Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Indústrias culturais e criativas

 

Uma janela de esperança. Isso mesmo. É assim que entendemos e queremos dar destaque, nos tempos que (de)correm, a um “movimento” – as aspas são para realçar uma designação que é muito redutora – que é mais do que isso.

O termo indústria cultural foi introduzido pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max Horkheimer (1895-1973), para designar a situação da arte na sociedade capitalista industrial.

Membros da Escola de Frankfurt, os dois filósofos alemães empregaram o termo pela primeira vez no capítulo O iluminismo como mistificação das massas no ensaio Dialética do Esclarecimento, escrita em 1942, mas publicada somente em 1947.

Para os dois pensadores, a autonomia e poder crítico das obras artísticas derivariam de sua oposição à sociedade. Adorno e Horkheimer afirmavam que a máquina capitalista de reprodução e distribuição da cultura estaria a apagar, aos poucos, tanto a arte erudita quanto a arte popular. Isso estaria acontecer porque o valor crítico dessas duas formas artísticas era neutralizado por não permitir a participação dos seus espectadores.

A arte seria tratada simplesmente como objeto de mercadoria, estando sujeita as leis de oferta e procura do mercado. Encorajaria uma visão passiva e acrítica do mundo ao dar ao público apenas o que ele quer, desencorajando o esforço pessoal pela posse de uma nova experiência estética.

Apesar da crítica ao processo de massificação e mercantilização da arte e da rejeição da relação entre esta e a economia, alegando que a exploração e comercialização da cultura e da arte se transformam num processo industrial, do qual o homem é um mero instrumento de trabalho e consumo, a partir da década de 70 as atividades culturais, quando ainda não eram consideradas nas suas vertentes empresariais e comerciais, tornaram-se foco de atenção e sustentação por parte das políticas culturais.

Na década de 1980 o Greater London Council começou a utilizar o termo indústrias culturais para englobar atividades culturais que operavam como atividades comerciais, mas que não estavam integradas no sistema de financiamento público, sendo importantes fontes de riqueza e emprego. Por outro lado, uma parte significativa dos bens e serviços que a população consumia (tais como televisão, rádio, cinema, música, concertos, livros) não se relacionavam com o sistema público de financiamento.

O termo Indústrias Culturais surge, então, para expressar a ligação existente entre arte e economia, consequência do desenvolvimento das atividades culturais como importantes fontes de riqueza e trabalho e da necessidade de formulação, desenvolvimento e financiamento por parte das políticas públicas.

Nos anos 80, mas sobretudo já na década de 90, a rede iniciada vai estabelecendo organização das Indústrias Criativas, sobretudo nos anos 90, deve-se a uma tentativa de medir o contributo económico destas indústrias no Reino Unido, identificando, ao mesmo tempo, as oportunidades e ameaças que elas enfrentavam. Foram, então, definidos segmentos para o sector criativo, destacaram-se Publicidade, Arquitetura, as Artes e Antiquários, Artesanato, Design em geral e Design de Moda, Cinema e Vídeo, Software Interativo de Entretenimento, Música, Artes Performativas, Edição, Software e Serviços de Informática, Televisão e Rádio. Estendo que existem também relações económicas com outros domínios, tais como Turismo, Museus e Galerias, Património e Desporto.

Através de “Os Amigos d’Avenida”, movimento informal de cidadania, de Aveiro, estão a desenvolver-se novas vertentes, entre nós, das potencialidades económicas. Outros setores poder-se-ão acoplar, incrementar, estendendo, por exemplo, a Red(e) Ibero-americana Território & Economia Cultural e Criativa .

Não é verdade que a dificuldade aguça o engenho? E, já agora, a arte também.

(in Correio do Vouga, 2012.01.18)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Putrefação

 

A diminuição do analfabetismo em Portugal, o ideário republicano que completou (quase!) o ciclo ao fim de 100 anos, pode não ter proporcionado, isto é, não proporcionou mesmo, ao país os índices de desenvolvimento que seriam esperados e que, noutras sociedades e soberanias, tem ajudado a fomentar. Mais uma vez não conseguimos rentabilizar o investimento e a máxima de que “é cultural” não serve, não colhe. Primeiro porque isto é tudo menos cultura ou cultural, é disparate puro, calaceirice, marasmo, inoperância; depois, porque mesmo sem o conhecimento a que se pode aceder hoje já fomos (qualitativamente) mais. Porém, continuar a olhar para o passado glorioso pode concorrer para pararmos ainda mais em êxtase perante a obra feita, vale bem mais a pena lutar por uma purga, uma limpeza cultural.

Com isto e com o que referimos já de seguida, remetemos para a necessidade de recordar que o país já sabe ler; que a comunicação, mais bem tratada ou incentivada por interesses de sobrevivência ideológica ou comercial, está atenta e informa, dá razões de leitura.

As notícias, acontecimentos, ideias com mais impacto do que outras. Normalmente as razões não estão apenas centradas no ponto de partida ou no conteúdo em sim mesmo; há fatores endógenos, que são o interior, o centro do assunto, do acontecimento, e exógenos, os que influenciam externamente para que tal aconteça e, esses, uns e outros, acabam por gerar o “caldo” que determina tudo o resto. Isto é, a importância, a aparência, a mais-valia ou desprezo.

Portanto, já não é suficiente dizer que há grupos secretos (Maçonaria, Carbonária, Opus Dei, Partidocracia,…) ou menos secretos (Banca, Indústria dos Combustíveis, Offshores, Oliverdesportos, Fatura da EDP, Taxas associadas à fatura da água, Investimento Chinês,…) a manobrar a nossa vida. Isso é assim há muito, desde Adão e Eva. É preciso reconstruir com novos valores uma geração. E, no ano europeu do envelhecimento ativo e solidariedade entre gerações, seria interessante podermos conseguir algo nesse sentido: aprender com os erros do passado e varrer os corredores de muitos espaços de poder e decisão.

