Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

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segunda-feira, 16 de março de 2020

Afastados é que estamos mais próximos.


M. Oliveira de Sousa*


Não é o melhor momento para todos sabermos de tudo.
A hora é de agir, dentro das funções especializadas de cada um. E a grandíssima maioria de nós dá o maior contributo para todos, estando isolado e abstendo-se de disseminar qualquer contaminação - até na opinião!

Manuel Oliveira de Sousa | PS Aveiro
Vivemos uma enorme prova de humanidade.
O humano é um ser plural, gregário, de comunidade. E o rosto da comunidade humana é a solidariedade, o sentido do outro, a caridade. Todas as formas de expressar comunidade. Responsabilidade em comunidade.
Ser solidário é ser maior do que a natureza o poderia permitir. Superamo-nos quando estamos juntos, quando somos uns com os outros. Mas desta vez o afastamento é o que mais nos deve unir.
Vamos vencer esta provação, na cidade de Aveiro e fora dela; nos prédios, em casa; em família ou vizinhança, em todo o Concelho. No país. No mundo. Ninguém está sozinho neste isolamento.
É assim que se molda o heroísmo. E estes tempos são de grande heroísmo, porque marcados por contenção nos hábitos, rotinas e criatividade; prevenção em todos os gestos e determinação nas responsabilidades da comunidade.
Assumimos esta determinação imbuídos nas responsabilidades que as autoridades aconselham. Observamos com atenção as recomendações (www.dgs.pt).
A ocasião, por mais estranho que pareça, aconselha inação à maior parte de nós; é na inação que está o maior contributo individual para a comunidade. Não é uma inação qualquer: todos e cada um somos chamados a ser mais sendo menos (nos espaços onde muitos só prejudicamos). O isolamento voluntário de todos os que podem limitar a sua presença nos espaços comuns é um importante contributo para a segurança dos grupos de risco, e para a segurança daqueles que têm que continuar nos seus postos de trabalho para nos garantir saúde, segurança e os bens necessários à nossa sobrevivência.
Unimo-nos a tantos cidadãos que a vida obriga a estar em isolamento, a acompanhar os seus em quarentena. Unimo-nos a todos os que estão noutras frentes de luta nesta batalha pelo nosso futuro individual e coletivo.
Inclinamo-nos agradecidos perante quem tem de estar ainda mais na linha da frente, quem não pode vacilar, quem tem de “esquecer-se” de si e dos seus em nome do país.
Lembramos os profissionais de saúde, as forças de segurança. Os que estão dia e noite preparados para socorrer outros ou prestar uma atenção particular a quem solicitar. Recordamos o trabalho dos nossos autarcas e eleitos; os Governantes.
Temos presente o cuidado que cada um dedica ao seu vizinho.
A todos apelamos a “sinais de presença” em profunda solidariedade.
Esta é a hora de ser ainda mais Aveirense. E de agir dentro da contingência.
Cumpridores na contenção, mas ousados na solidariedade uns com os outros e com todos.
Estamos juntos com os nossos concidadãos e determinados para vencer esta contrariedade.
Estamos juntos… também na esperança.
CONTAMOS UNS COM OS OUTROS.


*Presidente do PS-Aveiro
Vereador na Câmara Municipal de Aveiro

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Um cacique é um cacique Uma rolha é uma rolha



