terça-feira, 22 de dezembro de 2015
Por fim… o Pátio dos Gentios
terça-feira, 24 de novembro de 2015
Ouvir com outros olhos
Há dias um grupo de amigos, no propósito de registar uma etapa que vencemos juntos, assinalou o momento com o bom gosto da coletânea de dezasseis ensaios de João Lobo Antunes com este título bem sugestivo: ouvir com outros olhos!
E a ouvir, então, com esses outros olhos fazemo-lo em agradecimento aos amigos que também colaboraram, e diretamente, com este apontamento (Ponta de Lança) nas ideias, leitura da realidade presente nos últimos quatro anos, visão profunda de construir a sociedade em ordem ao bem comum!
O autor é sobejamente conhecido. Desde que foi jubilado do Hospital de Santa Maria, há cerca de um ano e, segundo palavras suas, “quando cheguei aos 70 anos, perguntei a mim próprio o que iria fazer, agora que não tinha de ir todas as manhãs para o Hospital de Santa Maria” - disse-o ao Jornal de Letras - , “decidi que ia entreter-me com a minha inteligência. Dito assim, isto pode parecer um pouco pretensioso, mas pensei que iria ser como um mineiro a escavar recordações.”
Entre as “escavações” feitas estão os percursos, às vezes difíceis de entender, no ziguezaguear da vida política e da cidadania, como aconteceu quando apoiou, em 2005, a primeira candidatura de Cavaco Silva à Presidência da República, cinco anos depois de ser mandatário de Jorge Sampaio (e por lá ficou repetindo-o cinco anos depois).
Por fim, ouvimos J. Lobo Antunes no ensaio “Um neurocirurgião na Casa da Música”, para podermos olhar bem longe e descodificar os mistérios da mente humana, numa altura em que o país está no ocaso de mais um mandato da Presidência da República que termina em debate aberto sobre as competências e limites das mesmas no exercício da soberania própria: “consequência desejável de qualquer processo de aprendizagem é, evidentemente, a maturação como executante, qualquer que seja o ofício. O grande Bruno Walter, discípulo de Mahler, dizia que havia três fases na vida de um maestro: na primeira tudo parecia simples e natural; depois seguia-se um período de insegurança e incerteza, e finalmente o da maturidade plena. (…) Na primeira fase, a da aprendizagem das coisas miúdas do ofício, o medo era a força educativa dominante; (…) cresceu a seguir a segurança, que foi tornada robusta pela familiaridade progressiva com os instrumentos que uso e por uma intimidade cúmplice com os tecidos em que laboro: matizes de cor, de textura, de resiliência, a distinção fina entre o normal e anormal. (…) Em relação aos instrumentos, a maturidade plena atinge-se quando eles perdem a sua individualidade e se tornam um mero prolongamento natural de nós próprios. (…) Note-se que, ao observar um músico ou um cirurgião que atingiram este patamar, dá por vezes a sensação ao espectador de uma enorme (mas enganadora) facilidade – “eu também sou capaz de o fazer”! Então, a aprendizagem está finalmente concluída.”
Nem mais! Porém, ficam dúvidas em relação a outros ofícios e oficiantes. Será sinal que a aprendizagem ainda não está concluída? É que nem o Conselho de Estado é ouvido… com outros olhos!?
(in Correio do Vouga, 2015.11.16)
terça-feira, 10 de novembro de 2015
Isolados por todos os lados
Há bem perto de nós, no nosso concelho, ausência de meios para sair à procura de recursos elementares para o desenvolvimento! Coisas simples, sem custos para o erário público, são estagnadas por incúria, falta de visão ou, desejamos que não, deliberadamente. Estão nesta lista (de coisas simples), sendo bastante plebaico, a realidade plasmada num horário de serviços – sim, o papel ou suporte digital onde está publicitado um determinado, qualquer que seja, horário!
A funcionalidade (um serviço intermodal, por exemplo; um blogue!) e a conceção intuitiva de leitura são determinantes para se perceber o que existe e onde as pessoas podem obter o serviço (mínimo) que procuram: transportes, serviços de saúde, serviços judiciais,… Por enquanto, nota-se confuso, difuso, disperso, ausente!
Estamos quase como alguns países, que face aos índices de desenvolvimento segundo modelos estereotipados, considerados pobres: vá para lá (paragem do autocarro, posto médico,…) e espere! O atendimento? Logo se vê!
