Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 1 de junho de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.06.02

O futuro sustentável de Aveiro

Está aí um Parque de Sustentabilidade (PdS), um projecto de regeneração urbana da cidade de Aveiro que tem como principal objectivo criar um percurso verde estruturante que articula um conjunto de equipamentos que têm a ‘sustentabilidade’ como conceito âncora, pretendendo, ainda, ‘afirmar a cidade como um espaço de inovação, de competitividade, criando um espaço com renovado interesse para os munícipes e visitantes’.
Porém, o PdS aparece com contornos pouco definidos; sem debate esclarecedor.
Os “Amigos d’ Avenida” apresentam um manifesto à Câmara Municipal de Aveiro para esta tenha presença outros pontos de vista; que o projecto seja mais sustentado, nas opiniões e na qualidade das intervenções. São apontadas para melhor ponderação:
- A proposta de uma via rodoviária no meio do Bairro do Alboi, cuja vantagem não se consegue perceber (e que é contestada por um número significativo de moradores do Bairro);
- A criação de uma ponte pedonal aérea entre a Baixa de Santo António e o Parque D. Pedro cuja oportunidade e necessidade se equaciona;
- As ligações transversais do Parque cuja natureza e perfil se desconhece;
- O carácter e natureza dos espaços onde se vão realizar as actividades culturais ao ar livre e o seu programa de animação;
- A localização e a pertinência da Ponte Pedonal do Rossio (sobre o qual já foram feitos várias chamadas de atenção).
E, ao aproximar-se a data final de entrega dos projectos para que os financiamentos, sublinha-se quie é importante que os promotores do PdS dêem conhecimento público das diversas intervenções que vão marcar o futuro da cidade, sendo que algumas das quais irão produzir profundas transformações na sua vivência e organização física.
Numa petição, os signatários solicitam à Câmara, de maneira particular, que :
- a explicação das alterações promovidas na proposta, decorrente do debate público no Alboi;
- a realização urgente de uma apresentação pública e debate sobre diversos projectos do PdS, para eventual ponderação de sugestões e alternativas às soluções técnicas mais controversas;
- a criação de um site onde toda a informação sobre o projecto possa estar disponível;
- a organização de informações regulares à população sobre o desenvolvimento do projecto.

O futuro comum tem de ser partilhado em comum. Mesmo com a legitimidade que os eleitos têm para decidir, é cada vez mais importante abrir as portas ao debate para que as decisões sejam verdadeiramente… sustentáveis; na qualidade das intervenções e não apenas no peso dos votos!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.05.26

Ser “à portuguesa”… há 831 anos!

Em aniversário do nosso Reconhecimento – somo-lo de facto, e como que por direito internacional ao tempo, desde a Manifestis probatum, a bula emitida pelo Papa Alexandre III, em 23 de Maio 1179 – o último fim-de-semana cumpriu mais uma síntese do que pode ser característico do nosso sincretismo existencial como povo, isto é, a miscelânea de carácteres, fruto da diversidade das nossas proveniências e influências culturais(fenícia, celta, romana, judia, cristã, árabe,… africana): ousados, generosos, inconsequentes, apáticos!

À ousadia ( o que conjuga talento, eficácia, eficiência e resultados imediatos)

Não faltam relatos do nosso atrevimento no acervo da história. Agora reconheçamos que o mais mediático é José Mourinho – o Vasco da Gama de XXI.

É verdade, e é imperioso, portanto, reconhecê-lo, que em cada área de acção e desenvolvimento sócio-económico, não faltam exemplos de grande ousadia. Mas o poder do mundo reconhece de imediato quem se apresenta como ganhador, determinado e vitorioso. Não há tempo para dar tempo. Ou é ganhador ou é perdedor. E Mourinho é ganhador. Tem tudo para ser uma bandeira, ou um padrão, a ultrapassar o Cabo das Tormentas (se lá fosse!), lá na ponta sul da África.

