Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 22 de março de 2011

Os 7 PECados

 

No princípio era a palavra – as palavras, a retórica!

Com o decurso do tempo e da erosão das palavras, chegaram as consequências das palavras e dos actos mal medidos: os PECados.

(Por serem matéria tão comum e transversal na gestão humana, passaram a ser chamados abreviadamente, para não demorar muito a pronunciar o dito, por PEC)

Como é do conhecimento comum, os PEC são sete: ira, gula, inveja, orgulho, avareza, preguiça, luxúria!

Entre nós, isto acontece tudo num “caldinho” de emoções, acções, desentendimentos e constrangimentos.

Olhando isto com falácia histórica, é muito provável que a cronologia dos PEC tenha o momento inicial marcado pelo preguiça (ainda no tempo do Velho Adão); depois do orgulhosamente sós sucederam-lhes a gula; mais recentemente, fartos e alucinados por tanto, mesmo sem saber bem de onde provinha, não faltou um pouquinho de avareza. Resta-nos o consolo da ira, quer ao deitar quer ao alvorecer, porque já nem sabemos para onde gritar ou desesperar. Por fim, a inveja: “coitados dos gregos, dos irlandeses e todos os outros que estão piores que nós!”

Trazemos à colação o PEC no sentido étimo da profundidade da coisa, a ideia de pecado que não tem conotação religiosa. Pecar vem de "pecare"que significa "errar de alvo ". Ou seja, sempre que "pecamos", erramos de alvo.

Aos olhos do mundo, da União Europeia, de cada um dos mais laboriosos, sérios e empenhados portugueses errámos o alvo por quatro vezes nos tempos mais modernos! Agora temos de corrigir a trajectória.

Como vamos em quatro PEC, já são faltam três para completar a paleta. Mas prevalecem algumas dúvidas: afinal onde PECámos? Fomos nós que PECámos ou terão sido os nossos pais? Estamos a pagar os PECados de quem? E depois desta expiação, será que ficamos libertos dos malditos PEC?

Quem estiver sem PEC que atire a primeira pedra!

terça-feira, 15 de março de 2011

Manif nacional (todos os dias) da Geração “Fazer pela vida”

 

Somos um país estruturado nas suas fronteiras há mais de oito séculos! Desde aí, mas em particular desde 1640, os portugueses são convocados, pelas vias mais avançadas de comunicação disponíveis , para a época, no mercado, para… fazer pela vida; para ter iniciativa, para ser criativo, empreender! Umas vezes foi sim, outras vezes foi não, muitos “quem sabe?!” Seguiu-se o “vou para África”; depois, “vou é emigrar”.

Mais recentemente, “vamos (plural) a Bruxelas pedir um financiamento”.

(Note-se que este último estádio da nossa história social está intrinsecamente ligado a outras expressões vivenciais sinónimas: o “Estado (Governo Central, Regional, Local) não apoia/subsidia…”! E se não é por esta via, veja-se a quantidade de cursos e habilitações superiores que existem apenas para trabalhar no Estado e do Estado: educação, saúde, justiça, administração, finanças,…).

É algo que, certamente, nos notabiliza pelo mundo fora.

Correndo os riscos das afirmações generalistas, somos capazes de percorrer meio mundo num misto de aventura e procura de melhores condições de vida - sem saber-se muito bem onde uma e outra se distinguem. Depois de chegar, mata-nos a saudade. Se se conseguir um “pé-de-meia” razoável, regressa-se à terra. Caso contrário, fica-se por onde se está com e como os de lá.

Este ciclo terminou.

Começou a época da regressão, curiosamente pelo mesmo itinerário: não há apoio do Estado (nem da União Europeia!),… “vou é emigrar ( o Brasil está com bom aspecto)! “Angola está dar”…

Sinceramente, até pelas manifestações inconsequentes, quando sairmos da letargia da subsidio-dependência e enfrentarmos sem hedonismos (fazer apenas o que dá gozo, viver como os ricos sendo pobres) nem lusitânias paixões (uma coisa entre o fado e o laissez faire - laissez passer), querendo sujar as mãos nos recursos naturais, os de maior potencial de riqueza para este tempo (solos aráveis, sol, mar e aquicultrua, floresta) ou queimar neurónios de forma metódica, laboriosa e consequente (na indústria de ponta em toda a gama de produtos que os mercados procuram)… eis a nossa independência!

Em todas as gerações, há quem faça pela vida e faça crescer Portugal. Estamos a falar de quem estuda, trabalha (não confundir com “ter vencimento”), estagiou sem ordenado, anda a recibo,… ficou sem pais muito cedo ou os pais não tiveram oportunidade de os ter em casa.

Não podemos é viver sob os terríveis: favorecimentos; burocracia; desconfiança/garantismo; pausas de quinze minutos por cada sessenta “no” serviço; febre do fim-de-semana e feriados!

Portugal tem potencial!

terça-feira, 1 de março de 2011

O filme, a ficção e cidadania

 

É com particular interesse que, a propósito da cerimónia cinematográfica dos Óscares da Meca do Cinema, e da notícia que nos chega sobre a ideia da Câmara Municipal de Aveiro colocar os cidadãos a censurar, através de autocolantes, os comportamentos, que trazemos este apontamento.

