Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 7 de junho de 2011

Um governo novo

 

Nos próximos quatro anos, o país terá, como é urgente que assim seja, um novo Governo, conforme manifestação de cerca de 50% dos portugueses!

Sobre o Governo e como ele se constituirá, teremos muita informação. Porém, há um aspecto que nos merece, tanto a nós como a todos os que queremos ver o nosso país mais próspero, mais desenvolvido, mais competente, mais responsável, mais sério,… com futuro, merece que seja alterada esta nossa (portuguesa) maneira de estar nas coisas importantes: de assobiarmos para o ar, de falamos para o lado, de apoiarmos a mediocridade e conveniências com impávidos e ataviados acenos de cabeça aos que dizem mal, de aceitarmos com passividade a demissão.

Somos, realmente, do “oito ou do oitenta”!

O número de portugueses que não quer saber, mesmo que tenha todas as razões para isso, de quem os vai governar e que acrescenta, à boca pequena entre amigos e de pulmões cheios quando sente o conforto do grupo anónimo, impropérios acusatórios de serem todos uns malandros, ou coisa pior, é matéria que dá que pensar.

Mas será que sabemos exactamente quanto ganha quem nos governa? Temos consciência do trabalho que dá governar um País, uma Câmara, uma Freguesia, uma Empresa?

Pensamos que, em democracia, mesmo com todos os truques, quem se predispõe a governar fá-lo com base em sufrágio, deve merecer todo o nosso apoio e, quando chega a hora de votar, votar, não faltar aos actos eleitorais. É na preparação de cada um para esse acto que está o melhor contributo para a escolha de quem dá mais garantias, quer como perfil de desempenho quer por ideias que apresenta e defende.

Sabemos, seja quem for nas áreas que forem, o trabalho é proporcional às responsabilidades. Porque, como muito bem sabemos, “quanto maior é a nau, maior é a tormenta”! Então, a justiça começará em pequenas coisas.

E votar, e votar de forma séria, participativa e elucidada é um dos maiores trabalhos a que nos deveríamos dedicar – como aliás, por outras palavras, o defendeu o nosso Presidente da República.

Na nossa opinião, o melhor contributo que podemos dar ao nosso país, para que todos sejamos mais felizes, passa por: ser mais competente (ter mais conhecimento sobre o que fazemos e sobre as consequências do que fazemos, para não sermos “burros de carga”); gerir melhor o tempo; querer ser melhor; deixar que nos governem e estar atento a esse exercício (em Lisboa, em Aveiro, na nossa empresa e serviço); ter por princípio que, se alguém triunfa, eu posso (e devo) triunfar também!

Enfim, sonhos… ou talvez não!?

( in Correio do Vouga, 2011.06.08)

terça-feira, 31 de maio de 2011

31 de Maio

O dia não passa despercebido, é de efeméride internacional, o Dia Mundial Sem Tabaco, promovido pela Organização Mundial de Saúde (OMS)para alertar para as consequência do tabagismo, a principal causa, evitável, de morte e doença.

Segundo a OMS, mais de cinco milhões de pessoas vão morrer, este ano, por doenças relacionadas com o tabaco, tais como enfarte do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), cancro e doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC).

Este número não inclui as mais de 600.000 pessoas, 25 por cento das quais crianças, que vão morrer devido à exposição ao fumo ambiental do tabaco.

Algumas curiosidades valerão a pena nesta evocação.

As origens mais remotas apontam para a América Central onde, por volta do século IX, onde haveria o hábito de aspirar a planta seca na forma de cachimbos feitos de bambu. Os Maias e posteriormente os Astecas, fumavam várias drogas psicoativas durante rituais religiosos que eram frequentemente retratados em cerâmicas e gravuras de templos. No Caribe, México e nas Américas Central e do Sul, o cigarro e o charuto eram o método mais comum para se fumar até aos tempos recentes.

O cigarro produzido na América do Sul e América Central usava várias plantas como embrulho. Quando chegou a Portugal e à Espanha a passou a ser em palha de milho. O papel fino para embalagem foi introduzido por volta do século XVII. O produto resultante era chamado "papelate" e foi retratado em várias pinturas de Francisco de Goya.

Por volta de 1830, o cigarro foi inserido na França, e recebeu o nome cigarette. A partir de 1845 começou a ser produzido em escala industrial sob monopólio estatal e entrou nos circuitos comerciais altamente rentáveis. Durante a Guerra da Crimeia (1853–1856) o uso do cigarro foi popularizado entre as tropas francesas e britânicas, estas imitavam os turcos que fumavam o tabaco em cachimbos. Em 1833, aparecem na Espanha os primeiros pacotes que são chamados "cigarrillo" ou "cigarrito", termos que vem da palavra "cigarro", assim chamados devido, provavelmente, à sua forma, parecida com a de uma cigarra.

A partir de meados do século XX, o uso do cigarro espalhou-se por todo o mundo. Essa expansão deu-se, em grande parte, graças ao desenvolvimento da publicidade e marketing. A distribuição gratuita de tabaco para as tropas durante a Primeira Guerra Mundial ajudou a popularizar ainda mais o consumo. Por ter substâncias psicotrópicas, em tempos de guerra e crises económicas o cigarro foi bastante valorizado. Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, um cigarro chegou a valer 400 francos já que eram racionados para os soldados.

