Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 9 de março de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.03.09

E agora (?!) a outra face (o bullying)


Em matéria de sistema educativo (distinguir de Escola, Formação, Educação, Professores), em Portugal como no mundo estaremos muito próximos do que Tácito escreveu, cerca do ano 116, sobre o Cristianismo: "Este nome vem-lhes de Cristo, que sob o reinado de Tibério, foi condenado ao suplício pelo procurador Pôncio Pilatos. Esta perigosa superstição um momento detida, em seguida espalhou-se não só na Judeia, onde tal peste nascera, mas até em Roma, onde se encontram e acham acolhidas todas coisas, as mais grosseiras e as mais vergonhosas!"

Falamos de sistema educativo porque esta é a outra face da mesma realidade: SOCIEDADE PORTUGUESA!

A propósito desta tragédia de Mirandela, pensando em todas as escolas, a(s) Outra(s)-Roma, onde todos são acolhidos, levantam-se hipóteses para solucionaram os problemas.

Este é realmente um problema DE escola. Trata-se do que nós somos como sociedade que está a mudar; como nos relacionamos; que valores norteiam o nosso agir; que célula fontal (o berço, a família) nos identifica para viver entre iguais.

Com violência (verbal também) gera mais violência.

Alguns testemunhos anónimos podem ser colhidos na internet. Os mais sensatos, apontam caminhos de conciliação social.

“Queria deixar o seguinte testemunho. Fui vítima de bullying durante vários anos, desde o fim da infância até à adolescência. Os meus pais sempre souberam e não fizeram nada. Mais tarde confrontei-os com o facto de nunca terem feito nada. Ouvi as desculpas mais inacreditáveis, que vou poupar aos leitores. Há vários anos cortei definitivamente relações com eles, e a morte de um deles soube-me a nada. Estive perto de me suicidar várias vezes, não tão jovem quanto este rapaz, mas pouco mais velho. Ainda hoje não sei bem o que, felizmente, o impediu. Se os vossos pais nada fizerem, aproveitem este momento em que o País está mais atento e liguem para a Polícia ou para a linha SOS Voz Amiga: 21 354 45 45. Mantenham-se vivos!”

“Só porque antigamente não havia o nome - bullying - para este tipo de agressão sistemática, não significa que ela não existisse. Aliás, tenho a certeza que antes era muito mais comum, e a indiferença geral muito maior também. Felizmente que hoje em dia as escolas e professores começam a abrir os olhos e agir contra o fenómeno. Infelizmente para o Leandro não foi o que aconteceu em Mirandela.”

“Nada irá trazer o Leandro de volta! Apurar responsáveis é necessário. Mas este triste acontecimento serve para nos fazer pensar. O que andam na fazer na escola os delinquentes? E é fácil a resposta! E de uma vez por todas tirem da escola quem não quer estudar. Eu sou Mirandelense, e estudei 5 anos naquela escola. O problema não é a escola, são os delinquentes que lá colocam!”

“É flagrante a falta de respeito que os adultos deste país têm pela herança que vão deixar.”

A solução estará próxima da introdução de um quadro valorativo mais estóico, baseado num método de superação de dificuldades com recurso à solidariedade, à universalidade dos bens, à dignidade, ao trabalho; em detrimento de uma sociedade tão hedonista, em que só vale o bom, o fácil, o prazeroso (o prazer o supremo bem da vida humana).

O mal não está nas pessoas, no sistema educativo, nos pais, nos filhos, nas escolas. O mal está na arquitectura do pensamento para a construção do mundo, e da família, e da escola também.

Com a Lei n.º 85/2009 de 27 de Agosto, a da escolaridade obrigatória até ao 12º ano, o futuro já começou há um ano!

terça-feira, 2 de março de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.03.02

Biltragem?!


A caixa (que se pressupunha) forte está arrombada!

Alguns signatários (países) da zona Euro e da zona do Euro estão à beira da falência. Melhor até será dizer, já faliram. Porém, com ajuda de “amigos e vizinhos” (especulação e alguns agiotas) ainda se mantém como comissão liquidatária! Aquela função que existe porque alguém tem de fazer o trabalho. Por mais digna que seja, apenas serve para dar dignidade ao “finado”.