Ora, isto é o cúmulo do atraso. Pára tudo, por nada!
Há pouco tempo numa conferência sobre redes (falava-se de caminhos de ferro, mas os assuntos foram alargados para outras convencionais e digitais, mas sobretudo convencionais) discutia-se enfatizando consensualmente a existência e desempenho destas como principais infraestruturas para o desenvolvimento das pessoas, dos povos, das comunidades. É claro que o uso do termo redes, tão globalizado, quer significar as interligações que se encadeiam em imensas teias sucedâneas e dependentes.
Não se esgotou o assunto em exemplos porque os participantes partiam da mesma premissa: estar no mundo é estar ligado; o isolamento é a ausência de ligações. Há até expressões que são tautologias como, por exemplo, vias de comunicação (fluvial, rodoviárias, ferroviárias, aéreas,…)!
Protagonizam, desde logo os autores clássicos da Sociologia (Karl Marx, Max Weber, Émile Durkheim): o homem é um ser social. Somos sociais não apenas porque dependemos de outros para viver, mas porque os outros influenciam a maneira como convivemos connosco próprios, com aquilo que fazemos.
Se estivermos de acordo nisto, já demos passos enormes para sair do isolamento e dar consistência ao desenvolvimento da humanidade – aqui tão próxima!
Às vezes, havendo competência, basta que um pare um pouco (para pensar e (re)definir a visão das coisas) para que tudo funcione!
(in Correio do Vouga, 2015.11.11)
terça-feira, 13 de outubro de 2015
Isto e o seu contrário
Ou a ousadia da multiplicidade
Não faltam, nem nunca faltaram, opostos, isto e o seu contrário! Entre outros títulos e momentos, recordamos “Cláudio e Constantino” com mais de um ano ao “Sol” – como descreveu Filipa Melo no periódico homónimo sobre o argumento do título de Luísa Costa Gomes: se existe o que existe, então terá de existir também o que não existe, caso contrário o que existe não existiria. Uma “novela rústica em paradoxos”, ou antes um romance delicioso a partir de confrontos filosóficos entre verdade e especulação, alguns velhinhos de há 25 séculos.
A dupla, do romance, claro, anda junta por aí como se não houvesse mais nada - acrescentamos!
No começo da história (ou logo depois do começo do começo), Constantino e o irmão mais novo, Cláudio, estiveram tão entretidos a dar banho aos pintos no celeiro do Mirandolino que se esqueceram da hora de regresso a casa – mito interessante! Agora, estão sozinhos no escuro, à procura do melhor caminho. O que fazer? “Encontrar um ponto de referência 'por exemplo'. Em vez de 'por acaso'“. Constantino, bem mais especulativo e teatral do que o irmão, pode não chegar a resolver as questões, mas nunca larga o leme das reticências e possibilidades. Sobressai a eficácia das situações e dos diálogos criados para ilustrar inúmeros paradoxos, dilemas ou falácias famosos, sempre com recurso ao registo paródico e humorístico e à intertextualidade. Na casa grande e abastada da família, cheia de afeto e de vida e de temperamentos e nomes curiosos, Cláudio e Constantino vivem ou sonham maravilhosas aventuras de dúvida e descoberta. Neste romance, cabe mesmo tudo, para todas as idades.
A sugestão de leitura referida é apenas um subsídio para a compreensão desta ”maçada” de haver outras possibilidades de vida, de ação, de saída para as coisas que nos atormentam, como, por exemplo, o governo de um país! É saudável a plêiade de paradoxos que sustentam os passos andados e o contrário nas costas de quem anda:
Estar vivo é fingir-se morto;
Agir é prepotência;
Falar é arrogância;
Tomar a iniciativa é soberba;
Reclamar é falta de educação;
Dialogar é não falar sozinho;
Esquerda é não direita;
Resolução é autoritarismo;
Democracia é não tirania;
Inação é falta de cidadania;…
Existir com os outros é não estar sozinho!
Atribui-se a Mário Bergoglio, de Buenos Aires, "uma pessoa aparecia a correr a pedir socorro. Quem o perseguia? Um assassino? Um ladrão? Não..., um medíocre com poder. É verdade: pobres dos que estão sob o domínio do medíocre. Quando um medíocre acredita e lhe dão um pouco de poder, pobres dos que estão sob a sua alçada. O meu pai dizia-me sempre: "Cumprimenta as pessoas quando fores subindo, porque irás encontrá-las quando vieres a descer. Não duvides".
