Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

RECONSTRUIR SEM SAIR

 

Há muito vimos a considerar que não seria possível vivermos com tanto produzindo tão pouco. Voltamos ao assunto.

A nossa vida só poderia estar em super deficit. Isto é, seguindo o exercício da contabilidade mais simples, recorrendo inclusivamente ao étimo da palavra, de origem latina, significa que há um saldo negativo. Num orçamento o saldo negativo ocorre quando os gastos ou despesas superam os ganhos ou receitas. Quando o saldo é negativo, o orçamento é chamado deficitário. O oposto, o que acontece com quem tem os lucros, também na linguagem contabilística, sucede o superavit, a diferença para mais entre uma despesa e uma receita.

Portugal necessita de soluções, de propostas concretas, sérias, exequíveis. Vamos apontar algumas hipóteses.

O que recebemos e transformámos em investimento, infraestruturas e equipamentos, não é “devolvível” a ninguém. Está cá, é de Portugal. Vamos retirar o usufruto. O essencial está nas estruturas (redes) viárias que cobrem o país, nos equipamentos industriais (parques) e culturais, clima, solo, parque habitacional.

Quais são os principais sectores onde somos deficitários e que trazem retorno imediato, sem ser os impostos, claro? Pão, indústria, conhecimento, habitação.

1 - Novas centralidades industriais, habitacionais e culturais – incentivos para a deslocalização (regresso) ao interior do país. E que incentivos num país pobre?! Basta uma reta distribuição de bens. O resto é da responsabilidade do Estado, no seu papel essencial, o de regulador e prestador de serviços que garanta a universalidade no acesso de todos aos cuidados essenciais de vida: justiça, saúde, conhecimento, segurança, igualdade de tratamento.

2 – Pão. Se acabar a avareza de intermediários (a começar em Bruxelas e associados) e houver a promoção dos mesmos princípios, é possível, no mínimo, a autossubsistência. O resto é dar espaço ao conhecimento e arte humana que Portugal possui.

3 – Faturação, cumprimentos, impostos,… Ninguém gosta de estar a ser ludibriado. O Estado está a ludibriar sistematicamente os cumpridores. Aumento de impostos e impostos que recaem sobre produtos duplamente tributados: taxas de transação de imóveis – Imposto Municipal sobre Imóveis; imposto sobre veículos – portagens – estacionamento - … para onde vão? Onde é que está o usufruto desses tributos? A lista é infindável mas, para terminar, quem é que acredita que pedir faturas vai ter retorno para o Estado? Se o cidadão não tem retorno direto, pelo menos se não é devidamente explicado para onde vãos os seus impostos, os nossos impostos. Neste caso particular, seria mais fácil, com recurso a uma simples aplicação, seguindo o princípio da justiça social tributária, dar um efeito causal, a correlação causa efeito: peço a fatura porque vou ter um determinado, simbólico porventura, retorno sobre o transtorno.

Com o Estado atual apenas se agrava o estado dos portugueses.

 

(in Correio do Vouga, 2011.11.08)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

EFEITOS ORTOGRÁFICOS

 

O novo acordo ortográfico trouxe alguma complexidade efetiva à redação do português. Porém, também a sintaxe e a fonética sofrem com as alterações. Vemos o assunto com alguma distância crítica mas sem grande convicção sobre as hipóteses de ser muito diferente. Em tese, tudo o que seja “acordo” é um benefício em sim mesmo; “acordo”, do Latim “ad”, “junto de” mais “cor”, “coração”. Um acordo, na verdade, só se consegue de coração a coração, no sentido de que se deve ser fiel aos seus termos.

Em suma, é importante ter um mini-guia sobre o assunto. Vamos dar uma pequena ajuda.

O que muda?

Algumas palavras que se escreviam com maiúscula inicial deixam de ser; são eliminados alguns acentos que constituíam exceção; são eliminadas algumas consoantes mudas que não pronunciamos mas que tínhamos de escrever; alguns aspetos de utilização do hífen são sistematizados.

O que não muda?

