Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 10 de julho de 2012

A partícula redimida


A partícula redimida
A origem do apelido “a partícula de Deus” terá início numa circunstância meramente acidental?! É provável.
Nos anos 90, Leo Lederman, um Prémio Nobel, decidiu escrever um livro de divulgação sobre a física de partículas. No texto, Lederman referia-se ao bosão de Higgs como “The Goddamn Particle” (“A Partícula Maldita”) pela dificuldade em ser detetada.
O editor do livro decidiu, sabe-se lá porquê, mudar o termo “The Goddamn Particle” para “The God Particle” e assim “A Partícula Maldita” converteu-se na "Partícula de Deus”.
Esta particula começou a ter expressão na investigação quando, em 1964, uma equipa liderada pelo físico inglês Peter Higgs, propôs a seguinte solução: todo o espaço está cheio de um campo, que não podemos ver, mas que interage com as partículas fundamentais. O eletrão interage muito pouco com esse campo e, por isso, tem uma massa tão pequena. O quark “cimo” interage muito fortemente com o campo e, por isso, tem uma massa muito maior.
Entre as analogias mais comuns para fazer compreender o conceito, dá-se a comparação entre uma sardinha, por exemplo, e uma baleia. A sardinha nada muito rapidamente porque é mais pequena, tem pouca água ao redor. A baleia é muito grande, tem muita água ao seu redor e, por isso, move-se mais devagar. Neste exemplo, “a água” tem um papel semelhante ao “campo de Higgs”. Esta teoria, entre outras hipóteses de estudo que abre à investigação, vem trazer mais um contributo para a compreensão da massa de todas as partículas, originada por um campo que enche todo o Universo.
Esta massa, que não se vê, permite colocar o acento noutras massas que também não se veem mas sabemos que são poderosas e interagem condicionando ou querendo condicionar a existência humana.
Em termos sociais é um expressivo caso de estudo: as massas! A energia que é necessário para as mover.
Cada vez mais torna-se importante estar atento aos pormenores para descortinar por onde se movem as forças do universo!
Nunca é suficiente o que já se fez. O mais importante é o que ainda não está feito, nomeadamente encontrar espaço para a Memória.
Parece claro que o equilíbrio de forças está muito tendencioso, e nem sempre pelas melhores motivações.
(in Correio do Vouga, 2012.07.11)











terça-feira, 26 de junho de 2012

A lei e a ética

 
O debate é antigo. Levanta-se novamente a questão a propósito da greve, ou das greves.
O setor dos transportes está há dias, o que para parte significa da opinião pública são muitos dias, a fazer greve.  Nesta atividade económica, a dos transportes, a “cântara vai muitas vezes à mesma fonte”, o que se aceita na lei mas poder-se-á questionar, suspeitar, no domínio da ética!
Nos feriados municipais de Lisboa e Porto, algumas profissões do setor ferroviário, e a ele administrativamente associado, fizeram ouvir a reclamação dos seus direitos com recurso à greve.
Agora, sob acusação de terrorismo económico, por parte dos hoteleiros de Portugal, também os controladores aéreos e pilotos apresentaram o pré-aviso de greve. As tensões sociais vão aumentando de tom.
Cada vez que se ouve um dos lados da questão, fica a verdade comprometida, tal a violência das expressões entre a ênfase dada às reivindicações, a justiça da reivindicação, compreensão dos motivos no contexto temporal ou oportunidade para ser realçada a ação.
Colocar o assunto na perspetiva de análise em contraponto ética – lei poderá ser um abuso. A humanização da vida e da vida com qualidade nas suas variáveis será sempre um direito e é princípio de qualquer quadro ético. Mesmo assim, pelas coincidências e oportunidades mas principalmente por nunca se saber a verdade dos lados, valerá entender estas movimentações.
Seria importante ter um observatório para a ética da greve.
Esta ferramenta, o observatório, se garantisse a autenticidade dos dados e justiça dos objetivos, daria um grande contributo para a salvaguarda de todos e de tudo; incluindo a lei e a ética.
Com pouca informação sobre as causas, sem conhecimento aprofundado dos motivos, fica tudo muito comprometido. Não é bom entender um fenómeno apenas pelas suas consequências.
Nestas greves, serão justas as causas? Ganha o setor e o país maior dignidade e desenvolvimento? Está garantido o princípio da proporcionalidade?
Aparentemente, o direito à greve atolou-se em rodriguinhos de setor ou classe que já não tem muita ética! E assim, o que poderia ser uma ferramenta fundamental de mudança passou a ser entendido, pelo peso do deve e haver, como mais um motivo para os mesmos, os mais poderosos, terem ainda mais.
Os pobres serão cada vez mais pobres. O país também.
(in Correio do Vouga, 2012.06.27)












