sábado, 27 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
Vamos grevar!?
Poderá ser um neologismo, claro. Mas, depois de um fim-de-semana de embriagante glória, uma glória por coisa pouca! Far-nos-á ser um país maior, mais competitivo, mais eficiente com uma vitória num jogo “amigável” de futebol com a Espanha?! E a cimeira da NATO?! Correu tudo bem… ainda bem! São aquelas coisas que é preferível serem assim mas não alteram nada do que temos de fazer.
Aliás, é muito interessante, nestas coisas que vão acontecendo no mundo e tem a nossa participação, haver entre nós quem duvide das próprias capacidades de estarmos talhados para o melhor, para a excelência! Porque reunimos num “pequeno rectângulo” tudo o que o Criador pode colocar ao dispor das mulheres e dos homens: clima; carácter; criatividade!
Porém, estas características acabam por colidir quando começamos a olhar para o lado sem visão crítica e com algum mesquinhismo, a desconfiança por ter tanta oportunidade num país tão pequeno! Olhamos para o lado ou assobiam-nos do lado, como as sereias na viagem de Vasco da Gama, e ficamos perturbados, sem fazer o que devemos. Nestas coisas deveríamos ver mais longe.
É por este ângulo que se vê, por exemplo, com é tratada uma eventual parte do texto (ainda desconhecido!) do Papa Bento XVI, “Luz do Mundo”, sobre alguns acessórios no relacionamento humano! – é caso para dizer que até chega a ser evidente alguma confusão semântica entre o acessório no acto com o assessório do acto!? Alariado sobre o óbvio?!
E, por fim, num país com as dificuldades financeiras que são expostas ainda há coragem para fazer greve?! Parece que isto não vai com greve, vai com trabalho sério de cima a baixo!
Com tanta gente a dizer que faz tanto – entre esses, por vergonha, também vamos no rol – como foi possível chegar aqui!?
Isto merece, não uma greve, em que mais uma vez quem trabalha fica a perder um dia de vencimento (após o dia de pagamento do ordenado e subsídio de Natal dará a ilusão de um desconto não fazer falta!), mas a invocação da outro artigo da Constituição, o 21º, o direito à resistência!
Quem fica a ganhar com a greve? É necessário fazer mais e, como a cigarra do conto, cantar menos !
(PL, in "Correio do Vouga" - 2010.11.24)
terça-feira, 16 de novembro de 2010
PL, in "Correio do Vouga" - 2010.11.16
Voltar ao Mar!
Todos os dias são fonte de inspiração para partilhar apenas um olhar sobre as coisas. A Cimeira da NATO, que ocorrerá em Lisboa, merecerá a nossa atenção. Neste dia, 16 de Novembro, valerá a pena salientar o que seguramente faz de Portugal um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (sigla que deriva do inglês North Atlantic Treaty Organization) com particular preponderância: o mar!
Hoje celebra-se o Dia Nacional do Mar. Uma data comemorativa da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), que entrou em vigor a 16 de Novembro de 1994, tendo sido ratificada por Portugal a 14 de Outubro de 1997. Em 1998, o dia 16 de Novembro foi institucionalizado como o Dia Nacional do Mar!
O Mar continua, insiste o Presidente da República, a ser a nossa porta para o Mundo. Deveria ser – acrescentamos nós!
Apontamos quatro boas razões para a ele voltar.
Desde logo, como primeira razão, por termos um território tão grande que faz de nós um país enorme! Como está submerso não lhe ligamos muito. Mas, na verdade, a riqueza que as nossas águas possuem (em fauna, em flora, em energia, em corredores de navegação,…) são elementos suficientes para ser considerados! Valeria a pena classificar esses canais de circum-navegação como SCUT! Depois, instalavam-se uns pórticos… já estava; mais receita!
Há também uma segunda razão, a histórica. Sempre que nos fizemos ao mar, consolidámos a nossa independência! Só perdeu quem ficou em terra, como o “Velho do Restelo”. Sair para o Atlântico e abrir novos mundos ao mundo continua actualíssimo. Não é uma saída de explorador, o que defendemos. É descobrir ou redescobrir a aquacultura, a agricultura, o turismo,… que entre nós ou nos países próximos podemos investir, crescer juntos. Não nos parece que seja muito rentável pensar investir, para produzir, em países do espartilho continental!
A terceira razão, o (Beira) Mar da nossa Região, da nossa cidade!
Com ou sem problemas de Direcção, há um mistério, que tem rosto, como é evidente, no percurso que está a ser feito nestas duas últimas épocas. Como com tão pouco se faz muito e com dignidade?! Tudo o resto, deve ser resolvido pelos sócios. Fixamos no que se vê, no salta à evidência, e tem de ser sublinhado.
Por fim, o nível do mar! Está perigosamente a subir, é preciso dedicar-lhe mais e melhor atenção! Sobre isto não há dúvida nenhuma que ou vamos lá ou vem ele para cá!
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
PL, in "Correio do Vouga" - 2010.11.09
“In”, “out” e a Soberana!
O título pode ter algo de jocoso. Aceite-se como o mais conveniente em tempo de intempéries: as de sempre, as da estação e as outras!
Assumindo-se como referência curiosa fazer uma abordagem das coisas partindo dos estrangeirismos “está dentro” e “está fora”, que é como quem diz, está na moda ou está “démodé “, declaradamente nós (portugueses) estamos “in”.
A nossa “Soberana” (a dívida) está a ser solicitada por todas as economias do mundo. Basta ver que, por estes dias, esteve por cá o Presidente da Venezuela, o Presidente Chinês, hão-de vir os da NATO! E é muito provável que assim continue.
Claro que pode não haver correlação causa-efeito, também não era para a haver. Os Soberanos encontram-se tantas vezes por ser encontrarem que estes (passados e futuros) encontros poderão não dar em nada. A opção é trabalhar mais e gozar/gastar menos ou continuar na mendicidade!
Bordalo Pinheiro teria moldado um boneco à circunstância, um português a apregoar… um pregão: “ Olha a Soberana Portuguesa!”
Sabendo nós que a dívida soberana pode ser interna, quando os credores são residentes no país, e externa, quando resulta de empréstimos e financiamentos contraídos no exterior, que, por pouparmos pouco, produzirmos pouco e gastarmos muito, é o nosso caso, estamos quase a entregar a Soberania a outros (novas formas de conquista imperial) e estes aproveitam o que temos de melhor, fecham os serviços que na perspectiva deles não funcionam ou estão anárquicos de cima a baixo, põe-nos a trabalhar de sol-a-sol e os mais dotados (física e intelectualmente) são deportados!
Com a caricatura dramática que é importante adornar estas coisas da ironia, ouvindo o diário da nossa vida, em Portugal, a Saúde, a Educação, a Justiça, os Apoios Sociais, a Cultura parece que precisam de mais uma revolução! Ora, ao vendermos a Soberana a quem, eventualmente, não tem uma apetência especial por estas coisas “menores” – e esse é um risco autêntico! – só pode fazer-lhes o mesmo que no seu país de origem, a realidade que conhece melhor: fecha-os!
Melhor será aprender a plantar arroz… para, chegada a hora, não ficarmos “out”!