Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Fratria

 

Nas voltas que a vida suscita, patrocina, obriga – sem ter de ser necessariamente por esta ordem nem cadência – encontramos tanta imprevisibilidade, vai-se constatando porque sabe-se desde o ato de nascer, que é altamente improvável que alguém se sinta seguro do desempenho que protagoniza durante mais tempo que o tempo que lhe é confiado. Portanto, a única certeza, a partir do início da função, é saber que vai sair dela (dela, função; dela, vida; dela, tudo o resto). Em suma, estando certos que tudo cessa, a principal missão é fazer o melhor para que prevalece a dignidade em todos os momentos: se o dono da casa soubesse a que horas viria o ladrão, estava vigilante para evitar a intrusão e o dano!

Sobejamente avisados, por maior que seja o barulho da gritaria um facto sucederá a outro, a história seguirá o seu rumo com ajuda dos que fazem e dos que reclamam que fazem. Todos darão o seu contributo quando ao entardecer se chegar a qualquer porto!

E as voltas mais recentes da vida e da vida em Portugal fazem cruzar o pensamento político de Mário Sacramento (editado no volume Fratria) com a nova dinâmica social introduzida pelo movimento do universo político.

Mário Sacramento pensou na nova estrutura social baseada em três níveis, no período pre-homérico. Em primeiro lugar estavam os eupátridas (bem-nascidos), que por serem mais próximos no parentesco do chefe do antigo Genos ficaram com as melhores terras, monopolizaram os equipamentos de guerra e ficaram com todo o poder formando uma aristocracia baseada na terra. Em segundo lugar estavam os georgoi (agricultores), enquadrados em um patamar médio, ficaram com a periferia. E na camada mais baixa da nova sociedade estavam os Thetas (marginais), desprovidos de terras e completamente marginalizados. A nova aristocracia ficou com o poder e era denominada de fratrias, que formavam em grupo as tribos. A união destas tribos fez surgir as cidades-estado chamadas de Pólis. Nos século IX e VIII a.C. surgiram aproximadamente 160 pólis na Grécia, sendo que cada uma possuía seu templo em uma região elevada da cidade, o qual era chamado de Acrópole. Os Basileus eram os governantes da pólis, mas tinham o poder limitado pelos eupátridas. Tentaram dar um golpe para tomar o poder máximo, mas foram impedidos e substituídos pelos Arcondes, que eram indicados anualmente pelo Conselho dos Aristocratas.

Tantas voltas que o mundo deu… E agora tem de pular novamente e avançar!

terça-feira, 29 de julho de 2014

Insolvências

 

Aveiro vai em quinto lugar. Preocupante! Preocupante pelo país (2772 empresas no primeiro semestre) e preocupante por esta região cheia de potencial (6,6% destas empresas estão em Aveiro).

A entrar no período estival, de alguma descontração motivada pelos dias que passam vivos, claros, cheios de luz e sol, um estudo da COSEC (www.cosec.pt) ajudará a refocar os interesses sociais que o dinamismo económico e as suas consequências impactam na vida dos cidadãos, das pessoas. É uma sugestão de leitura, uma leitura com várias leituras. Estes números mostram pessoas, famílias.

A COSEC procede, diariamente, à consulta da Parte D da 2ª Série do Diário da República e ao registo informático, de todos os Atos dos Tribunais, do Ministério Público e dos respetivos Conselhos Superiores relativos a todas as entidades que sejam Pessoa Coletiva ou Empresário em Nome Individual. Em termos de tratamento da informação, e no que às situações de Insolvência diz respeito, é registada e sistematizada a “Sentença de Declaração da Insolvência”.

As Microempresas continuam a ser as mais afetadas, representando cerca de 68% das insolvências registadas. 26% do total das empresas insolventes são do sector da Construção e 20% do sector de Serviços.

A insolvência é uma situação em que o devedor tem prestações a cumprir superiores aos rendimentos que recebe. Portanto um insolvente não consegue cumprir as suas obrigações (pagamentos). Uma pessoa ou empresa insolvente poderá no final de um processo ser declarada em definitivamente insolvente, em falência ou em recuperação.

As pessoas em conversa coloquial costumam confundir os termos insolvência e falência. Estas palavras têm significados económicos e jurídicos distintos, sendo que falência é um estado em que o devedor é responsável por mais dívidas do que os bens que possui. Uma empresa ou pessoa falida não estão automaticamente insolventes e vice-versa.

Para completar esta nota antes da interrupção de férias do “Correio do Vouga”, sublinhe-se que o portal das insolvências (www.insolvencia.pt) tem por missão prestar informação e esclarecimentos sobre os processos em causa, reestruturação e hipóteses de recuperação.

Uma leitura com várias leituras, de facto.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Limites da (in)competência

 

O caso do dia é a prova dos professores.

Pensemos a circunstância com objetividade. Garantido o direito de acesso à educação para todos, para bem do país, para o seu desenvolvimento cultural e científico com consequências diretas em todas as outras áreas (económica, financeira, bem estar,… o que será de um país sem médicos, engenheiros, arquitetos,… profissionais qualificados!?), foi necessário aumentar a quantidade e melhorar a qualidade da preparação dos professores. Por isso, foram criados cursos via ensino nas universidades. Estava avalizada a qualidade dos docentes.

