Em frente, vamos!.

EM FRENTE, VAMOS! Com presença, serenidade e persistência, há boas razões para esperar que isto é um bem...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.02.11

O outro lado do mundo

É recorrente ter-se como recurso de comunicação um duplo significado semântico sobre as expressões como esta, “o outro lado do mundo”. Pode-se querer abordar a componente estratégico–geográfica, o sentido mais literal da expressão e, então, vemos a perspectiva do atlas. Ou, como recurso de metáfora, usamos a expressão para constatar a abordagem sob um olhar diferente, a outra face do problema.

Tendo presente este ponto prévio, importa olhar o mundo do outro lado do hemisfério e sentir, como nós tão bem sentimos, quanto sofrimento grassa na Austrália. Lá, como cá, levantam-se claros indícios de se tratar de acção criminosa. A perplexidade é inevitável, perante a malvadez e mesquinhes humanas. Como tudo desaparece num fragmento de tempo?! E a pessoa fica sem nada, muita vezes sem a própria vida.

É um mundo complicado, este, o da mente humana?!

Com um sentido autocrítico, que nem é necessário ser muito apurado, vamos encontrando sinais para relativizar a concepção de alegria ou de tristeza, de felicidade ou de infelicidade, de esperança ou de desânimo, de alento ou de desespero. Tudo o que somos é tão frágil e as nossas fragilidades são o que torna belo o equilíbrio do que nos faz ser, que a vida é maior riqueza.

Assim, com as notícias que chegam do outro lado do mundo… qual crise económica, financeira, energética! Tão relativo!

Com este relativismo, o absoluto, que é o nosso, passa a ser relativo nos contextos em que se vive e interage com outros de grau de dificuldade maior. Assim, chega-se e excluir ou remeter para segundo plano o que parecia intransponível, porque essas dificuldades nada são comparadas com a tragédia de quem já nada tem.

E ainda a olhar sobre o outro lado do mundo, constatamos que o nosso mundo tem muitos lados. Provavelmente o lado bom não é o melhor, nem o lado mau é o pior dos lados de mundo. É que isto de lados do mundo depende sempre de onde está cada um!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.02.04

O jeito e o pequeno favor

Estamos sempre preocupados com o que nos é próprio. Nomeadamente com esta coisa tão simples de fazer um jeito, dar uma mãozinha, fazer um pequeno favor.
Há duas atitudes culturais, muito nossas, portugueses, que na globalidade favorecem, estimulam, conduzem-nos para esse estádio transcendental, em que todos estão envolvidos mas há dificuldade, relutância em assumir.
A primeira das duas atitudes é a sociabilidade de proximidade. Somos um país pequeno, tudo é muito intenso e diferente em pouco espaço. Daí que consegue-se sempre uma proximidade, um parentesco, uma boa alma que dá um empurrãozinho na hora da dificuldade. Num hospital, nas finanças, numa empresa,… no leiteiro, no autocarro,…todos nós, no mínimo, solicitamos ao amigo, ao familiar “guarda um lugar para mim!”.
A segunda atitude reveste-se de contornos mais sérios e profundos, não gostamos muito de organização, de rigor, de dedicação sistemática. Isto não retira nada às grandes e aplicadas empresas, das quais, a mais conhecida, destaca-se a epopeia marítima e tantas epopeias que ainda povoam o entusiasmo lusitano.
Assim, não raro é constatar que, quando reunidos numa sala de espera, de muita espera, as atitudes mais comuns são, em primeiro, aguardar pacientemente acompanhado de lamentos sobre a lentidão de processos do serviço a que se acorre. Depois, enquanto se lamenta a lentidão, lança-se em redor o olhar e a atenção sobre as hipóteses de vir a reconhecer alguém! – hoje, esse horizonte de olhar tem como recurso o telemóvel! - “Se ao menos conhecesse alguém que me desenrascasse?!” Não tendo ou não querendo assumir o rigor das coisas, assumimos o jeito de contornar a dificuldade da coisa.
Portanto, o que soçobra em eficácia, sobeja em jeito e favor!
Em suma, na mesma sala de espera, já ninguém espera na sua vez mas segundo a hierarquização do “jeito”, da influência do conhecido, do amigo, do familiar, do companheiro, mas, apesar de tudo, ainda estão (quase) todos continuadamente à espera!
E com tanta proximidade, tanto jeito, quem continua à espera, nessa mesma sala, somos todos nós, é Portugal perante o mundo!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

PL, in "Correio do Vouga" - 2009.01.28

Holocausto, Davos e Freeport!

Dia Mundial da Lembrança do Holocausto, 27 de Janeiro.

