Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.08.05

Escuro, negro e obscuro

Todos nós em cada recanto da nossa rua, lugar ou cidade onde vive, trabalha ou passeia já encontrámos espaços, recantos, pormenores de planeamento, imobiliário ou património arquitectónico que permitem interpretá-los como escuros!

Isto acontece mais sobre a noite mas não deixa de ser verdade que, por metáfora ou sem ela, também há recurso à expressão para realçar algo que, em pleno dia, não está em conformidade com o aceitável, isto é, com o destino para o qual foi criado.

Os mesmos elementos apontados, quando permanecem longo tempo inalterados ou, pior ainda, quando prejudicam terceiros – quantas vezes gravemente!? – apelidam-se amiudadamente como pontos negros.

Ora, ninguém quer um ponto negro em lado nenhum da sua vida. É tão inestético como perigoso! Dá má fama! Não atrai nada de bom.

É preocupante verificar que o escuro está a ficar negro?

Aumenta o grau de apreensão quando, pela inoperância ou irresponsabilidade de uns poucos, a vida de todos está em risco.

É por este ângulo de visão que constatamos os desequilíbrios ecológicos do planeta. É o mesmo prisma que nos permite vislumbrar quando um produto que deveria estar ao serviço do bem comum fica preso nos caprichos e burocracias dos bancos (com exclusividade) impedindo que todos tenham acesso a esse serviço, por exemplo os fundos disponíveis para mapear o território nacional com placas para produzir energia solar.

Não fica atrás destes exemplos, o despesismo quando uma passadeira é construída à “boca” de um túnel, que impede a total visibilidade de quem conduz e acaba por causar erros graves, acidentes, mortes…

Aqui é onde o bom senso acaba e surge algo tenebroso, sempre susceptível às mais variadas interpretações, o obscuro!

Até parece que alguém ganha algo por esta ou aquela tragédia acontecer!?

Temos este condão (coisa estranha) fazer andar por ai sempre o Sr Obscuro!

terça-feira, 28 de julho de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.07.22

À procura do “trans”

“Onde está o trans?” poderia ser o título de uma saga histórica caracterizadora da época que agora vivemos – mais uma, por sinal!
Tal como a série, “Onde Está o Wally?”, de livros de carácter infanto-juvenil criada pelo ilustrador britânico Martin Handford, onde o leitor encontra ilustrações que geralmente ocupam a página inteira, nas quais num lugar está desenhado o Wally, personagem central da série, e alguns dos seus objectos, também aqui, no tempo que vivemos, o leitor poderá experimentar, nas ilustrações que cada dia coloca ao nosso dispor, essa mesma sensação de pesquisa universal acerca do elemento formativo “trans”, “para além de”!
Esta nota vem a propósito do momento único que nos é dado viver, em que, depois de elevar ao máximo as liberdades absolutas para cada indivíduo, nota-se um retomar da diversidade como alavanca para o bem comum.
Qualquer assunto, em todas as reuniões de trabalho, qualquer projecto, a curto ou a médio prazo, tem maior aceitação sem for… transversal. Se reunir sinergias, se houver vários parceiros, vários saberes,… para resolver ou tornar resolúvel a proposta!
A educação, a cultura, a saúde, a justiça, a acção social,… só tem solução, nos vários problemas que apresentam, se se encontrar uma plataforma “transdisciplinar”.
Portanto, o tempo dos saberes enciclopédicos está de volta. Não há disciplina que não deva ser abordada em "enkyklios paideia", isto é, no sentido literal, "educação circular".
Assim, a cultura é transversal à ciência, às artes, à literatura, ao cinema,…
A educação é transversal à cultura, à literatura, à saúde, à acção social,…
A saúde é transversal à educação, à cultura, à arquitectura,…
A arquitectura é transversal ao planeamento, demografia, artes,…
A família é transversal…
Tudo é transversal porque cada pessoa, só por si, bateu no fundo do relativismo em que caiu!
Reergue-se uma nova era, a dos saberes partilhados.
Já ninguém saberá de tudo sozinho e, mesmo que saiba muito, fica mais rico se o partilhar!
A era das transversalidades, chegou!
Que venha em boa hora.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.07.15

Um outro olhar

Aproxima-se o tempo de ver o outro lado do mundo, o outro lado da vida; o lado da convicção e da serenidade confiante e inspiradora.

Bem sabemos que há dias em que nada parece correr bem.

