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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Quando a terra treme, “Senhora das Tempestades“

 

As fragilidades continuam a emergir quer do seio da Terra quer na superfície terrestre, como ainda recentemente o abordámos – a propósito da tragédia do norte de África expressa nas águas do Mediterrâneo - e foi coletivamente sensibilizado por vários organismos da Igreja Católica, no passado domingo, com a iniciativa “Hashtag” #somostodospessoas : “acreditamos que a União Europeia pode e deve fazer mais por cada uma destas pessoas, nomeadamente, olhando de forma diferente para os seus países de origem. As organizações da Igreja Católica pedem medidas que ultrapassem a excessiva preocupação securitária e de controlo de fronteiras e que se pensem alternativas de maior humanização.”

Mas a Terra treme ainda bem mais fundo quando vemos que a morosa soberba numa tragédia como a do Mediterrâneo contrasta com a rapidez de disponibilidade e serviços como no caso recente do tremor de terra do Nepal!

Os números são igualmente dramáticos. As condições de vida, antes e depois, são chocantes. Todos morremos um pouco com estes que sem nada poder fazer perecem nos escombros de uma terra que tantas vezes viu ser derramado sangue bélico para permanecer mãe para os que agora engole, abafa, soterra, apropriando-nos de Manuel Alegre, no “Senhora das tempestades” , quanto espanto e quanto medo: “Senhora das tempestades e dos mistérios originais, quando tu chegas a terra treme do lado esquerdo, trazes o terremoto a assombração as conjunções fatais, e as vozes negras da noite Senhora do meu espanto e do meu medo”.

Perante isto, até o “25 de Abril” parece caber na Betesga - curiosamente Betesga significa beco, pelo que provavelmente a rua teve origem numa antiga ruela que existia no local antes do Terramoto de 1755! Diga-se, ao jeito de glosa, que em abono da verdade muitos responsáveis do nosso país têm feito tudo para que tal aconteça. Há um desrespeito permanente pelas datas-símbolo de identidade, de memória histórica,…. Fica-se sem saber se é por caráter submisso ao passado, por discordância ideológica, pela tese do Estado musculado ou por nostalgia dos tempos de recurso “a quem de direito” e arbitrariedades sumárias?!

Para concluir, socorrer quem pode morrer sob os destroços no Nepal, ou em qualquer outro lugar, é urgente, dispendioso, incontornável, pronto! – aplauda-se de pé a solidariedade humana! Mas há outros socorros que continuam a clamar pelas mesmas diligências (urgente, dispendioso, incontornável) e que se não são materializados em tempo útil, porquê?! Salvo a ingenuidade, a hipocrisia tem muitos rostos! E alguns parecem ser o da generosidade.

A Terra treme de muitas maneiras, compete-nos socorrer todos a cada momento vencendo a assombração, o medo, o canto dos corvos!

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