(in Correio do Vouga, 2015.10.14)
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Medo
Multiplicam-se os sintomas pelo mundo. E mais próximo de nós a situação não está melhor.
Voltamos às pessoas que chegam à Europa sem nada e querendo apenas viver!
Perante esta mole humana os sinais emitidos pelos governos do “Velho Continente” continuam desconcertantes. Chegamos ao ponto de não saber intitular o fenómeno para não perder a face no monólogo discursivo institucional – íamos a dizer “diálogo”, mas parecia um eufemismo! - Serão “refugiados” (de guerra)? Sem terra? Sem teto?... sem nada? Serão “imigrantes”? Nem há um risco de designar qualitativamente o que são estes grupos (de PESSOAS! – arriscamos nós).
O medo é uma teia muito urdida.
Procurámos pensamentos (na forma panfletária “em linha”, na internet) sobre o assunto:
“O medo é a qualidade de quem não tira as teias de aranha do teto, temendo que o teto caia” (John Garland Pollard); "O maior erro que se pode cometer na vida é o medo constante de cometer erros" (Elbert Hubbard); “O medo é o pior dos conselheiros” (Alexandre Herculano); “O medo nasce da ignorância” (Victor Hugo); “Eu aprendi que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista acima do próprio medo” (Nelson Mandela); “As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos ganhar não tendo medo de tentar“ (W. Shakespeare); “O medo é a pior das doenças: paralisa o corpo e a mente” (desconhecido); “Quando se perde o medo é quando mais se ganha” (M. Gandhi); “O pior medo é o medo de nós próprios (José Luís Peixoto); “A essência da felicidade é não ter medo” (F. Nietzsche); "A coragem que vence o medo tem mais elementos de grandeza que aquela que o não tem. Uma começa interiormente; outra é puramente exterior. A última faz frente ao perigo; a primeira faz frente, antes de tudo, ao próprio temor dentro da própria alma." (Fernando Pessoa);…
Quanta sabedoria contra as teorias do medo?! Porém, ele está aí.
Entrando numa quase-contradição, dá a ideia que isto que estamos a ver passar nos nossos olhos são medos da asneira feita e do que devia ser feito: apoios interesseiros ao lado errado da “barricada” (grupos rebeldes da Síria, do Iraque,…); esgotar o tempo para tirar o máximo proveito dos interesses instalados; não querer ajudar a resolver o problema no seu próprio local – lá onde as pessoas foram desenraizadas, onde há petróleo, onde também corre (algum) leite e mel!
É certo que, como acontece em todas as famílias e grupos mais restritos de amigos que viajam em ambiente normal (conforto, bens, destino,… assegurados), no meio do trigo haverá sempre algum joio!
“Não tenhais medo” (S. João Paulo II).
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Big Brother
terça-feira, 1 de setembro de 2015
“The fireman”, Bombeiros e bombos
É de elementar justiça sublinhar, enaltecer repetidamente a importância dos primeiros – na realidade, em termos práticos exercem a mesma função, quanto à definição, e são mais do que a definição possa sugerir (assistência no acidente, socorro em quase toda a linha de atuação, quer humana quer outra: no animal que é preciso recuperar do perigo, a limpeza da sargeta que provoca a inundação, a árvore que cai derrubada pela intempérie,…). São, como é usual denominar-se, elementos da proteção civil – seja lá o que isso for! São é a proteção a tudo (civil ou não!).
Em inglês, bombeiro é chamado o "homem do fogo", “fireman”, o profissional que elimina o fogo; na língua portuguesa, a palavra "bombeiro" deriva de "bomba", máquina que eleva, pressiona, faz fluir normalmente a água numa determinada direção. Contudo, para não permitir a confusão, também temos em português “bombo”, do grego “bómbos”, o que faz "barulho", “ruído grave, forte”, em particular o "ribombar do trovão".
Mas este interesse sobre a curiosidade dos termos (“fireman”, bombeiro, bombo) apenas ajuda a perceber o que vai acontecendo e que importa fazer notar, destacar, com uma certa dose de conotação bombástica, para suscitar a leitura e interpretações mais atentas a todos e a cada um (participante desta “tribo” de humanos).
A Europa: “The fireman”.