As consoantes k, w, y; o trema nos nomes próprios e derivados; os nomes das pessoas, independentemente das alterações aos acentos, consoantes,…; o uso do hífen em: unidades discursivas lexicalizadas, as palavras que derivam de um nome de lugar com mais do que uma palavra.

Parece pouca coisa mas como são pormenores de grande expressividade têm impacto, provocam diversos constrangimentos.

Pensamos até que é por estas razões, as do Acordo Ortográfico, que vamos sentido perplexidade na capacidade do nosso Governo acertar com algumas grafias. Por exemplo, não vamos subir os impostos – sobem em tudo o que mexe e em tudo o que fica parado, mesmo que não respire; limite para benefícios fiscais em sede de IRS e querem aplicar uma multa a quem não pedir fatura (para que é a fatura? Cada cidadão um guardião do Estado?! – caminho perigoso este…); não haverá subsídio de férias nem de natal para a função pública em 2012 e 2013 (pelo menos?!) – então por que é que está imputada verba para esse fim no Orçamento da Assembleia da República (Diário da República, 1.ª série — N.º 200 — 18 de outubro de 2011, Resolução da AR nº 131/2011)?!

Só acreditamos em tudo isto porque estamos no período transitório para a aplicação do Acordo Ortográfico! E tudo isto, do Acordo Ortográfico, tem alguma complexidade, provoca equívocos, enganos, gralhas (muitas gralhas),… temos de estar vigilantes para ajudar na correção!

(in Correio do Vouga, 2011.01.01)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Parabolizando um certo Outono

 

Aí está, chegou este Domingo. Com considerável atraso em relação a todos os outros que temos memórias, referências semelhantes só há setenta anos, a estação do ocaso da vida, com o frio, as tardes sombrias, a chuva, os dias curtos, o tempo propício a ficar por casa, o desconforto de procurar agasalho odoroso a naftalina, própria de quem está guardado das traças há muito,… está entre nós! Este é um Outono mentiroso! Tão mentiroso que acaba por retirar um pouco da vida de cada Português, sobretudo dos que ainda têm alguma coisa para tirar e o que se lhes retira sente-se. Há outros portugueses que nada sentem! Os que nada têm ou nunca tiveram e os que tiram tudo e tudo podem possuir!

Este Outono tornou-se ele próprio mentiroso, faltou à verdade. Andámos o Verão todo a pensar que o clima ameno, pouco quente, até primaveril, perspectivava uma continuidade idêntica. Um pouco mais de frio, é certo, algumas rajadas de vento mas nada mais. Depois viria o Inverno, o já prometido Inverno de salvação das contas públicas em que cinquenta por cento do subsídio de Natal não seria nada por demais neste peditório nacional para contrariar o défice.

Neste ambiente bucólico passaram Agosto, Setembro, entrámos em Outubro e, de repente, uma hecatombe. Tudo se desmorona à volta. Efetivamente até o sempre altivo e, como o Martini, meio-seco PR veio a terreiro augurar que nada disto é justo!? Pasme-se. Que Outono invernoso!? Em que é que ficamos, Outono? Verão ou Inverno?

Na verdade, temos todos de pagar, agora que chega o rigor (do Inverno) o que, qual cigarra!, trauteámos em todos os Verões, praticamente desde o Verão Quente de 1975. Mas isto pode-se fazer de outra maneira. Assim ninguém aguenta este horizonte gélido!? É que os próximos Verões também vão ser um pouco frios, muito frios, sem qualquer aconchego. Mas isso, enfim, água o deu água o levou, mas o 13º mês é complicado de entender. Não haverá verdade nesta contabilidade de aritmética global, isto é, difundida pela internet?

Os ingleses pagam à semana. Porquê? Um exemplo aritmético simples que não exige altos conhecimentos de Matemática mas talvez necessite de conhecimentos médios de desmontagem de retórica enganosa.

