Numa escala de um a 10, o estudo avalia individualmente os 41 países da OCDE com base em três pilares: o desempenho das políticas – económicas, sociais e ambientais -, a qualidade do sistema democrático e a capacidade do Governo para executar reformas. Segundo Daniel Schraad-Tischler, a educação foi o setor mais prejudicado em Portugal ao longo dos últimos três anos.
“Os orçamentos das escolas e das universidades caíram, as propinas aumentaram, perderam-se professores e, desta forma, a qualidade da educação piora de ano para ano”, sustenta o investigador, sublinhando que “cortar na educação, que é uma área em que se deve investir por ser voltada para o futuro, é um erro”.De facto, Portugal foi avaliado apenas com 4,1 no desempenho do setor da Educação, a nota mais baixa de toda a União Europeia – só a Grécia teve a mesma cotação. Os restantes países do sul tiveram todos uma nota superior.
( in http://observador.pt/2014/05/22/estudo-alemao-conclui-que-austeridade-destroi-qualidade-da-educacao-em-portugal/, consultado em 2014.06.12)
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Em frente, vamos!.
EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...
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quinta-feira, 12 de junho de 2014
Condenados à pobreza?
quarta-feira, 4 de junho de 2014
O trono e a tribuna
O trono (de Espanha) e a tribuna (em Portugal) reclamam mudança!
O “terramoto” – epíteto de vários comentadores e protagonistas políticas atribuído aos resultados inesperados das recentes eleições para o Parlamento Europeu – o “terramoto”, direta ou indiretamente, continua a provocar ondas de choque.
O caso de Espanha, a abdicação do Rei Juan Carlos, é uma alusão indireta. Porém, já provocou o ressurgir da divisão entre os espanhóis quanto à continuidade da Monarquia ou referendar a implementação da República.
A incidência direta, das ondas de choque, repercute-se nos vários países europeus. A França foi o berço da expressão, logo na noite eleitoral: “é mais do que um aviso, é um choque, um terramoto”, disse o primeiro-ministro francês Manuel Valls.
Do outro lado do Canal da Mancha outros fantasmas. O terramoto UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) nas eleições europeias mudou o tabuleiro político britânico. O partido eurocético thatcherista e anti-imigração, liderado por Nigel Farage ficou em primeiro lugar com 27,50% dos votos, deslocando a oposição trabalhista para um segundo lugar e os conservadores do primeiro-ministro David Cameron para o terceiro posto.
Pela primeira vez na história política moderna um partido, que não seja o conservador ou o trabalhista, ganha uma eleição nacional.
A extrema-direita vê reforçada a presença no Parlamento Europeu com a vitória dos partidos de extrema-direita em França e na Dinamarca e a eleição de um deputado neonazi na Alemanha e dois na Grécia. Sempre lá estiveram, mas agora ganharam força. As vitórias da Frente Nacional, do Partido Popular Dinamarquês e do UKIP, o terceiro lugar da Aurora Dourada e o segundo lugar do Jobbik vêm dar um novo cunho ao Parlamento Europeu que vê aumentar em muito o número de representantes da extrema-direita no hemiciclo (46, segundo as contas do Observador – um aumento de 20% em relação a 2009). Na Alemanha, os eurocéticos ganharam sete lugares, enquanto o Syriza na Grécia consegue eleger sete eurodeputados. O Observador previu os resultados e agora dá conta dos votos – comenta o Observador, jornal diário online, independente e livre.
Em Portugal, bem, em Portugal o caso é “sui generis” – como sempre! Fazemos as coisas de outra maneira. Os perdedores das eleições viram o caso como um mal menor, dada a tangencial nos resultados. Os ganhadores, em valores absolutos, como já aludimos no último número do Correio do Vouga, … mais uma vitória destas e a coisa estremecia, recordando as pelejas Pirro. Não foi preciso chegar a tanto, isto é, a mais uma vitória. Esta foi mesmo a última.
Mas o que pode um líder fazer quando acaba de ganhar? Normalmente, aconselha-se a moderação na vitória!
Por outras palavras, chamando à liça o “Crepúsculo dos ídolos”, de Nietzsche, não reagir às emoções. Porque uma reação forte conduz a desperdício de forças que mais transparece fraqueza.