Por qualquer razão inexplicável, nenhuma equação tem solução. Depois surge a arrelia. Daí até parecer que o dia está estragado vai um pequeno passo.

Como se explica isso?!

Problemas neurológicos; falta de serenidade; ansiedade;..? Parece ser tudo sem ser qualquer coisa em particular.

É o caso de não encontrar piada alguma no discurso falacioso (de falácia), na brejeirice subtil, e depois ser apontado como pudico ou incómodo.

Mas ainda há algo mais.

Um dos sinais de arrelia, que vemos um pouco por todo o lado, curiosamente é a maneira como se procura o culpado ou projecta a culpa sobre alguém.

Olhe-se para um pequeno incidente no trânsito. Com o sem razão as pessoas dirigem-se umas às outras a tratarem-se por tu, um “tu”-segunda pessoa do singular. Como se já não bastasse ser segunda pessoa, também está no singular, só!

“Ó paspalho, não vês o que andas a fazer?” – grita-se para o lado!

É este “paspalho”, ou coisa pior, que incomoda. Porque a pessoa não ver não há grande mal nisso, acontece! Agora, ser paspalho?!

Portanto, há ali, “sem eira nem beira”, um juiz severo que espalha a sua ira para libertar, quem sabe, as suas próprias frustrações com recurso a outro mecanismo de defesa, a projecção. Os seus conflitos e reflexões são colocados, projectados nos outros e impedem ver claro.

É urgente lançar o olhar mais longe, ver para além das aparências.

Ou seja, é preciso olhar e viver a vida com elegância. Aquela elegância que faz de todos parte da solução. E esta elegância deve ser feita como serviço, como ministério.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.07.08

O discurso indirecto

À escola, a cada escola concreta, vêm parar todas as solicitações e exigências contemporâneas.

Decidiu-se que ali deve ser o centro de toda a vida da comunidade educativa, mesmo quando a comunidade precisa de re-centrar a sua educação.

O currículo nacional deve ser tratado localmente, inculturado. As competências e os saberes que o determinam não podem ser desvirtuados.

Apesar disso, a formação cívica; a educação para a saúde; a participação política; os valores da cidadania e do saber estar; a justiça; a democracia; o discernimento vocacional e profissional;… tudo está à disposição da escola e é pedido à escola. E muito bem.

Muito bem porque a escola é servida por pessoas qualificadas (e muito dedicadas) para, fazer no presente, o que se espera do futuro, porque longe vai o tempo de pensar que "a abertura de uma escola não faz nem nunca fará fechar uma prisão; assim como o bem-estar material não está intimamente ligado, nem é fatalmente proporcional ao grau de instrução do povo" (reforma da Instrução Primária, 24 de Dezembro de 1901).

Por isso, é preciso assumir outros protagonistas. Os que têm a mais nobre missão na educação e formação, os pais (únicos, insubstituíveis), e os principais decisores actores sociais e políticos.

O testemunho de vida dos primeiros e a coerência de atitudes dos segundos serão contributo decisivo para a revolução humana, cultural, científica e técnica que, por estes dias, têm estado ausentes.

De que vale a uma criança ou a um jovem ter 7 a 10 horas por dia de formação se, à saída da escola, na rua, em “casa” ou no que resta dela encontram o oposto ou uma desresponsabilização permanente da educação?!

A multa injusta, a deselegância de um condutor, a intemperança de quem segue o mesmo caminho,… as notícias maldizentes (em nome de uma suposta verdade), os ecos da corrupção, a verbalização desgastante de um parlamento que leva a actos impensáveis de um Ministro!...

Como se constata, o Ministério da Educação (Nacional), designação dada entre 1936 e 1974, ao departamento governamental competente em matéria de educação, de cultura, de desporto e de investigação científica nos governos do Estado Novo, não sofreu mudança de fundo na concepção que, desde 1870 quando foi criado, tinha o Ministério da Instrução Pública. Ao chamar educação à instrução alterou-se a matriz e confundiram-se as responsabilidades.

A concluir, melhor seria chamar à colação, em vez de discurso indirecto, o que se pode ler nas entrelinhas dos vários discursos; os necessários e os que proliferam por aí. Porém, não deixa de fazer sentido uma análise interna do texto, de cada um dos discursos, para depreender o que faz sentido e o que não tem sentido nenhum.

Mas como se poderá dizer isto sem cair no mesmo erro?!