O 13º mês não existe. O 13º mês é uma das mais escandalosas de todas as mentiras do sistema capitalista, e é justamente aquela que os trabalhadores mais acreditam. Demonstração aritmética. Um trabalhador ganha € 700,00 por mês. Multiplicando-se esse salário por 12 meses, recebe um total de € 8.400,00 por um ano de doze meses. Em Dezembro, é-lhe pago o 13º mês, ficam as contas por € 9.100,00/ano. Ora, se o trabalhador recebe € 700,00/mês e o mês tem quatro semanas, significa que ganha por semana € 175,00. Como o ano tem 52 semanas, se multiplicarmos € 175,00 (Salário semanal) por 52 (número de semanas anuais) o resultado será € 9.100,00.

Ó diabo, será que isto bate certo?

Assim, estamos a ser enganados mais uma vez?!

E continua a dar certo?! Se há meses com 30 dias, outros com 31 e também meses com quatro ou cinco semanas… pois é?!... E mesmo assim, recebemos todos os meses a mesma coisa e trabalhamos todo o tempo útil ou mais?!

Será que ainda vamos pagar para trabalhar?! Será que vão levar muito caro por isso? É que corremos o risco de ficar sem nada para as outras coisas como, por exemplo, comer!?

Este Outono está mesmo a ser enganador…

(in Correio do Vouga, 2011.10.26)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Mal-educados

 

Há por aí uma capacidade fluente e enérgica para superar algumas vicissitudes a que fomos relegados. Surgem algumas evidências no plano de investimentos, e consequente motivação, naquilo que a ONU considera como essencial para o desenvolvimento dos povos, a educação.

Grande parte dos compromissos internacionais em relação ao progresso na educação assume que a educação é um dos principais focos de desenvolvimento. Porque é graças a ela que é possível melhorar as condições de prosperidade social, económica e cultural dos países. A elevação do nível educacional da população está associada à melhora de outros factores-chave de desenvolvimento e bem-estar tais como a produtividade, a mobilidade social, a redução da pobreza, a construção da cidadania e identidade social e, finalmente, o reforço da coesão social.
A educação é a alavanca que ajuda a conciliar o crescimento, equidade e participação da cidadania e compromisso social. Desempenha um papel central no crescimento das economias, é um investimento com alto retorno e é o primeiro factor que estimula a criação de valor. Indivíduos mais educados aumentam as suas capacidades para contribuir de forma mais diversificada e eficiente no desenvolvimento produtivo de um país. Por outro lado, a educação é uma das principais áreas para reduzir as desigualdades no futuro e uma forma privilegiada para superar a pobreza. Além disso, no século XXI, marcado por conflitos culturais e enfraquecimento das certezas, a educação torna-se uma ferramenta para repensar criticamente a realidade e projectar o futuro.

Mas que investimento será este a que se refere a ONU?! Dinheiro?! Não há. Portanto, quem não tem dinheiro não tem vícios!

O problema central é que, no nosso caso, o adágio foi adulterado. Não temos dinheiro mas continuamos cheios de vícios.

Destacamos apenas um, o que consideramos fulcral: a incoerência de processos e propostas!

A título de exemplo, vejamos dois casos emblemáticos, apenas na perspectiva dos resultados:

Avaliação Externa das Escolas. Um dos objectivos, promover uma cultura de melhoria continuada da organização, do funcionamento e dos resultados do sistema educativo e dos projectos educativos.

Avaliação do desempenho dos docentes. A avaliação do desempenho do pessoal docente visa a melhoria da qualidade do serviço educativo e das aprendizagens dos alunos, bem como a valorização e o desenvolvimento pessoal e profissional dos docentes, mediante acompanhamento e supervisão da prática pedagógica, no quadro de um sistema de reconhecimento do mérito e da excelência.

Interessante, não é? O problema é que não há nenhum mecanismo “vivo” que concretize estes objectivos sem implicar dinheiro?!

Se o remédio está na cura dever-se-ia pensar noutra medicação; inverter a marcha; ser criativo (fazer mais com menos recursos!).

Como não há dinheiro, congela-se ou retira-se o que lá estava!

Em síntese, cumpre-se de forma séria o melhor que se pode sabe. A Educação pode esperar.

A ONU,…coitada!… Pitágoras,… esse está morto!

"Educai as crianças e não será preciso punir os homens" (Pitágoras, 570 a.C.).

(in Correio do Vouga, 2011.10.19)