À generosidade ( a sensibilidade emocionada, o abraço de causas)

Os milhares de portugueses que foram até à Covilhã com o intuito de expressar apoio a uns tantos rapazes que vão à África do Sul jogar futebol.

Pessoas anónimas no todo nacional mas que são a base de construção de um país, de um projecto, de qualquer coisa. Tiram o dia para que as vedetas sintam que representam muito mais do que valem. Isto é, tudo o que podem fazer nos chutos a uma bola ultrapassa a dimensão do desempenho individual ou dos prémios a receber.

À inconsequência (confiar no previsível como se não houvesse imprevisibilidades)

A Federação Portuguesa de Futebol e todo o gabinete técnico que, de forma despudorada, não atenderam à generosidade dos apoios.

Domingo à tarde, treino aberto ao público,… o que é que se esperava?! Invasão pela certa. E ainda bem, ou não?

Se calhar… ainda mal – pensarão e demonstram-no alguns iluminados: “que chatice aqueles portugueses!”. Não são sponsors, não é?

“Quê? Não ouvi assobios nenhuns.”- Hugo Almeida. “Estamos aqui para preparar o mundial” – Carlos Queirós

Quem são estes extra-terrestres que gozam na cara das pessoas?! Haja um aceno de simpatia. Dêem-se ao respeito, senhores!

À apatia (fiuuuuuu).

Por aqui nos ficamos. Assobia-se e pronto!

Até em tempo de grave crise, alguns membros do Executivo evocam este passado de apatia para assegurar que pode-se malhar forte em cima dos portugueses que eles não se mexem?!

Está tudo dito!

Como vai longe 1179!?

Volta Afonso (Henriques), até contra a tua própria mãe te ergueste!

terça-feira, 18 de maio de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.05.19

Os semeadores


A última semana foi fortemente batida pela presença de vários protagonistas que, marcados pela presença do Papa, assumimos como semeadores entre o Semeador. Naturalmente, convocamos para o Sucessor de Pedro a coerência do protagonismo e, inspirados pela primeira das parábolas do Discurso de Mateus, atrevemo-nos a ler os últimos acontecimentos numa outra hermenêutica, responsabilizando a terra pelo fruto que produz. O semeador faz o seu trabalho mas, com a massificação de tudo e a globalização do nada (nihil), a preparação da terra está industrializada, tudo é mais igual. E como a messe é grande, a terra que se cuide… porque será pelo fruto que conheceremos a árvore (como o Evangelista Mateus o refere um pouco antes, no capítulo 7, versículo 20).

Num mundo global, com tanta informação, meios de comunicação, instrução e formação, assumamos sem medo de errar que já não há “terra mal preparada”! Os meios de preparação são tantos e tão poderosos que só não vê quem não quer ver! Só não produz quem decide não fazer nada, ou vai na onda do relativismo!

Assumamos, no entanto, como pressuposto que a “terra” da parábola, os destinatários do semeador, é quem o ouve!

Recuperemos, porém, que com a massificação de tudo e a globalização do nada (nihil) a quantidade (de barulho e demagogia) está a ser mais poderosa que a sustentabilidade da razão ou, pelo menos, do bom senso.

Depois de uma semana tão intensa, o que se nota como substancial, duradouro? Pelo fruto, quem é o semeador que está subjacente?

- Algumas sementes caíram à beira do caminho: veio a passarada e comeram-nas.

É óbvio que se trata, em termos de sementeira, dos agentes do futebol. O que hoje é verdade amanhã é mentira e o mais importante é ganhar a qualquer preço!? Tudo é fugaz…

- Outras caíram em sítios pedregosos, cada vez mais duros, onde não há cada vez menos terra também, pela erosão e outros fenómenos menos naturais: e logo brotaram, porque a terra era pouco profunda; mas, logo que o sol se ergueu, foram queimadas e, como não tinham raízes, secaram.

