Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.01.20

O limite da força humana


A terra tremeu!

Com certeza por isso, no meio dos elementos acabamos por notar quanto poderosos terão sido outros momentos semelhantes. Não é significativo apontar teofanias ou diabolizações. Apenas levantar o olhar e ver como, com ela e sendo dela, tremeu a fortaleza humana.

Inevitavelmente, o Haiti!

Enquanto o mundo tem os olhos postos na parte ocidental de La Española ou Hispaniola, perante a tragédia de 12 de Janeiro e as suas consequências, alguns dados suscitam comparações. Desde logo o número de habitantes (cerca de 9 milhões); a densidade populacional (292/Km2); duas grandes cidades (a capital com cerca de 2 milhões de habitantes e a segunda maior com aproximadamente 600 mil);… o sismo!

O Sismo!?

E se fosse entre nós!?

“Aos pobres tudo acontece!?” - parece ecoar, e ecoa mesmo, numa expressão de ensurdecedor silêncio de meios, a perplexidade.

E com estas interpelações, sinais dos nossos tempos e de sempre, outras mais pragmáticas se associam, se sobrepõem.

Como nos preparamos para o desastre?!

Com que ajuda internacional poderemos contar?!

No limite das forças, fica a autenticidade dos mais próximos. Só dos mais próximos! Metáforas, alegorias e parábolas não o expressam tão fortemente como os acontecimentos recentes.

O nosso limite está circunscrito!

E perante a tragédia, invadidos por sentimentos de toda a ordem, fortalece-se a preparação para enfrentar o incontornável, aprofunda-se a solidariedade para amenizar os limites!

Como Paulo, quando nos sentirmos fracos, então teremos de ser mesmo muito fortes!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.01.13

O lugar venerável onde existimos


Sob o significado de “lugar venerável”, um espaço de grande amplitude, onde todos tenhamos lugar, ganhou, com a evolução semântica, a expressão de “templo”. Portanto, templo pode ser também, se o considerarmos, se o respeitarmos como tal, a arquitectura social que construímos. E cada estrutura (física) é sempre conservadora; porque conserva, protege da ruína, pelo menos.

Haverá lugar mais venerável do que aquele em que todas as pessoas, independentemente das diferenças (culturais, políticas, religiosas, étnicas, sociais), inter-agem?

Este lugar-comum, o espaço da nossa existência para ser de todos e funcionar para todos, com os mesmos direitos ,não pode ser alicerçado na dúvida, no cumprimento intransigente do que cada um tem por direito; há obrigações comuns para com a estrutura!

Assumamos, no entanto, que é necessário retocar a estrutura. Dar-lhe um ar mais moderno.

Vamos a isso…

Mas, é importante conservar o essencial, não?

Mexer em tudo indiscriminadamente é um perigo! Isto vai ruir!

Ah! Mas será que a opção não é mesmo essa, colocar tudo a baixo e construir uma nova estrutura, outra sociedade, um novo mundo?!

O que é que vai sustentar essa nova construção? Que alicerces? Que colunas?

Há por aqui algum desconcerto do Mundo, parece.

Sobre isso, deixemos que, esse “estorve antigo” (Camões) fale:

“Os bons vi sempre passar

No Mundo graves tormentos;

E pera mais me espantar,

Os maus vi sempre nadar

Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim

O bem tão mal ordenado,

Fui mau, mas fui castigado.

Assim que, só pera mim,

Anda o Mundo concertado.”

Pelo que lemos do Poeta, para os que acreditam no bem, está a chegar a hora de modernizar, modernizar mesmo, isto!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