(in Correio do Vouga, 2012.01.11)

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

2012

 

Ei-lo.

Que saudades de um ano bissexto. Não sei porquê mas é agradável pensar que este ano é maior; é o ano, como todos os bissextos, em que acertamos as contas com os anteriores. Aqueles 365 dias e seis horas… deixam sempre em aberto qualquer coisa.

Como é preciso recuperar o tempo perdido, nada melhor que um ano um pouco maior. Com menos feriados e mais um dia, agora é que vamos mudar isto!

O bissexto desde a sua origem que tem gerado mudança. Reporto algumas curiosidades e elementos históricos.

O termo bissexto foi introduzido pelos Romanos. Nos últimos tempos da monarquia, por volta do século VI a.C., adotaram um calendário baseado nas mudanças de fase da Lua, com 355 dias distribuídos em 12 meses. O ano começava em Março, nome provem do deus da guerra Marte; neste mês começa a primavera no hemisfério norte, uma ótima época para iniciar campanhas militares, e terminava em janeiro, sendo que os meses tinham 29 ou 30 dias. Fevereiro era considerado de mau agouro e ficou com apenas 28 dias; o nome provem do latim Februarius, inspirado em Februus, deus da morte e da purificação na mitologia etrusca.

Mas, durante o Império, em 46 a.C., sob o governo de Júlio César, houve uma mudança significativa: o calendário passou a basear-se no ciclo solar. Os meses, então, mudaram todos para 30 ou 31 dias, somando 365 dias e 6 horas (ou 365,25 dias). Assim, a cada quatro anos as horas excedentes somariam um dia extra de 24 horas, que precisava ser acrescentado ao calendário.
A origem da expressão bissexto está na consequência da adoção do Calendário Juliano, em 45 a.C. quando Júlio César fez várias modificações no irregular Calendário Romano, de Numa Pompilio. Acrescentou dois meses Unodecembris e Duodecembris ao ano, deslocando assim Januarius e Februarius para o início do ano. Fixou os dias dos meses numa sequência de 31, 30, 31, 30… de Januarius a Duodecembris (Duodecembris com 30 dias), à exceção de Februarius que ficou com 29 dias e que, a cada três anos, seria de 30 dias.

Dividiam o mês em Calendas, Nonos e Idos. Eram três dias fixos. As calendas eram o primeiro dia de cada mês quando ocorria a Lua nova. É desta palavra que surge o termo calendário e a expressão calendas gregas, representando um dia que jamais chegará, pois era inexistente no calendário grego.

As nonas eram o quinto ou sétimo dia, de acordo com o mês (de trinta ou trinta e um dias). E os idos, o 13º ou 15º dia, pelas mesmas razões. Dos idos é que provém a expressão "nos idos de setembro" para expressar uma data para a segunda metade do mês.

Ao passar dos Idos e chegar próximo ao final do mês faziam-no em linguagem regressiva referindo “faltam 6 dias para as calendas de Março” ("Ante die VI (sextum) Kalendas Martias"), “faltam 5 dias para as calendas de Março”, porque popularmente mantinha-se a referência pelas fases da Lua.

Com esta forma de contagem, e não pela numeral sequencial que hoje usamos, nestes anos de 366 dias, o tal dia extra era normalmente inserido após o dia 24 de fevereiro, isto é, 6 dias antes das calendas de Março, o mês de Februarius teria então dois dias (bis) antes do sexto, que antecedia as Calendas de Março, ou seja, "bis sextum", era o mês do bissexto, que o Calendário Gregoriano (desde o século XVI), que hoje usamos, atribui ao ano no seu todo.

(in Correio do Vouga, 2012.01.04)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vamos emigrar

 

Um Primeiro Ministro europeu, no caso o português, acaba de “assinar” simbolicamente o tratado (europeu) sobre o reconhecimento da matriz cristã nos fundamentos culturais da constituição europeia, a sua natureza fundacional na organização dos Estados, mobilidade de pessoas, dinâmicas e sinergias económicas de produção de emprego e desenvolvimento social.

“Emigrem!”

Ou seja, o mercado da língua portuguesa está aberto, Tratado entre todos os “países irmãos”, para receber os portugueses, esse povo de diásporas.

Não?! Não há nada que assegure esta concretização?! Não há protocolos assinados para garantia de receção de vontades estrangeiras de procura esses países?! Irão eles próprios dispensar os seus profissionais e garantir o lugar a estes excelentes europeus? Irão os professores em Missão? Estará reaberto o Acordo Missionário?

Então isto é mesmo profético, devemos entender este fenómeno na perspetiva bíblica.

“Todo aquele que tiver deixado a sua casa, ou os seus irmãos, ou as suas irmãs, ou o seu pai, ou a sua mãe, ou a sua mulher, ou os seus filhos, ou as suas terras receberá cem vezes mais, e terá por herança a vida eterna”. Citação do Evangelho de São Lucas,cap.XIX,v.29.

Provavelmente tudo isto não terá passado de um equívoco bem medido.

Sem valor para garantir o futuro dos que cá estão; estando estudado que os novos emigrantes, que consigam triunfar, não estão disponíveis para investir em Portugal ou para aqui encaminhar as suas poupanças, há três saídas possíveis para a crise, com base nesta solução final: pôr os portugueses ativos para fora (não há receita mas também não haverá despesas diretas com estes); fechar o país para liquidação total; salientar o “dever” de fé: não há nada que potencie as capacidades dos portugueses na diáspora mas todos têm obrigação, como bons cidadãos europeus, de acreditar que terão a herança eterna!

(in Correio do Vouga, 2011.12.20)