força da globalização, vemos construir pontes onde antes havia vaus inultrapassáveis.

O conhecimento ganhou escala, criou redes de complementaridade, e hoje juntam-se várias disciplinas para vencer o que parecia intransponível. As técnicas estão mais apuradas. Porém, como o saber ancião não perde atualidade, vêm sempre à memória os provérbios.

Com este tempo tão incerto é imperioso que sejam distinguidos os construtores de pontes.

Merecem particular relevo as mensagens do Papa Bento XVI .

A saudação aos povos do Extremo Oriente, na Ásia, que celebraram na passada segunda-feira o início do novo ano lunar, sublinhando a sua “alegria” nesta festividade, que ocorre num momento difícil. “Na presente situação mundial de crise económico-social, desejo a todos estes povos que o novo ano seja concretamente marcado pela justiça e a paz, leve alívio a quem sofre e que os jovens, em particular, com o seu entusiasmo e o seu incentivo possam oferecer uma nova esperança ao mundo”,

Criando pontes entre a humanidade, também é de elevado interesse a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, instaurado pelo Concílio, no decreto Inter Mirifica. Bento XVI destaca o silêncio e palavra como caminho de evangelização. “O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo” – sublinha o Papa. “Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito. A questão fundamental - continua a mensagem - sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de pacificar a inquietação do coração humano no Mistério de Cristo. É deste Mistério que nasce a missão da Igreja, e é este Mistério que impele os cristãos a tornarem-se anunciadores de esperança e salvação, testemunhas daquele amor que promove a dignidade do homem e constrói a justiça e a paz. Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar”

Por fim, a semana da unidade dos cristãos, que termina. É uma ponte, uma ponte longa que se vai construindo. É bom que o ser humano estabeleça o diálogo consigo e com os outros, melhor é com o mediador, que é o Soberano. No fundo, porque a oração é no todo também parte humana, esta semana é centro do diálogo de irmãos a pedirem ao mesmo Pai que acolha com generosidade as falhas uns dos outros e suscite a reconciliação quando e onde é necessária.

E numa semana assim, como em qualquer semana, a oração-comunicação é ainda tão insuficiente! Basta ver como a memória respeitável do povo arménio veio, pelos líderes franceses, provavelmente por um prato de lenteinhas, destruir a ponte que a Turquia, berço do Cristianismo também, vem construindo.

(in Correio do Vouga, 2012.01.25)

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