Atitude e regras
O título deste apontamento atravessa transversalmente todos os campos da vida social, da vida das comunidades! Porém, centramos a atenção no futsal e no futebol de onze, modalidades que estão esta semana na ribalta. Decorre o Europeu de Futsal, em Gondomar, e a selecção nacional de futebol de onze cumpre o último jogo de apuramento para o Europeu que decorre na Áustria e Suiça, no Verão do próximo ano – quatro anos depois do Euro 2004, uma das “bandeiras” de Portugal!
Aparentemente as duas modalidades, porque são de matriz comum, têm regras idênticas. É verdade. Salvo uma ou outra excepção para adaptar o futebol de onze à dinâmica do salão/sala mantendo a vivacidade e o entusiasmo do público e dos potenciais praticantes, as regras são decalque (o futsal) das do futebol de onze! Portanto, quem estiver familiarizado, de um lado ou de outro, não estranhará se for neófito da alternativa.
Depois, há a atitude! Bem mas aí não colhe no futebol de onze! O futebol de onze, com aquele ar sério e carrancudo, representa a opulência, a mãe de todas as matronas. Ninguém pode assobiar ao “rei”, ninguém pode criticar o “reinado”! - mesmo quando o rei vai nu! E vai nu porque todos querem viver à grande sem nada fazer pelo próprio reino! – Tome-se como exemplo o que aconteceu no recente Portugal – Arménia. A selecção de Portugal começa a ser um fenómeno preocupante de falta de honestidade profissional, tal o dilate com que aborda as responsabilidades (para com quem paga bilhete também)! Sem rei, nem roque!
Ah! A atitude daquela equipita do jogo com a Arménia até faz lembrar o que se passava na educação! Uns para aqui, outros para ali, medidas avulso! Até que alguém percebeu que “o rei vai nu!”… E começou a cozer-lhe o manto!? Nem todos os pontos têm aguentado o remate mas, na verdade, o manto vai dolorosamente ganhando forma! Há regras, há atitude!
Em frente, vamos!.
EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...
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terça-feira, 20 de novembro de 2007
PL, in "Correio do Vouga" - 07.11.21
terça-feira, 13 de novembro de 2007
PL, in "Correio do Vouga" - 07.11.13
O caminho do fim
Os recentes acontecimentos desportivos que se têm manifestado em Itália – os tristes acontecimentos, melhor dizendo! – encaminham a nossa reflexão para o inevitável, isto é, para o fim de uma era; a era tribal!
Não é menos importante sublinhar que o homo-sapiens, do qual já pouco resta, fez o itinerário histórico sobre os princípios do domínio da razão sobre o “brutus”, a massa arracional, que caracterizou muito da era da pedra, o homem que dominou a natureza e os que dela faziam parte e a constituíam, através da arte de manusear as ferramentas rudimentares, como um simples “sílex”! Esse homem, o da razão, parecia caminhar para o apogeu, que as “luzes” suscitaram e o século XX desvaneceu. E como já é recorrente desmantelar o homem da razão pelo “associabilis”, estamos , portanto, a regressar ao uso do rudimentar, do calhau usado por cabeças de calhau, para impor a lei do mais forte.
Mortes por causa de um jogo? Não!?. Não pode ser mas é! Trata-se de uma luta de tribos, com toda a simbólica que lhe é dada, à manifestação tribal.
Não espantará que tenhamos de repudiar alguns actos, por muito que nos possam chocar agora, por preocupante canibalismo! Claro, depois de morta a presa… para que serve!?
Caminhamos para o fim! Sim, o fim do era humana. Depois disto… a manifestação da natureza far-nos-á caminhar para a montanha e imolar aos dos nossos aos deuses! Pintaremos a cara, o corpo inteiro, e, dominados pelos chefes tribais, sem história nem memória na tribo humana, vamos enfilar-nos para, de forma seguidista, gritarmos histericamente por morte ao que se opõem às nossas cores.
Por fim,… tudo estará consumado! A natureza encarregar-se-á dos que restam: a terra deixará de existir!
E depois de todo este pretenso apocalipse, o que se poderá esperar?
