As mudanças que sonhamos operar começam sempre dentro dos organismos.
quinta-feira, 23 de junho de 2016
Novas responsabilidades, Aveiro 22 de junho de 2016
As mudanças que sonhamos operar começam sempre dentro dos organismos.
terça-feira, 21 de junho de 2016
A lista
| M. Oliveira de Sousa |
A obra de António Marujo – pertinente, fundamentada, trabalho
de investigação de excelente leitura,… como é próprio ao autor! – trata a “biografia
do Padre Joaquim Carreira, personagem muito relevante da História de Portugal
no século XX, mas quase desconhecido no nosso país. Escrita por António Marujo,
que tem investigado sobre a vida deste padre nos últimos anos, esta obra
mostrará como Joaquim Carreira abrigou judeus durante a ocupação nazi de Roma,
entre Setembro de 1943 e Julho de 1944, quando era reitor do Colégio Pontifício
Português da capital italiana. Os seus esforços e coragem foram já reconhecidos
pelo Yad Vashem, o Memorial do Holocausto de Jerusalém, tendo sido o quarto
português a entrar na lista desta instituição” (sic, sinopse institucional).
Não podíamos, ao acompanhar o Pe Carreira por Roma, deixar
de lembrar outras listas – umas mais antigas, outras mais recentes – com a mesma
causa na sua génese: a construção da casa comum com que não nos entendemos, nem
no projeto nem nas responsabilidades de cada um, na maioria das vezes
superadas, destruídas, envilecidas por quem tem a obrigação de cuidar do bem
comum!
Nem de propósito, António Marujo, uma obra lançada quase em
“cima” do Dia Mundial do Refugiado (20 de junho)!
Continuamos em movimentos sem sentido! E a errância pelo
mundo é anacrónica, como refere o relatório do ACNUR (traduzido em português do
Brasil):
O relatório “Tendências
Globais”, que regista o deslocamento forçado ao redor do mundo com base em
dados dos governos, de agências parceiras e do próprio ACNUR, aponta um total
de 65,3 milhões de pessoas deslocadas por guerras e conflitos até o final de
2015 – um aumento de quase 10% se comparado com o total de 59,5 milhões de
pessoas deslocadas registradas em 2014. Esta é a primeira vez que os números de
deslocamento forçado ultrapassaram o marco de 60 milhões de pessoas.
Comparado com a
população mundial de 7,349 bilhões de pessoas, estes números significam que 1 a
cada 113 pessoas é hoje solicitante de refúgio, deslocado interno ou refugiado
– um nível sem precedentes para o ACNUR. No total, existem mais pessoas
forçadas a se deslocar por guerras e conflitos do que a população do Reino
Unido, da França ou da Itália.
Entre os países analisados, alguns destacam-se por serem a
principal origem de refugiados no mundo. Síria (com 4,9 milhões de refugiados),
Afeganistão (com 2,7 milhões) e Somália (com 1,1 milhão) totalizam mais da
metade dos refugiados sob o mandato do ACNUR. Os países com maior número de
deslocados internos são Colômbia (6,9 milhões), Síria (6,6 milhões) e Iraque
(4,4 milhões). O Iêmen, em 2015, foi o país que mais ocasionou novos deslocados
internos – 2,5 milhões de pessoas, ou 9% de sua população.
Como companheiros da mesma caminhada, somos todos membros
desta lista de pessoas com nome e rosto!
O que podemos fazer juntos?
quarta-feira, 20 de abril de 2016
Volátil: Brasil
O mundo corre veloz, volátil, e o que se comenta e fomenta
previamente sobre os factos acaba por determinar a construção dos mesmos e,
consequentemente, o seu desfecho.
O exemplo mais recente – que decorre! – é o que se passa no
Brasil.
O Brasil está, em termos de Governo Federal, devido ao
processo de destituição da Presidente, num impasse. Isto é, na verdade está sem
Presidente (e o sistema é presidencialista!) e sem Governo, porque compete ao/à
Presidente nomear o Governo.
A situação, no essencial tem a sua complexidade. Porém,
resume-se a pouco: há vários processos à volta de corrupção e peculato (com
nome de “arquivo” judicial “Petrolão”, Lava Jato”,….) que decorrem sobre muitas
personalidades brasileiras, evidenciando empresários e responsáveis pela
condução política do país.