O que é que alterou este horizonte? Três domínios macro:

- não houve um plano (ou faltou coragem para ser aplicado) para evitar que a oferta viesse a ser maior que a procura. Com a curva descendente da natalidade de forma abrupta, o número de professores passou a ser elevado;

- depois surgem medidas de política educativa que continuam a fazer oscilar e a cair em ritmo acelerado de experimentação desmedida o currículo: à criação de mais disciplinas ou áreas curriculares não disciplinares e à escola com outras valências fundamentais (pré-escolar, inglês, expressões, informática,…), que implicaram mais docentes no sistema de ensino, mais qualidade, contrapôs-se a extinção e uns minutos de malabarista;

- surge a necessidade de cortar nos gastos…não se atacaram os gastos sumptuosos à vista nas Parcerias Público-Privadas, nas rendas de duvidosa transparência, os disparates e dislates bancários. E, o que aconteceu, cortou-se nos que menos podem (educação, reformados, saúde,…).

Ou seja, emagreceu-se o currículo, despediram-se professores, aumentou-se o número de alunos por turma, o suficiente para retirar a possibilidade a muitos de aspiraram à carreira docente. Portanto, já não é necessário mais nenhum atropelo, não havendo horários para a docência nas escolas não há professores a mais. Mas isto não bastou!

Foi criada uma aberração casmurra: uma prova! Uma prova que não serve para nada. O sistema já não consegue, como referimos, receber mais ninguém. Portanto, dá a ideia de ser, até pelos custos de inscrição na mesma, uma medida do género da taxa sobre os sacos plástico, mais uma fonte de receita para o Estado. Ridículo. Limite da (in)competência

Sempre que um professor ou uma professora se expõem na luta pela dignidade do sistema e políticas educativas está a lutar por melhor educação, pela melhoria do processo ensino-aprendizagem.

O professor é o último reduto de equilíbrio social e dos primeiros na vanguarda para o desenvolvimento de melhores condições de vida. O primeiro será, naturalmente, a base da proficiência, a família. Mas, depois, quem acompanha, faz suscitar, ajuda a desenvolver essa proficiência é o professor. Este laço fontal foi quebrado por um conjunto de agressões (políticas educativas) que fez crer que a escola passou de substantivo a adjetivo, isto é, de sebenta (com origem no particípio presente ‘sapiente’ de onde deriva ‘sabença’ ,‘sapientia’) para sebenta (imundo, sujo, sebento). Sem recursos, sem meios, sem condições o que é se espera?

É triste tudo isto mas “quem não sente não é filho de boa gente”! E os professores eram das profissões que mais confiança transmitiam; ajudavam a arrumar as ideias, a pensar, a ser! Portanto, para alguns “campos ideológicos dos corredores do poder” (pouco recomendável) uma frente de batalha que interessa dispersar, dominar, diminuir.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Lições de um Mundial: até parece que há vida!

 

A concluir a vigésima edição do campeonato do mundo de futebol entre seleções ou Taça do Mundo FIFA, genericamente designado por “Mundial de Futebol”, depreendem-se dados (curiosidades, porventura) já clássicos e emergem outros que ajudarão a redimensionar a compreensão do fenómeno futebol. O futebol nesta grandeza é algo que supera muitos modelos orgânicos e organizacionais, quase que se pode afirmar, com pouca margem de erro mas, com toda a certeza, abrindo espaço à discordância e exposição crítica, não há nada que se assemelhe a nível planetário.

O jogo em si mesmo não tem nada de especial. Vinte e dois indivíduos a correr atrás de uma bola, chutando-a de um lado para o outro, através de pequenas habilidades pessoais e combinações prévias ou fortuitas, com o objetivo de a fazer ultrapassar e evitar que ultrapasse uma determinada linha delimitada na sua extensão e altura. Lá pelo meio e à volta seguem os juízes. Têm um papel secundaríssimo para o jogo em si mas podem mudar a história de um momento para o outro sem que nada lhes aconteça (a não ser ficar na história por motivos pouco abonatórios).

Então, o que faz isto extraordinário?

Desde o início do futebol, o que se mantém, nota-se e amplia-se a escalada da projeção emocional sobre cada pormenor, sobre cada movimento, elevada à superação de cada interveniente e do coletivo sobre o antagonista. Ou seja, há algo de primitivo na glorificação que o humano concede a si próprio na criação de adversidades e adversários para os poder vencer e gloriar-se! (Os grandes felinos – também - preferem caçar as vítimas em corrida!?)

Depois veio o mediatismo que concentrou e concentra ainda mais os sentidos sobre o momento.

Exponenciou-se a tecnologia para valorizar o que os sentidos não captam.

E a tudo isto adicionou-se valor em dinheiro! A cereja no topo do bolo.

Não há nada no mundo com o mesmo impacto simultâneo. Nenhuma outra ação humana aglutina a força dos símbolos nacionais (a cor, a bandeira, o hino), a comunicação, a agitação social, o contraste de sentimentos antagónicos (alegria e tristeza), a alienação nutrida pelo próximo embate, sentimento coletivo… e tanto movimento económico-financeiro!

O Mundial de Futebol é também um Estado supra Estados. Chega, impõe as regras, provoca mudanças radicais em todas as áreas de mobilização (redes de toda a natureza) e edificação social (estádios, hotéis, acessos,… jardins) e depois ficam os destroços! Terminou, partiram. Para trás fica tudo como antes e pior que isso.

Há rostos sem responsabilidade de nada - os presidentes das entidades do futebol são uma espécie de relações públicas sem conhecimento e responsabilidade de nada. Tudo acontece, tudo passa, eles permanecem intocáveis.

Porém, quando acaba um Mundial, o mundo como que sai de um estado de letargia para voltar ao normal!

Depois do Mundial de Futebol até parece que há vida, não é?

Ah! Portugal fez história nos Europeus de canoagem! Conseguiu o seu melhor desempenho de sempre em Europeus de canoagem de pista, com seis medalhas. E Emanuel Silva e João Ribeiro juntaram, no passado domingo, o título Europeu ao Mundial conquistado em 2013!

Que coisa estranha que se entranha e mexe com as pessoas!