PL, in "Correio do Vouga" - 2010.01.06

Em 2010, a República cem anos depois

Na Mensagem de Ano Novo do Presidente da República somos tentados em cair em comiseração!
“Há precisamente um ano, quando falei ao País, referi que 2009 iria ser um ano muito difícil. Acrescentei, na altura, que receava o agravamento do desemprego e o aumento do risco de pobreza e exclusão social. E disse também que Portugal gastava em cada ano muito mais do que aquilo que produzia.
Em nome da verdade, tenho a obrigação de alertar os Portugueses para a situação difícil em que o País se encontra e para os desafios que colectivamente enfrentamos.
Ao longo do último ano, o desemprego subiu acentuadamente, atingindo, no terceiro trimestre, 548 mil pessoas. Quase 20% dos jovens estavam desempregados.
A dívida do Estado tem vindo a crescer a ritmo acentuado e aproxima-se de um nível perigoso. O endividamento do País ao estrangeiro tem vindo a aumentar de forma muito rápida, atingindo já níveis preocupantes. Acresce que o tempo das taxas de juro baixas não demorará muito a chegar ao fim.
Se o desequilíbrio das nossas contas externas continuar ao ritmo dos últimos anos, o nosso futuro, o futuro dos nossos filhos, ficará seriamente hipotecado. Quando gastamos mais do que produzimos, há sempre um momento em que alguém tem de pagar a factura. Não é tempo de inventarmos desculpas para deixarmos de fazer o que deve ser feito.
Estamos perante uma das encruzilhadas mais decisivas da nossa história recente. Em face da gravidade da situação, é preciso fazer escolhas, temos de estabelecer com clareza as nossas prioridades. Os dinheiros públicos não chegam para tudo e não nos podemos dar ao luxo de os desperdiçar.” (SIC, com alguns cortes)
Nos finais do século XIX, existia uma grande crise económica, política e social. Portugal estava numa situação muito preocupante – pode ler-se em qualquer almanaque. No tempo da monarquia, o país estava em crise, o povo estava descontente com os preços dos produtos comerciais e em geral com as fracas condições de vida.
As principais fábricas do país situavam-se no Porto e em Lisboa, onde trabalhavam operários, de modo a que o resto da população trabalhava no campo com difíceis condições de vida. Portugal estava a atravessar uma fase difícil e com muitas dívidas. Por isso teve que pedir dinheiro emprestado ao estrangeiro. Para pagar os juros, o rei aumentou os impostos… e aumentou o descontentamento também.
Em 4 de Janeiro de 1910, segundo o Século, teve lugar, no Centro Republicano Rodrigues de Freitas, uma conferência dada por Inocêncio Camacho acerca do recenseamento eleitoral. Advogou o orador que o voto constituía “a arma com que todo o cidadão pode combater a administração pública e por meio da qual pode vigiar o destino dado ao património comum e à aplicação das receitas públicas.”
Ou seja, os portugueses cansaram-se e viraram tudo do avesso… para continuar na mesma!
Cem anos depois, onde chegámos!?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.12.23

Melhores no mundo e no eterno, já!


E chegados aqui, era muito importante vencer os atavios civilizacionais que nos prendem à mediocridade!

Bem podíamos definir algo que fosse possível fazer de nós únicos.

Propomos qualquer coisa boa. Boa no sentido de ser mesmo boa para todos. O problema de ser boa é que ser boa ou ser bom implica valores. E este será um “espaço” fracturante.

Reconsiderando, qualquer coisa que fosse moderno - assim está melhor?! Mas que tivesse resultados práticos, daqueles que todos ganhamos.

Mais uma expressão difícil de assumir comummente, ganhar! Mas, pensar em… ganhar, ganhar,… não é fácil perceber o que se deseja com a expressão! Estamos tão habituados a pequenas vitórias e grandes derrotas que é complicado assumir como vitorioso o que vai além de uma vitória moral, confundindo moral com sensorial, o que nos faz sentir bem num momento.

Evocando o nosso querido D. Manuel d’Almeida Trindade, que teria feito em 21 de Dezembro sessenta e nove anos de presbítero, data que lhe era tão querida, era importante ter consciência da distinção entre o prazer de um café a seguir ao almoço de uma noite bem dormida! Isto é mais do que um bom conselho que se pode dar a um jovem seminarista. É a diferença entre o imediato e o duradouro; entre o perecível e o eterno! A força do carácter e as maleabilidades da vida.

Vamos eleger duas ou três coisas de baixo custo e potenciá-las à escola mundial. Vamos ser rigorosos em alguma coisa. Vamos apresentar resultados que façam de nós consolidação. Falta-nos saber cumprir.

Como Pessoa, queria Deus, sonhe cada homem e mulher, haja obra.
Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez - a última foi há dez anos em Macau.

Senhor, falta cumprir-se Portugal!

Venha 2010. Apesar dos cinco sentidos (mais o sexto que grande parte possui) pre-anunciarem que estamos no fim da linha; talvez ainda haja oportunidade.

E se começássemos por assumir o nosso dever para com Portugal!?

Sugerimos que neste Natal cada um mate a galinha de ovos de ouro que existe no “celeiro” (confundir com cabeça) da maioria dos portugueses. Quando a galinha morrer, quando verificarmos que já não existe nada que nos seja oferecido (internamente e internacionalmente), para onde nos podemos virar?

Morra a venturosa galinha que parece só ter direitos! Haja dever e responsabilidade. Tendo em consideração que saber ouvir é muito importante; saber ponderar as sugestões apresentadas é um acto de respeito; saber decidir é uma arte; saber cumprir é um acto de elevada sabedoria.