A Lei 37/2007, de 14 de Agosto, pôs fim a um percurso que até aparenta pertencer, no mínimo ao século passado, passando a ser proibido em escolas, espaços públicos, repartições, bares,… restaurantes!? Quem não se lembra, mesmo os fumadores, de passar a refeição a fumar (passivamente?!).

A Linha SOS Deixar de Fumar (808 20 88 88), do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva, também se associou ao Dia Mundial Sem Tabaco, que tem este ano como objectivo a divulgação da «Convenção Quadro da OMS para o Controlo do Tabagismo» (CQCT).

Dotada de medidas fortes e pouco populares em alguns países, a CQCT está em vigor desde 2005, ano em que foi ratificada por Portugal, sendo um documento baseado em estudos que não deixam dúvidas sobre a necessidade destas medidas para proteger e melhorar a saúde pública mundial.

(PL, in Correio do Vouga, 2011.06.01)

terça-feira, 24 de maio de 2011

O acampamento

 

As praças centrais das cidades, a começar em Madrid, e a estender-se pela Europa dão expressão aos ventos “suão” que desde o início deste ano abalam a bacia Mediterrânica e atingem o coração Velho Continente.

Se mais nada houver em comum – o debate sobre as origens das motivações já está lançado – há algo que é coincidente, a via de propagação da mensagem, da interpelação: as novas tecnologias da informação e comunicação! Ou seja, pensamos que já nem se poderá dizer “novas”; o meio está aí, disponível, assumido, assimilado.

Caminhamos assim, quem sabe, com contributos determinantes para a consumação da mudança, com a devida vénia ao Prof Jorge Carvalhais, ao revisitarmos a mesma sensibilidade literária que apresentou no último número do Correio do Vouga, incentivada pelo “Indignai-vos”, de Stéphane Hessel, que aos 93 anos, o herói da Resistência francesa, nascido em Berlim em 1917, sobrevivente dos campos de concentração nazis e um dos redactores da Declaração Universal dos Direitos Humanos, continua o testemunho impressionante de uma vida a erguer-se contra os perigos da inacção: «A minha longa vida deu-me uma série de motivos para me indignar».
Neste breve manifesto, para o facto de existirem hoje tantos e tão sérios motivos para a indignação como no tempo em que o nacionalsocialismo ameaçava o mundo livre. Se procurarmos, certamente encontraremos razões para a indignação: o fosso crescente entre muito pobres e muito ricos, o estado do planeta, o desrespeito pelos emigrantes e pelos direitos humanos, a ditadura intolerável dos mercados financeiros, a injustiça social, entre tantos outros.

Os “acampamentos da Europa” serão, porventura, um sinal exemplificativo do apelo de Stéphane Hessel, procurar no mundo que nos rodeia os motivos para a insurreição pacífica, pois "cabe-nos a todos em conjunto zelar para que a nossa sociedade se mantenha uma sociedade qual nos orgulhemos."

É que isto está a ser demais!?

(in Correio do Vouga, 2011.05.25)

terça-feira, 17 de maio de 2011

Liga Europeia

 

Eis-nos chegados aos píncaros da Europa.

Depois de percorreremos o mundo; depois de muitos outros lugares altos chegámos aqui.

Finalmente, fez-se justiça: estamos no topo… do segundo plano! Mas um dia (quem sabe?) ainda poderemos ser mais ousados e viver uma experiência superior. Não será fácil mas também não custa tentar.

Realmente, há dois perigos quando se atinge um ponto alto em qualquer percurso da vida. Por um lado, temos o perigo da queda vertiginosa, também reconhecida na sabedoria popular como “quanto mais se sobe maior é o tombo”; a completar o primeiro, mas independente deste perigo, há a incapacidade de estabelecer outras metas para haver progressão para níveis de qualidade nos desempenhos que fazem das metas anteriores, já atingidas, um degrau motivacional para outra que vem a seguir, isto é, não se fica “à sombra da bananeira” ou entra na”crise da opulência” (a abundância parece ser tanta que suscita o despesismo e letargia).

Acontece também, quando há seriedade de processos e virtude de carácter, o segundo perigo é transformado em oportunidade. São riscos calculados para se poder chegar um pouco mais à frente na vida.

Este pequeno apontamento poderia derivar da final europeia de futebol entre equipas portuguesas, que se realizará – neste momento ainda é futuro! – em Dublin, na Irlanda. Feito histórico; importante para o orgulho Luso; reforço de potencialidades de retorno, de imagem e valores financeiros. Haveria aqui toda a propriedade, até porque já se prevê, pela imprensa da especialidade e afirmações dos protagonistas, será a debandada.

Queremos nesta “Liga Europeia” pensar um pouco mais alto e volver os olhares que o dinheiro que aí vem para socorrer as nossas contas. Os Ministros das Finanças da União ratificaram o resgate – a expressão é fantástica e diz quase tudo: Portugal vai poder aliviar um pouco os grilhões do algoz (especulação financeira do Mundo e, em tempo de vernáculo, “calaceirisse” nacional)!

Os perigos apontados anteriormente dizem respeito a este acto comprometedor do nosso futuro, já hipotecado. Tanto dinheiro de uma vez só (mesmo que em várias tranches), pode por as nossas “cabeças à roda”. É como ganhar o euromilhões e gastar em vícios antigos!

(in Correio do Vouga, 2011.05.18)