E o individuo não gosta de um líder, mesmo que não o seja, que aparente fraqueza. Aliás, mesmo o fundador de uma religião, continua Nietzsche, está muito longe de dever necessariamente possuir uma imensa força – o seu papel é simplesmente o de um estímulo casual que dispara forças acumuladas, as quais, no entanto, cedo ou tarde haverão de explodir a atrair adesão. Quem o considera grande ou lhe atribui imensas forças confunde a faísca com o explosivo. Até podem terem sido ‘pessoas insignificantes’; mas a força estava acumulada e pronta para a explosão! Nessas condições, um estímulo casual que pode ser em si mesmo insignificante também conduz necessariamente a “grandes disparos de energia”.
terça-feira, 27 de maio de 2014
Uma Europa pírrica
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terça-feira, 20 de maio de 2014
O “casamento” europeu
A Europa é um caldo de culturas? Uma União de diversidades? Cada um por si?
Em 2013, num artigo para Revista Lusófona de Estudos Culturais, Eduardo Lourenço ajuda a colocar o acento tónico na Europa como continente atual ou do passado. [http://estudosculturais.com/revistalusofona/index.php/rlec/article/view/3/28, consultado em 2014.05.20]
A filiação da Europa contemporânea em três matrizes possíveis (mitológicas e políticas): a matriz grega da filosofia e da democracia, a raiz judaico-cristã e a ciência. Porém, aparentemente nenhuma delas apresenta uma dimensão consensual, enquanto definidora da Europa. Não admira pois que, hoje, a Europa viva um niilismo subtil e uma espécie de reflexo masoquista. Este ensaio discute também a dificuldade em que a razão europeia vive a partir da filosofia grega, ao introduzir um questionamento radical que abala a verdade mítica, instituindo um discurso quase sempre problemático e até dramático. Esta falta de coerência interna também se repercute na forma como o Estado e o Poder foram pensados a partir da matriz judaico-cristã. Realizando hoje o quanto a Europa foi perdendo a sua centralidade.
A Europa pode hoje ser vista como tendo três matrizes. Quando, recentemente, na Comunidade Europeia se quis institucionalizar uma espécie de discurso europeu para europeus e para o mundo fora dele, procuraram-se as raízes da Europa. Começou por se considerar que a referência grega era incontornável. Foi precisamente aí que a Razão surgiu, enquanto modalidade de discurso que compreende o mundo, reconhecendo-se que, fora dela, todas as outras compreensões pertencem ao domínio do irracional, do sonho ou do inconsciente. Outra raiz seria a raiz judaico-cristã, um par, ele próprio, também problemático e até dilemático. E, finalmente, a terceira, naturalmente, a da ciência.
Nenhuma destas dimensões da cultura europeia foi aceite como fundadora de uma possível identidade europeia. Isto parece um paradoxo, mas revela o quanto a cultura europeia foi progressivamente ficando no vazio aniquilador. Recusa rever-se em qualquer discurso que reflita aquilo que nós pensamos ser a essência da cultura europeia.
A Europa, e não apenas ela mas também a humanidade como um todo, está sempre em mudança contínua. Uma das características da História europeia é a capacidade que ela tem de se reciclar continuamente. Recicla-se na Idade Média em função de um certo conhecimento da filosofia grega, com Platão e Aristóteles. Mas conhecerá um segundo nascimento pela mão dos descobridores portugueses. Nós fomos, de algum modo, os agentes desse segundo nascimento. Os descobrimentos portugueses (e depois os espanhóis, os franceses, os ingleses etc.), ao promoverem o encontro com o Novo Continente estabeleceram enfim a Europa numa diferença. A Europa passa a ser o Velho o Continente, ao encontrarmos um mundo ainda não conhecido e sem inscrição para nós, portanto ainda sem leitura.
Foi nesta segunda Europa pós-descobrimentos que nós, europeus, começamos a ter uma identidade que não tínhamos, quando eramos apenas nações com uma certa coerência de herança grega, latina, etc., pois a partir de então passámos a ser vistos de fora pela primeira vez.
E visto de fora, mas também vistos de dentro, inspirados na problematização de Eduardo Lourenço, tendo em consideração que no próximo domingo, dia 25 de maio, a União Europeia vai a votos, que Europa queremos ser?
A União, mesmo que subjetivamente, está criada. É uma união de direito. Mas será uma União de facto?
Ainda é possível se não ficarmos convencidos que outros virão resolver os nossos problemas e nos mobilizemos para as melhores opções! E essas são a da solidariedade, da igualdade, da fraternidade,… estamos de novo – afirma o ensaísta - num momento de reciclagem, como já vivemos outros no passado, mas desta vez vivemo-lo como uma espécie de velhice precoce e já estamos doentes dessa relativa fraqueza. De qualquer modo podemos sempre reciclar-nos, porque este é o continente do Platão, de São Tomaz de Aquino, das catedrais e de Galileu.