O ser humano é complexo – nada de novo, já o sabemos - tem muito de insólito, de imprevisível, de elaborado. Porque é que tem necessidade de ficcionar? De que lhe vale transportar-se para um patamar da existência que só o é enquanto aparência, realidade ficcionada? Chega a alterar o ambiente, os seus elementos, as personagens, a história de acordo com sua vontade.

Como o sonho (voltamos ao sonho!) pode ser a materialização da vontade de atingir o que não se pode vivenciar de outra forma, devido aos próprios limites e/ou às consequências, a ficção será esse estádio de concretização sem fronteiras para o pensamento. Assim, com a ficção, o ser humano repete conscientemente o que o inconsciente produz em sonhos, cria um mundo para produzir desejos.

As artes de expressão, como a literatura, o teatro, a fotografia, a pintura e, particularmente, o cinema, pela transposição acelerada de fotogramas que causa a ilusão de movimento, o que amplia a sensação de “realismo” da imagem reproduzida, são campos propícios para materializar a ficção.

A história das ideias e do pensamento humano, a Filosofia, a Teoria da Arte, a Teoria da Comunicação fazem o seu percurso investigativo para nos ajudar a desenhar a fronteira entre a ficção e a realidade não ficcionada.

Depois surgem a comercialização dos eventos… e passamos a pagar para ver a ficção dos outros! E eles são estrelas, ricos,… distantes!

E onde é que entra aqui a ideia da Câmara?

Os automobilistas prevaricadores vão ser brindados com autocolantes nos vidros dos seus carros, o “Selo da Censura” nos carros mal estacionados; os carros bem estacionados, em contrapartida, receberão o “Selo de Urbanidade”; haverá, ainda, um terceiro tipo de dístico – o “Selo Chique é Andar a Pé”. É o programa Active Access, que faz parte da aposta do município nas condições que valorizem o peão e na reforma da vivência da cidade.
Na nossa opinião, esta realidade ficcionada trará os seus frutos!

Parece complicada a autorização a terceiros a colagem de autocolantes no carro, quer seja de censura ou urbanidade!? Estas acções não provocarão distúrbios entre cidadãos? Isto tem assim um ar suspeito, de “noite de cristal” ou “facas longas”, não é?

Pensamos que seria interessante investir na educação para a cidadania directa, através de melhoria nas escolas, nas estradas, na urbanidade que representa a celeridade no despacho de processos (para evitar mais deslocações para Aveiro apenas para uns vistos). E aqueles “multadores encartados” dos veículos bem estacionados, o que vão fazer? Também parecia interessante a criação de plataformas intermodais;… veículos eléctricos, para facilitar a mobilidade urbana em alternativo ao automóvel pessoal; as BUGAs; E os táxis na Ria?... também ajudavam, não?

Mas ao preço que estão os combustíveis, o custo do estacionamento, o estado das estradas,… chique, chique era os passeios estarem arranjados para se poder andar a pé!

São assim os filmes das realidades ficcionadas!

(Pl, in CV, 2011.03.01)

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pés de barro

 

Vemos, com particular preocupação, a destruição indiscriminada de sonhos e de vidas que sonhavam poder viver. Um pouco por todo o mundo, uma “pequena pedra rolou da montanha” e embateu no que parecia inexpugnável e invencível; de repente tudo se desmoronou ou ameaça desmoronar.

Não há nada de novo nesta história, conhecida em todas as civilizações, imortalizada na narrativa sobre Nabucodonosor, Rei da Babilónia, cerca de 600 antes de Cristo. O monarca teve um sonho igual a de outros grandes, pequenos e, até, aprendizes de “imperadores”: uma grande estátua em que a cabeça era de ouro, o peito e os braços de prata, o ventre e coxas de bronze, as pernas de ferro e os pés eram parte de ferro e parte de barro. Enquanto admirava a estátua uma grande pedra veio do alto e acertou nos pés da estátua que acabou por ser totalmente destruída. Daniel, um estrangeiro, prisioneiro, interpreta, o que virá a revelar-se, um pesadelo. A cabeça: o poder babilónico de Nabucodonosor e todo o seu império conquistador; o peito e os braços: um segundo reinado um pouco inferior; o ventre e as coxas: um terceiro reino, que governaria toda terra; as pernas: a um quarto reino, forte como o ferro, que quebra e destrói tudo; e os pés! A base de toda a escultura,..era de barro!

A parte frágil, mesmo misturada com ferro não ligaram e uma simples pedra, uma pequena dificuldade fez ruir todos os sonhos: os da antiguidade, os dos tempos mais recentes nos países árabes, nos investimentos imobiliários, na bolsa,… no petróleo, nos orçamentos das famílias,…na subsidio-dependência… no Estado (que pensamos ser outra coisa que não os serviços que merecemos ter por viver e pagar em comunidade de cidadãos)!.

Ainda bem que Nabucodonosor teve um sonho destes! Caso contrário, ainda estaríamos a pensar: “o que me aconteceu?”

(Pl, in CV, 2011.02.22)