A data é uma homenagem aos seis milhões de judeus e às outras vítimas da exterminação nazi. Vários países, incluindo Grã-Bretanha, Itália e Alemanha, já consideram 27 de Janeiro o dia da memória das vítimas do Holocausto porque foi nesta data, em 1945, que os soviéticos libertaram o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polónia.

A resolução, proposta por Israel, foi co-patrocinada por outros 104 países e aprovada por consenso (sem necessidade de votação), em Novembro de 2005.

O texto da resolução rejeita qualquer questionamento de que o Holocausto foi um evento histórico, enfatiza o dever dos Estados-membros de educar as futuras gerações sobre os horrores do genocídio e condena todas as manifestações de intolerância ou violência baseadas em origem étnica ou crença.

Davos. A crise financeira internacional é a principal sombra que paira sobre o Fórum Económico Mundial. Segundo alguns analistas, a turbulência financeira – a mais grave desde a Grande Depressão dos anos 1930 – dominará o encontro, que reunirá personalidades económicas e políticas na cidade suíça, de 28 de Janeiro a 1 de Fevereiro. Estarão cerca de dois milhares e meios de participantes e 41 chefes de estado, de 96 países.

Freeport – Alcochete, Portugal

Suspeitas em redor do licenciamento do complexo comercial em Alcochete porque, segundo a comunicação social portuguesa as autoridades inglesas descobriram transferências em dinheiro para personalidades portuguesas. E que as autoridades inglesas propuseram à PGR a criação de uma equipa conjunta para investigar o caso “Freeport”.

Tudo leva a crer que por ali houve arte e engenho português. O que se estranha é este caso ser… estranho! Esta é uma das consequências do nossa “alma lusitana”, fazer o bem sem olhar a quem!? Quando as decisões são lentas… estamos na cauda da Europa! Quando se é célere, desconfia-se!? Ninguém compreende estes portugueses. Até parece que se trata de uma importação. Como em Inglaterra andam a investigar as fraudes desta “loja franca”… vamos a reboque investigar também!

Os três acontecimentos, assim dispostos transversalmente, só poderão suscitar estupefacção!

As gerações futuras terão muito que investigar para perceber as causas das coisas, nomeadamente por terem ficado sem futuro nesta (T)terra!?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

in "Jornal Aberto" (Escola Secª D JCCG-Ílhavo), nº 34, Ano XI (Setembro/Dezembro 2008)

E com isto já vamos com 2009!

Ainda há pouco vivíamos apreensivos à espera do bang do milénio! E, contudo, passou rapidamente uma década!

Nestes dez anos saíram gerações de alunos do nosso contacto diário. Desses, alguns já regressaram ao nosso convívio como colegas, outros estão pelos caminhos da vida que também trilhamos. São as novas gerações, os responsáveis pelo futuro, um futuro que é presente.

Pois bem, no último ano da primeira década de “dois mil”, lançamos o nosso olhar e preocupações sobre um novo modelo de escola, um novo regime de autonomia, um novo processo disto e daquilo, imensas coisas novas! Os mais familiarizados com as correntes da história até encontrarão algumas semelhanças com um as “luzes”, quem sabe?! E com algum esforço emergirão sinais de eterno retorno!?

Na verdade, por mais indicações que vislumbremos na semelhança com outros momentos, este é o nosso tempo, o tempo das nossas oportunidades de deixar na memória colectiva o melhor de nós próprios. E o melhor de cada um é o que contribui para o bem comum, para, juntos, podermos fazer do nosso mundo, os espaços e pessoas com quem agimos e interagimos, um mundo melhor, com valor.

Assim, é importante que cada um assuma o seu lugar, as suas responsabilidades e dê contributos decisivos para o que temos de fazer juntos.

E quando surgem as dúvidas sobre qual o desempenho de cada um, o primeiro momento, o mais importante, é que, sozinho ou com a colaboração dos mais próximos, saiba colocar-se no seu lugar. Depois, depois sim, partir para voos mais altos; o mesmo será dizer, para maior responsabilidade.

Porque o pior do nosso mundo é não sabermos distinguir nem aceitar o lugar que os outros têm e as responsabilidades inerentes, dá a sensação de deslocados, fora do sítio, não é?

Aos professores, o desempenho de professores; aos alunos, o que é próprio do ser aluno; aos pais, a responsabilidade de pais; aos assistentes e operacionais da educação, o contributo profissional de interligar os três grupos anteriores; à comunidade, o discernimento do que deseja para os seus membros!

Depois, resta-nos acreditar e transformar o sonho em oportunidades.