Mas como é que se chega a um Estado (e estado) destes?!

Vamos supor - em linguagem muito simples - que nos dão a administração e gestão de uma pequena loja (como o são, por comparação, algumas das economias da Zona do Euro, da moeda Euro!). Mas, mesmo assim, fixemo-nos apenas na área da gestão dessa loja.

Ora, mesmo na expressão mais coloquial de gestão, o que vulgarmente se chama, como recurso ao que de maior eficácia existe, a “gestão de merceeiro”.

Quando os resultados são fracos, o senhor da Mercearia sabe que há três coisas que são de primeira água, isto é, nunca pode (con)fiar: calotes; estragos; roubos! E tudo o resto será apenas aplicar o elementar deve & haver!

Quando se fazem contas à vida, sempre, mas mesmo sempre, qualquer merceeiro coloca o azulejo da praxe na parede, com os dizeres bem conhecidos e, não raramente, faz uso de estatuetas ilustrativas, à “Bordalo Pinheiro”. Se queres fiado…

Do que é que estamos à espera?! Se não há dinheiro não há vícios!

Porém, lamentavelmente, parece que não há dinheiro para a maioria, mas há muitos vícios!

Vamo-nos habituando ao que se passa na Grécia; aprendendo com a experiência alheia.

Milhares de pessoas protestaram contra medidas de austeridade para travar a grave situação que vive o país. Aviões em terra e barcos no porto, escolas, tribunais, museus e locais arqueológicos encerrados, bancos, hospitais e empresas públicas a funcionar a conta-gotas, rádios e televisões fora do ar e jornais ausentes das bancas. Estas foram as consequências directas da greve geral em protesto contra as medidas de austeridade do Governo, destinadas a fazer face à crise financeira. Os manifestantes ergueram cartazes com palavras de ordem como "que paguem impostos os ricos, greve contra os especuladores, os homens e as suas necessidades acima dos mercados e dos lucros”.

Se não há receita pela via da produção, não parece razoável que as coisas tenham equilíbrio pela via da taxação! Quem não ganha, não tem por onde pagar.

Mas, se somos dez milhões, quanto pagámos? Para onde foi o dinheiro?

Seremos nós uns caloteiros!? Houve obras de remodelação, de melhoria nas condições essenciais dos serviços!? - mas pagas com o nosso próprio dinheiro. Não estamos a falar do “bodo aos pobres” que a caridade alheia nos proporciona! - Tivemos avultados prejuízos na loja, por causa de algum estrago maior!?

Não?!

Provavelmente, fomos assaltados!

Malandros, querem ver que começaram a viver à rica com o dinheiro dos pobres?!

Segue-se a repressão e a revolta. Depois, pagamos todos.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.02.24

Branqueamentos e branqueadores


Alegra, a quem se deixa alegrar – claro está! – passar pelo Alentejo, pelo Alentejo de maneira particular, e ver o cuidado com que cada fachada, cada muro, cada chaminé é aprimorado pelo zelo de quem vê (há muito!) na funcionalidade ambiental do branco uma oportunidade nos dias quentes mas também pela estética de uma paisagem cujas tonalidades da paleta mudam com as estações.

O branco em todo o seu esplendor – parafraseando outras citações de contextos mais eruditos!

O do Alentejo é, porventura, um dos branqueamentos mais apreciados.

Mas há outros brancos (o de pesar, em certas culturas) e as brancas – ai as brancas (e, porque não, ai as cãs)!?

O caso mais óbvio é o de um qualquer jovem estudante a quem, no momento decisivo de prestar provas, lhe dá uma branca. Profundamente desagradável. Pior ainda nas consequências, quando estas são nefastas para os objectivos em mente.

Também há o branqueamento com pesado sentido pejorativo. Essa perturbadora tentação de, através de gestos ou palavras, mascarar os acontecimentos autênticos com outros de menor elevação para desviar a atenção do essencial. São caso de estudo, talvez para o domínio do sensorial!