Apenas acordar no dia seguinte e, com pequenos gestos que farão a diferença, voltar a iniciar o caminho que inverta a marcha dos que já não suportam viver com os outros! Só isso, é preciso viver e saber conviver com a diversidade, mesmo com a diversidade que se chama… ser humano – curioso, “ser” ser humano é a maior teofania da criação: à imagem e semelhança de Deus. Ou será que Deus ou os hagiógrafos se enganaram? Não somos tão bons assim?!
terça-feira, 6 de novembro de 2007
PL, in "Correio do Vouga" - 07.11.06
A arte de acolher
No fundo, sem aprofundar a questão do acolhimento, a nossa cultura judaico-cristã, está embebida no gesto nobre do acolhimento que os relatos neotestamentários nos incutem (Mt 10, 18, por exemplo)!
No respeito que é devido entre uns e outros, o mais radical agnóstico, o iliterato, o cidadão comum, todos sabem que é revelador de singularidade a pessoa ter um comportamento social adequado. Afinal, tudo se resume a princípios elementares do ser humano: saber ser e saber estar na dignidade de cada um! Quem recebe enfatiza, com a devida prudência e discrição, os dons de quem vem e dá o adequado destaque (na saudação que se empresta, no lugar que ocupa, no diálogo que se estabelece). A quem é recebido, requer-se afabilidade, bonomia, serenidade no que recebe.
É sabido que ninguém, de boa vontade e educado, no facto de aceitar receber e ser recebido, muito menos quando tudo é feito em nome de outrem, deve explicita ou implicitamente retirar daí dividendos, quaisquer que sejam!
Bem sabemos que o mundo não é assim – tão distinto nas suas cores!?
Entre nós, somos tão capazes de acolher bem os de fora, como crucificar os que nos são próximos – “nenhum profeta é bem recebido na sua terra” (Mt 13,57 e sinópticos)! E daqui pode-se extrapolar para a metáfora: tanto faz ser profeta como não! Desde que seja daqui não pode sair de cá! E Todos os que não vejam assim… são réus de morte! “Crucifica-o”.
A vida, toda a vida, é tão diversificada e apreciada que até no calvário havia quem se opusesse ao Crucificado e quem assumisse, com Ele, aquele sacrifico como caminho de salvação!
Apesar de tudo, há quem veja mais longe! E, independentemente de ser Samaritano ou Judeu, aprecia quem é capaz de sair de si, vencer etapas, aspirar a ser mais! Isso implica não deixar que sejam os acontecimentos a condicionar as opções mas sim o discernimento, claro e lúcido! Porque nunca será apenas a vontade do próprio a definir o caminho de todos!?
Por fim,…acolher bem… até na crítica devemos ser bons, a proferi-la e a aceitá-la! Seja bem vinda!
domingo, 2 de setembro de 2007
jnnf, ano XXXVI, nº 378 (Agosto-Setembro 2007)
Eis-me Senhor, Luz do meu caminho,
leva-me mais longe!
Que a minha atitude seja firme e molde o meu carácter;
Que o meu coração seja dócil e se transmita em olhar límpido;
Faz-me generoso e humilde, como é próprio de quem se guia por dons eternos!
Modela-me para que possa ser pedra viva na construção de uma Igreja mais Santa
e de um mundo mais humano e solidário,
em que cada peça deste maravilhoso puzzle seja o verso da Tua face!
Que seja tudo para todos:
Com as crianças, os idosos e os doentes, os primeiros apóstolos da família;
Com os emigrantes que levam memórias e trazem o pão;
Com os jovens, de abraço fraterno e disponibilidade absoluta para servir;
Com os casais, homens e mulheres das nossas comunidades que, com o seu trabalho,
as suas associações, as suas organizações, nos aproximam das belezas da criação.
Senhor,
A oração das horas de cada dia e no altar da eucaristia
Renove todos os passos da minha vida,
Uma vida que seja oração e consagração em todas as obras que edifique.
E quando o sol aparecer no meu horizonte definitivo,
Que eu esteja pronto para a última jornada!
E quando o meu olhar se declinar sobre a Tua cruz,
e vir nela reflectido o meu próprio rosto, possa testemunhar aos que me confiaste:
“Como S. Paulo, combati o bom combate, guardei a fé!
Que se erga uma nova manhã, plena de vocações,
para continuar a unir como fazem as pontes!”