Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 9 de abril de 2013

O precipício

Conta-se, em tom jocoso, anedótico, que no momento de início de funções, em jeito de balanço do trabalho produzido pelo executivo anterior, um determinado líder terá prometido: “amigos, com a direção anterior, a nossa organização chegou à beira do abismo!” – apesar de pouco elegante, percebe-se a análise no entusiasmo do momento.
A completar a ideia, veio o remate final, a chave apoteótica – aquela ênfase que espera um encerramento alegre, grandioso, normalmente a culminar com uma estrondosa salva de palmas: “… comigo, vamos dar um passo em frente!”
Ou seja, uma promessa tão esperançosa conduziu os presentes para o receoso precipício!
É aqui que estamos: à beira do abismo! Será que vamos dar um passo em frente?
Tudo nos sugere que, pela forma e fórmula expostas, valerá muito mais dar um passo à retaguarda para poder dar o salto para um futuro melhor.
É urgente dar ferramentas aos criativos e aos jovens para patentearem as suas ideias e fomentarem novas oportunidades.
O jornal Expresso, no âmbito dos seus quarenta anos, dedicou a Aveiro a última edição. Fez manchete com o facto de estarmos perante um caso de esperançoso sucesso: Silicon Valley. Tanto mais que a Universidade de Aveiro fez a apresentação pública e divulgação de finalistas dos Projetos empreendedores a caminho de Silicon Valley.
Neste evento de encerramento dos quatro concursos promovidos pelo Aveiro Empreendedor (CMA|AGIR, AIDA, UA|AAAUA e IEUA Start), os 15 projetos finalistas apresentarão as suas ideias através de um pitch. Os quatro projetos vencedores, irão usufruir de um Programa de Imersão em Silicon Valley.
Como não faltam ideias para pantear, apenas faltará “engenharia financeira” para transformar estes projectos em produto de mercado e com isto… saltar o precipício.
Em boa verdade, também serão necessárias outras estratégias e outros decisores para da dificuldade fazer oportunidade.








terça-feira, 26 de março de 2013

Ar fresco


Um pouco por todo o lado, de uma forma mais acentuada e conhecida nos últimos tempos, devido ao desenvolvimento das redes de comunicação e universalidade de acesso às mesmas, o espaço público, em termos de opinião e decisão, assumiu praticamente o que pejorativamente se intitula “lavadouro de roupa suja”.
Há tensões por todo o lado. Uma frase, uma árvore que se plante, uma ideia que se tenha, tudo, rigorosamente tudo, é extrapolado, distorcido, empolado,… colocado no “altar dos sacrifícios”, se possível, “queimado vivo” – o mesmo será dizer, destruir.
Há um clima de crispação sobre a terra! – relembramos o assunto da semana passada, ergam-se novas lideranças.
A título exemplificativo – como se tal fosse necessário?! - O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schauble, disse, durante uma entrevista televisiva, citada pela agência AFP, que as críticas feitas à Alemanha se devem "à inveja" dos outros países.
“Sempre foi assim. É como numa turma [na escola], quando temos os melhores resultados, os que têm um pouco mais de dificuldades são um pouco invejosos”, afirmou o ministro, na cadeia de televisão pública ZDF, em resposta a uma questão sobre as críticas que se multiplicam contra a Alemanha, em particular na Europa do Sul.
Será que um estadista pode ter comentários de colegial, de aluno de escola, de “delegado de turma”?!
É este o ar que se respira pela Europa, um pouco pelo mundo: confronto! Sempre em confrontação.
Nesta semana e quadra, é necessário recuperar uma nova Páscoa, inspirada e respirada!
Os odores da urze, do alecrim, da alfazema,… também podem ser recuperados. Compete a quem pode, acredita, vive, proporcionar uma renovação deste clima pestilento. Onde não houver lugar para o Cristo que se encontre Jesus. Este calvário tem de chegar à ressurreição! Se não for pela fé que seja pelas obras de um humanismo cada vez mais solidário!