Aliás, neste contexto, uma palavra de apreço aos jogadores e equipa técnica do plantel sénior de futebol do Futebol Clube de Porto; o que já não é novidade!

Querendo dar um contributo de apaziguamento da ordem colectiva e chamar à razão quem está a perturbar o seu desempenho, reuniram-se, circunspectamente, em conferência de imprensa. Ambiente grave. Irritadiços. Pela voz de um dos seus capitães, olhos-nos-olhos, manifestaram a sua indignação aos atemorizados colegas Hulk e Sapunaru (que estava ausente, aos pontapés - na bola - noutras paragens).

Notou-se perfeitamente sobre quem o guarda-redes Nuno queria que se incidisse quando referiu “querem” (apesar do indefinido, percebe-se perfeitamente que era para colegas que, bem pagos - presumimos para jogar futebol, seguiram outras vias, as do soco e pontapé - com ou sem provocação, perderam a razão).

Compreendemos bem o plantel do FCP. Realmente os com aqueles gestos, os dois jogadores não só demonstraram falta de respeito para com os restantes colegas, como deram uma imagem muito triste de como se resolvem os problemas da instituição que deviam servir.

Esta repreensão pública culminou no jogo seguinte com todos os convocados a envergarem t-shirts alusivas aos visados, condenando a sua indisciplina, que não honra em nada o futebol e quem o paga, culminando numa grande exibição de como quem diz: “estão a ver? Não precisamos cá de gente como vocês!”

É com gestos destes, ajudando a perceber onde está o problema e como há solução que a mensagem passa: “independentemente da razão que nos possa assistir, nunca aceitaremos resolver uma asneira com outra asneira”.

Foi mais ou menos isto que todos percebemos, não foi?

Aqueles jogadores bateram mesmo, não bateram?!

Será que estamos perante um demagógico branqueamento! Os actos ficam “lavados”, impunes só porque há eventuais falhas no processo?!

É de muito mau gosto mandar o ónus dos problemas para rua; para a sublevação irracional das massas! Areia para os olhos!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.02.17

Como se fosse a ultima vez!


Todos os momentos são bons para que é bom! Porque, o que é bom, é!

Portanto, quando o bom, o agradável, o belo são parte da vida devemos prolongá-los com diversas expressões relacionais, para que algo fique, continue, perdure!

Depois virão evocações, as da memória e as do afecto.

E como é importante, na realização sociante e pessoal, que o contributo dado gere evocações?! - Seguramente, começando pelas do afecto!

Foi assim que, neste Domingo, o casal mais velho do mundo, Herbert e Zelmyra Fisher, ele com 104 anos e ela 102, casados desde 1924, aproveitaram o dia dos namorados para esclarecerem dúvidas e ensinar lições de tolerância e amor, via Twitter. Com muita simplicidade , como é próprio de quem já não espera mudar o mundo pela força, confiaram o maior legado que poderiam deixar à humanidade, os seus filhos, netos, bisnetos,….

Um legado de evocação do afecto! Coisas simples da vida. Dom, dádiva, gratuitidade. O património maior!

Enfatizando, de nada vale correr atrás do perecível, se este for amorfo, sem honra e sem carinho, se não houver, etapa a etapa, a determinação por fazer bem todas as coisas!

Porque, parafraseando Bertolt Brecht, há aqueles que lutam um dia; e, por isso, são muito bons; há aqueles que lutam muitos dias; e, por isso, são muito bons; há aqueles que lutam anos; são melhores ainda.

Porém, há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.
A terminar o Carnaval, começa de imediato o tempo que, pelos cristãos, é a oportunidade de retomar o percurso da história onde ele se quebrou. E, dia após dia, tornar-se, na forma como se age, oportunidade para todos se aproximarem e serem imprescindíveis!

Cada dia, como se fosse último mas, no horizonte, um tesouro à humanidade!

De pouco mais valerá algo menos do que isto!