Mais do que tudo o que se passa no Brasil, mais do que o
essencial, é displicência não ver também a forma como as coisas são feitas. Porque
à própria Presidente do Brasil, com ou sem razão (como toda a gente desconhecem-se
razões substanciais) é movido este processo de destituição sem que ela esteja
apontada em qualquer caso judicial ou outro. Aparentemente apenas pela forma –
a gota de água?! Mas apenas a forma! – como terá protegido Lula da Silva ao
querer nomeá-lo Ministro.
Foi? Não foi? Ao ver a forma (outra vez) como os deputados
manifestavam o seu voto tudo parecia muito estranho, sem fundamento.
Esta volatilidade da verdade chega a parecer mentira! O que
nos recorda Alberto Caeiro (O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando
Pessoa):
Olá, guardador de rebanhos,
Aí à beira da estrada,
Que te diz o vento que passa?
Que é vento, e que passa,
E que já passou antes,
E que passará depois.
E a ti o que te diz?
Muita cousa mais do que isso.
Fala-me de muitas outras cousas.
De memórias e de saudades
E de cousas que nunca foram.
Nunca ouviste passar o vento.
O vento só fala do vento.
O que lhe ouviste foi mentira,
E a mentira está em ti.
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Offshore, of course!
É inevitável olhar para o tema (offshore)!
Contudo sentimos que é importante abordar o assunto sobre a
perspetiva ética, em ordem ao bem comum.
Concordamos que o problema dos denominados paraísos
(metáfora para designar onde tudo decorre na perfeição) dos “fora de costa” –
expressão herdada do tempo dos corsários quando guardavam o saque em ilhas fora
da costa para que não fosse facilmente detetável – é acima de tudo uma questão
de solidariedade:
“Uma possibilidade de ajuda para o desenvolvimento poderia
derivar da aplicação eficaz da chamada subsidiariedade fiscal, que permitiria
aos cidadãos decidirem a destinação de quotas dos seus impostos pagos ao
Estado. Evitando degenerações particularistas, isso pode servir de incentivo
para formas de solidariedade social a partir de baixo, com óbvios benefícios
também na vertente da solidariedade para o desenvolvimento” (Caritas in Veritate, 60).
Importa recordar que o assunto há muito tempo que tem sido
tratado com singular relevância. Recordemos o que o Papa Bento XVI aborda a
questão, principalmente na encíclica Caritas
in Veritate (29 de junho 2009), onde elenca quatro elementos essenciais
para superar a crise económica: a necessidade de mudar os costumes éticos, um
novo governo no mundo das finanças, a promoção da justiça social e do
desenvolvimento dos povos, e a necessidade de colocar as pessoas no centro do
desenvolvimento.
Também o Pontifício Conselho “Justiça e Paz” numa reunião da
ONU, realizada em Doha (Qatar) de 29 novembro a 2 dezembro de 2008, o Vaticano
critica os chamados “paraísos fiscais” ou “centros financeiros offshore”,
culpando-os, tanto de transmitir a crise como de ter causado o seu desenvolvimento,
e indica como questões importantes: “o rastreio das transações financeiras, a
prestação de contas das operações sobre os novos instrumentos financeiros, e a
cuidadosa avaliação de riscos”.
Uma prova do compromisso de Bento XVI neste sentido é a decisão de aplicar a todas as agências da Santa Sé as normas internacionais contra a fraude e lavagem de dinheiro, instituindo uma Autoridade de Informação Financeira (IDA) projetado para monitorizar a implementação com um motu próprio, de 30 de dezembro de 2010.
Uma prova do compromisso de Bento XVI neste sentido é a decisão de aplicar a todas as agências da Santa Sé as normas internacionais contra a fraude e lavagem de dinheiro, instituindo uma Autoridade de Informação Financeira (IDA) projetado para monitorizar a implementação com um motu próprio, de 30 de dezembro de 2010.
“É claro” (of course)
que isto (offshore) só existe porque
não há vontade/capacidade de resolver a pirataria!
O que fazer? Começar em casa e no que está próximo!
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