terça-feira, 19 de junho de 2012

Sentar para pensar e agir melhor


Há muitas formas de pensar, refletir, amadurecer ideias! Também há diversas expressões para identificar o ato de ponderar, de reconhecer o processo mental ou faculdade do sistema mental em que os seres modelam o mundo, recriam metas, planos e desejos. O conceito de cognição, consciência, ideia, imaginação. O pensamento é considerado a expressão mais "palpável" do espírito humano, pois através de imagens e ideias pode ajudar a descobrir a pessoa, as suas intenções, a vontade, os valores, o sonho! E, evocando Carlos de Oliveira, cantado por Manuel Freire, clamado por Manuel Alegre, este bastião pode ser inquebrantável pouco ou nada pode se consegue há machado que corte a raiz, isto é, não há machado que corte a raiz ao pensamento!
Mais do que uma contestação, sentar para pensar, é uma urgência!
Teria acolhimento parar, sem que isso significasse quietude, para aprofundar a causa das coisas e as potencialidades das pessoas?!
Há valor acrescentado que a transversalidade potencia para a realização de um projeto, diverso na consecução, único nos produtos: uma sociedade justa e solidariamente sustentada.
Poder-se-ia congregar as pessoas no que as motiva; identificar as motivações e ações; partilhar modelos de organização; reconhecer pluralidades de processos e objetivos; apurar, como resultado, uma iniciativa que ajudasse, com uma visão mais ampla, a solucionar um problema (coletivo)!
Por tudo o que vai emergindo, a crise verdadeiramente está na representação, nas figuras representativas de instituições, em quem os cidadãos delegaram o exercício do poder, a confiança da representação!
Está na hora de congregar as pessoas, de recrusceder a confiança, ser protagonista na comunidade que nos socializa!
Pode-se fazer melhor na escola, na família, na saúde, na economia, no emprego, na sustentabilidade comum,… com valores sociais e pessoais!
Como?
Pensar, ouvir todos, fazer tudo para que os mais capazes possam governar o mundo!
A representação, dos processos de democratização ocorridos ao longo do século XIX e XX, não passa do direito dos cidadãos elegerem os representantes e membros dos órgãos do Estado. Ou seja, a representação (política) é o modelo encontrado para, quem tem o poder, as pessoas, verdadeiros titulares do poder, confiarem, pelo voto, as decisões nas opções dos governantes. Porém, a “representação” enriqueceu, “aristocratizou-se em oligarquias”, caiu!
É urgente refundar a representação; parar para pensar. Há um novo modelo que interessa aprofundar, fazer emergir; entre todos, um dos que mais poderá servir as pessoas, será o modelo de “missão”!
(in Correio do Vouga, 2012.06.20)











terça-feira, 12 de junho de 2012

Jogar como nunca, perder como sempre

 
Em pleno Europeu de futebol (Polónia/Ucrânia 2012) a expressão do selecionador da equipa nacional de Portugal, após a derrota com a Alemanha, por 1-0, resume um certo estado de espírito que poderia ser de um clássico, dos anais da humanidade, por exemplo a Batalha da Floresta de Teutoburgo, também chamada de Desastre de Varo, em que, durante o outono de 9 d. C., perto de Bramsche, uma aliança de tribos germânicas chefiada por Armínio, da tribo dos queruscos, emboscou e dizimou três legiões romanas, lideradas por Públio Quintílio Varo, que o consideravam até então como aliado. Em consequência da batalha estabeleceu-se o Rio Reno como fronteira do Império Romano pelos séculos seguintes, fato que foi estabelecendo um distanciamento entre as culturas romanas e germânica e o declínio da influência romana no Ocidente.
Foi assim no passado e continuará a perdurar. Até quando?!
Agora os Germanos também dominam a Banca. Outra batalha para ser travada.
A Espanha, aparentemente, consegue resultados mais favoráveis (tem uma extensão maior?!), os povos do sul, os mais pobres, também nos exércitos de outra como agora, a base da sua sustentabilidade e recrutamento é entre os mais pobres, têm de procurar outras formas de renegociar. Continuam a trabalhar, a lutar como nunca e a perder como sempre!
Em vez de fomentar o desenvolvimento sustentável das capacidades dos europeus para romper com a crise, há como que uma espécie de aura que eterniza muitos com pouco ou nada, com toda a certeza para garantir que muito fique para poucos!
Veja-se nos campos, onde verdadeiramente é jogado o futuro das pessoas:
Os bancos estão a apertar cada vez mais a torneira do crédito à economia. Em abril, as instituições financeiras emprestaram apenas 4,3 mil milhões de euros, menos 604 milhões de euros, ou menos 12,3% que no mesmo mês do ano passado, revelam dados do Banco de Portugal, conhecidos esta segunda-feira.
Quando comparado com o mês anterior, o financiamento à economia encolheu 1,48 mil milhões, ou 25,6%.
As empresas absorveram mais de 86% do crédito concedido, o equivalente a 3,76 mil milhões de euros. Mesmo assim, só os grandes empréstimos às empresas (mais de um milhão de euros) aumentaram 5% face ao homólogo, para 2,24 mil milhões de euros.
Já os empréstimos às pequenas e médias empresas (PME) caíram 12,69% para 1,52 mil milhões de euros.
Também o crédito concedido às famílias caiu e representa agora apenas 13% do total. Uma das maiores quebras registadas no crédito a particulares foi na habitação: apenas 156 milhões, ou seja, menos 67% que no homólogo e menos 17% que em Março.
O crédito ao consumo também baixou 38% para 149 milhões de euros, tal como os empréstimos para outros fins: menos 23% para 258 milhões de euros.
Estes bancos estão loucos!
(in Correio do Vouga, 2012.06.13)