M. Oliveira de Sousa | PS Aveiro
O presidente da Câmara Municipal de Aveiro em pleno delírio, fechado em si, isolado do mundo, já não distingue a verdade da ficção e projeta nos outros as suas próprias práticas: silenciar, esconder-se, ameaçar.
Essa é uma marca que ele deixará em Aveiro: sobrevivência para viver da política.
Está só no mundo. Quer atacar tudo e todos. Perdeu o pé, perdeu Aveiro. Está desesperado, enleado.
Agora veio inventar -  sobre o facto dos deputados municipais do PS, de acordo com o assunto da delegação de competências, afirmado no programa eleitoral, proposto para as Grandes Opções do Plano, defendido na reunião de Câmara. Veio vociferar contra a concordância e coerência, dizendo que é rolha!
Delírio e trocadilhos sobre rolhas. Coisas em que é especialista, como é sabido. E ficamos por aqui.
Num partido onde os presidentes de Junta votam em total liberdade sobre as matérias que dizem respeito ao seu exercício, onde a bancada discute, afirma os seus pontos de vista e vota em consonância com o que os aveirenses anseiam ou propõem, vem, escandalizado, constatar que há uma rolha?!
É claro que há! - e não é uma rolha qualquer.
Não há apenas uma rolha, há milhares.
Cada socialista tem uma rolha, torneada em muitas frentes de luta, de resistência, no exílio, ao longo do  século XX;
cada aveirense que anseia por liberdade tem uma rolha;
cada democrata tem uma rolha.
Milhares de aveirenses têm uma rolha guardada para tapar, em devida altura, um ciclo de silenciamento, de ameaças, de anulação das vozes das pessoas, sobretudo os que mais precisam: serviço de transportes públicos, recolha de lixo, passeios, habitação acessível, IMI mais baixo, resolução dos seus problemas em tempo útil, qualidade de vida no dia-a-dia.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

As realidades locais e o poder


Manuel Oliveira de Sousa*
in Diário de Aveiro, 02.2020



Manuel Oliveira de Sousa -| PS-Aveiro
O poder local como mediação entre o centro e a periferia, que foi objeto de estudo pelos anos 90 do século passado, já não compreende essa correlação. Apesar de não existir uma forma única de fazer política em Portugal (e no mundo), a política desdobra-se numa pluralidade de tipos de execução de medidas políticas e de formas de ação política que têm forçosamente de ser diferentes de cidade para cidade, de Freguesia para Freguesia. Cada local tem uma configuração local própria, na qual desagua uma determinada cultura, circunstância, ambientes, interesses, potenciais.
O tempo de agora é um tempo global. Os lugares são constelações de diversidades, de ideias, de participação. Já ninguém aceita ver acontecer o que quer que seja sem o anunciar, denunciar, manifestar, trazer outros à suas razões, amplificar através das ferramentas comunicação que a esfera pública possui e potencia.
A opinião ganhou legitimação, tem poder, é outra solução, mas também pode ser um problema. Como resolver? – incluindo.
A legitimidade da decisão já não se circunscreve à comunicação clássica (reuniões, assembleias, espaços formais de participação). E recorde-se Abraham Lincoln: pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo.
Por isso, a participação dos cidadãos na vida política local e o contributo da comunicação pública nessa missão de promover o contacto entre os cidadãos e os seus representantes políticos, através de mecanismos que permitam um envolvimento mais profundo na tomada de decisões que afetam as suas vidas, são os dois aspetos centrais.
Numa época marcada pelo distanciamento dos cidadãos nas atividades de participação política, sendo a abstenção eleitoral a mais significativa, surgem novos desafios para as instituições tradicionais de democracia representativa que passam pela criação de interações permanentes entre o governo e os cidadãos, através da introdução de práticas participativas. Ao constituírem a instância de governo mais próxima dos cidadãos, as autarquias locais são espaços privilegiados para a implementação, em maior quantidade, e com resultados positivos, de inovações políticas que favoreçam a participação das populações. Começa a ser mais frequente a incorporação e a participação real dos cidadãos na vida política local, através da criação ou do reforço de mecanismos que estimulem a interação entre os eleitos locais e a população, com a comunicação pública a assumir um papel preponderante nesse sentido, sem soluções rígidas, mas adaptadas às idiossincrasias de cada lugar.
A nova realidade deve atualizar as formas tradicionais de interação e de comunicação entre o poder público e a sociedade, originando novos espaços de debate, com uma dimensão e importância nunca antes verificadas.
Este debate não é cantar de cigarra (da fábula de La Fontaine), mas compromisso concreto de inclusão dos problemas em soluções; uma luta pelas novas formas de política do século XXI. Não são os movimentos inorgânicos, mais ou menos espontâneos, as ações intensas, mas avulsas, com vícios clássicos, que renovam a política. Também não são os mecanismos de deslocalização da centralidade (também confundidos com descentralização), com os mesmos procedimentos e protagonistas, que operarão a renovação.
A renovação acontece quando houver inclusão: nas lideranças, nos métodos, nas ideias, nos conteúdos, nas medidas. 


* Presidente do PS-Aveiro
Vereador na Câmara Municipal de Aveiro