Passada uma semana, terá sido, o semeador, Bento XVI!?

- Outras estão entre espinhos, onde reina uma certa anarquia social e ideológica: e os espinhos cresceram e sufocaram-nas.

Não é possível colher muito entre quem não quer produzir nem deixa que outros o façam. Claramente quem tenta, dedicada e seriamente, governar este país, seja a que nível for. Porém, por maioria de razão, o Governo, quem tem sentido de Governo e o Presidente da República!

- Outras caíram em terra boa e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; e outras, trinta.

Como é evidente tratou-se da União Europeia, do FMI, da finança!

Apenas desejamos que, dado o aperto a quase todos, a terra seja mesmo boa e o fruto seja abundante, como a parábola no-lo anuncia!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.05.12

Passou a crise. Vamos lá pagá-la!

Como prevíamos a semana passada, com a vitória do Benfica os mercados financeiros iam começar a reanimar; basta verificar as notícias de Segunda-feira, 11 de Maio!

Animaram-se os mercados, é certo, mas também as ruas, as praças, os empregos, os desempregos, … E esta é a primeira referência, a animadora!

Porém, ainda permanece sobre as nossas cabeças aquela nuvem quem provém da Islândia! – (Como a Islândia está a ser um sinal para todos nós, primeiro a declaração de Bancarrota, depois o vulcão!...)

Essa nuvem até pode ser com aspas! Quer dizer, ainda há justificadas apreensões quando olhamos para a nuvem, mesmo sem a ver, e sabemos que ela paira sobre nós, ameaçadora. É uma nuvem que nos tolhe os movimentos, os sonhos, a esperança de vivermos de forma justa e harmoniosa com os outros e com a vida.

Na verdade, há coisas tão simples de operacionalizar, de concretizar, que até parece que, quem governa o mundo, brinca connosco! E essa desconfiança no humano é que gera as verdadeiras ameaças; aquela as são imprevisíveis! Por exemplo, as medidas decisórias que fazem das pessoas uns peões de tabuleiro, num qualquer jogo de interesses.

É que, com a natureza, as forças da natureza, podemos nós bem. Somos natureza também!

Porém, alguém entende que não se saiba, para salvaguardar uma despesa com uma eventual “doença”,sobretudo quando pode ser grave, quanto é importante criar um “pé-de-meia” ou contratualizar um bom seguro?!

O que é que os ministros das finanças europeus resolveram esta segunda-feira? Uma decisão extraordinária: “dado que o Euro está gravemente ferido e a doença tende a alastrar, vamos fazer um mealheiro com algumas poupanças”!

No fundo, é apenas isto! Até poderíamos respirar de alívio se a solução não fosse tão evidente. E isto, tão simples, agora vai custar muito caro. Tão simples que até incomoda.

Agora vamos lá pagar isto!

Somos acusados de vivermos acima das nossas posses.

Mas já nem se sabe onde ir buscar mais dinheiro para pagar!? Pronto, conformamo-nos. Mas… alto lá!... acima das nossas posses?!... Vamos lá ver quem é que não anda a pagar o que deve…

Um país envelhecido, … com muitos aposentados… não se pode contar com eles para pagar a dívida – provavelmente contribuíram nos termos da lei.

Muitos desempregados – estes não contam, já pagaram tudo.

Jovens – ainda não recebem!

População no activo – pagam tudo honradamente e não tem mais por onde dar; são os “ordenados mínimos” de cada honesto desempenho profissional. Vive-se para o carrito e para comer! – os indicadores de consumo que dão sinal de recuperação.

Então quem é que anda por aí a esbanjar? Quem pode fugir aos impostos? Quem tem muito dinheiro fora do país? Os protegidos de quem tem o poder financeiro? Os “fugas”?

Ah! Ficamos sossegados. Pelo diagnóstico já vemos que são estes últimos que num ataque de arrependimento vão pagar!?.

Alguém acredita?