Está a “mexer”, e sucessivamente, com o fogo em vários assuntos. O desmembramento parece iminente!. Claro que a crise dos migrantes, com os últimos acontecimentos tão vertiginosos, faz esquecer o que se passa por aí… em Calais (França), no autoproclamado Estado Islâmico, na Indonésia (Malaca e Aceh), Birmânia, no centro de África,…
O próximo Governo: o “bombeiro” (para tantos “incêndios”, que teimam em lavrar há mais de cento e cinquenta anos)!
Os governos têm o seu “quid” com esta conotação (de bombeiro). Aliás, dizia há dias um responsável político, há determinados governantes que por não acreditarem ideologicamente ser possível gerir bem o que é “público”, quando eleitos para isso, fazem-no sempre mal! Deixamos duas indicações recentes: o Estatuto dos militares da GNR, adiado; o pagamento de 54 mil milhões de euros a quem comprou obrigações do Tesouro e à “troika”,… e muito mais que sucede cada dia!
Os funcionários(?) da Câmara de Aveiro: o “bombo” (quem suporta as culpas).
Há coisas (as desagradáveis são sempre) que têm de ser apuradas junto de terceiros! Diz o Diário de Aveiro (jornal do dia 31 de agosto) que sacos com raticida, animais mortos, tal como aves, além de ratos, um cão e gatos têm sido encontrados pela cidade, alarmando principalmente os donos de cães que passeiam os seus animais pelo centro de Aveiro e receiam que possam ser envenenados. O envenenamento de outros animais para além de ratos é um receio que tem crescido nas últimas semanas devido à descoberta da colocação de sacos com raticida em locais de circulação de animais de companhia e pessoas.
O Diário de Aveiro não conseguiu saber quem anda a colocar esses sacos pela cidade, o que está a acontecer, pelo menos desde Junho último. O presidente da Câmara de Aveiro, Ribau Esteves, desconhece qualquer procedimento deste tipo pelos serviços da autarquia, ressalvando que a eliminação de roedores é feita nos edifícios municipais e não em zonas do exterior. De qualquer forma, o autarca disse ao Diário de Aveiro que, hoje, iria “averiguar” – coitado do bombo! - o que está a acontecer. Junto à antiga Capitania, já foi visto a colocação de sacos por indivíduos com colete e farda de cor verde. Contudo, nenhuma empresa conhecida tem, na lista de actuação, a colocação de sacos de raticida pela cidade.”
O “bombo” que vier atrás… vai apagar o fogo!
(in Correio do Vouga, 2015.09.02)
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
O regresso
terça-feira, 4 de março de 2014
Crimeia
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Infraestruturas de elevado valor acrescentado (IEVA) em Aveiro
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Liberdade, razão, belicosidade
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
46664
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Geografia do mundo.
Não, não se diga mais nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.
És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
terça-feira, 26 de março de 2013
Ar fresco
terça-feira, 5 de março de 2013
Os números e o descontentamento
A 27 de Fevereiro de 1953, a economia alemã, que tinha atingido o fundo após a II Guerra Mundial, deu um passo decisivo para uma recuperação classificada por muitos como milagrosa. Desembaraçou-se de quase dois terços da sua dívida externa e iniciou uma década em que conseguiu duplicar o seu PIB.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Carnaval e Pagode
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
A luz e o túnel
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Falta de educação
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Não há ambiente
É comum, como desbloqueador de conversação ou constatação de facto, utilizar-se a expressão (não há ambiente) com alguma criatividade semântica. Poder-se-á dizer que o contexto onde determinada situação pode ocorrer não tem todos os requisitos para que tal se proceda; poderá querer-se ironizar com as circunstâncias, gerando na negação como que uma antítese. Por fim, há coisas que saturam tanto que fazem o ambiente irrespirável - a congeminação na projeção (mecanismo de defesa, da psicologia) é uma delas!
Das “redes sociais” entende-se que após solicitação feita à CM Aveiro, no sentido dos moradores do Albói serem esclarecidos quanto ao verdadeiro projeto para o Largo Conselheiro Queirós, no prazo de 48 horas, e ultrapassado esse tempo, os mesmos continuam sem obter qualquer resposta?!
Juntaram-se (neste protesto), levaram uma cadeira e... "ESPERARAM SENTADOS".
E esperaram mesmo! Isto é, indignados puseram-se a caminho, agiram!