quarta-feira, 20 de março de 2013

Uma nova primavera quando se mata para comer

 
O mundo é conduzido, pese o facto do realismo talvez exacerbado, nomeio de muita bruma. Bulcões ameaçadores erguem-se no horizonte. – E não é caso para menos!
Sobre esta ditadura da “Finança”, dominada por agiotas que liquidaram a democracia e a legitimação do poder pelos cidadãos, tudo é taxada, sob e sobretaxado em nome das metas do deficit. É necessário pagar a quem se deve mas será legítimo matar (tudo) apenas para alguns comerem?! É imperioso colocar a questão, tal como temos insistido. Isto está a fazer lembrar uma caçada do tempo do Absolutismo!?
Às vezes, dados os rumos protagonizados, somos levados á tentação de pensar nos alertas de Eisenhower “Nas assembleias parlamentares, devemos ter cuidado com o crescimento da influência, tanto clara quanto oculta, do complexo militar-industrial. Há um risco de que cresça desastrosamente o poder nas mãos de pessoas erradas, e esse risco continuará a existir no futuro. Não devemos permitir que o peso dessa mistura de poderes ponha em perigo as nossas liberdades ou os processos democráticos. E não devemos achar nada óbvio: apenas cidadãos vigilantes e bem informados podem impor um equilíbrio adequado entre a enorme máquina militar-industrial e nossos métodos e objetivos pacíficos, a fim de que a segurança e a liberdade possam prosperar juntas.” (17 de janeiro de 1961). É a primeira vez que se utiliza a expressão “complexo militar-industrial” para indicar um agregado de interesses capaz de influenciar a política interna e externa dos Estados Unidos da América.
O complexo militar-industrial gera receitas, dinheiro que escraviza, mata, atrofia, esgota recursos, cria tensões sociais, anula a legitimação do poder, … tudo em nome do lucro!
Entre vários cúmulos, está (agora) o caso cipriota: uma taxa especial sobre as poupanças?! É uma vergonha. Trata-se de ir roubar aos pobres o pouco que conseguem poupar. Os que têm muita “poupança” já fizeram as acauteladas deslocações para os “paraísos” do mundo!
Contudo (se é mesmo com tudo?!), na introdução a este período “antes do verão” consolida-se a primavera, tanto mais que quando a 8 de Dezembro de 1965 se celebrava, na Praça de São Pedro, em Roma, sob a presidência do Papa Paulo VI, o encerramento do Concílio Vaticano II, considerado o maior acontecimento eclesial do século XX, despertou uma nova primavera na Igreja, reconduzindo-a à frescura da fonte original do cristianismo e, por outro lado, abriu-a à novidade da cultura do mundo moderno. Desde essa data, os documentos conciliares, tem sido a bússola que guia a ação da Igreja – aludiu então José Luis Martín Descalzo. A primavera de então, pelo equinócio, pelos resultados do Conclave, pelos gestos iniciais do Papa, pela natureza que inspira o nome escolhido (Francisco) dão indicações de estarmos perante uma nova era; que o seja!
(Jornal “Correio do Vouga”, 2013.03.18)






terça-feira, 5 de março de 2013

Os números e o descontentamento

O país saiu à rua!
Mas terá sido todo o país? Terão estado dez milhões de pessoas a marchar contra a troika? “Que se lixe isso” – parafraseando um eventual cartaz.
O essencial está nas ideias para o governo, segundo alguns, ou desgoverno, segundo a maioria, do país. É óbvio que a grande maioria das pessoas quer apenas ter condições para honrar os seus compromissos!
Salvo raras exceções, todos os anos, em janeiro, esperavam-se (sempre) novos aumentos: nos salários, nos combustíveis, nos transportes,… em tudo mas sobretudo nos salários, no poder de compra. Subiu-se tanto, sobretudo em qualidade de vida e na dívida da mesma, nos últimos trinta anos, que obrigar as pessoas a perderem tudo o que acreditaram, lutaram e, justamente, atingiram não pode ser feito num ano ou dois e, de maneira particular, à custa de juros sobre dívidas que, apesar de indiretamente partilhadas, teria sido mais prudente ter acautelado evitando loucuras: submarinos, autoestradas, “intoxicação subsidiária” do tecido produtivo…
Como está até parece claro que só duas dicotomias na orientação dos atuais governantes europeus: trabalhadores mais pobres – maiores margens de lucro; austeridade (para as massas) – oligocracia (no poder).
Mas isto das dívidas dos países não é contabilidade de merceeiro ou agiota, são acordos de solidariedade soberana e interdependências.
Todos sabemos, com os devidos ajustes aos contextos atuais, mas Sérgio Aníbal recorda-o, num artigo no “Público”, há 60 anos, 70 países decidiram perdoar quase dois terços da dívida externa alemã. O país duplicou o seu PIB na década seguinte.
Com a troika em Portugal e com o Governo, os partidos da oposição e os parceiros sociais a pedirem uma melhoria das condições dos empréstimos que foram concedidos ao país, uma efeméride registada na passada semana dificilmente poderia passar em claro. Na quarta-feira, concluíram-se 60 anos desde que foi assinado o acordo de perdão de dívida entre a República Federal da Alemanha e os seus credores, onde se destacavam os Estados Unidos, o Reino Unido e a França, mas onde também surgia a Grécia.
A 27 de Fevereiro de 1953, a economia alemã, que tinha atingido o fundo após a II Guerra Mundial, deu um passo decisivo para uma recuperação classificada por muitos como milagrosa. Desembaraçou-se de quase dois terços da sua dívida externa e iniciou uma década em que conseguiu duplicar o seu PIB.
Haja quem explique quando e como, num país como o nosso, com um PIB na ordem dos 160 mil milhões de euros, podemos desembaraçar-nos deste peso da dívida e recuperar a soberania? – basta de engodos e demagogias, razão do nosso descontentamento.
( in “Correio do Vouga”, 2013.03.06)